Durante a Análise Política da Semana, transmitida pela Causa Operária TV (COTV) neste sábado (27), Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência, afirmou que a campanha contra a Seleção Brasileira tem uma razão econômica. Segundo Pimenta, os ataques ao futebol brasileiro, à Seleção e a jogadores como Neymar fazem parte de uma tentativa de subordinar o público brasileiro ao futebol europeu.
“O motivo real da campanha é econômico. O Brasil deve ser um dos países que têm o maior público de futebol do mundo. Não é um público que tem dinheiro, certamente. Por isso que a máfia do futebol sempre prefere que as seleções europeias principais ganhem a Copa”, disse.
Pimenta explicou que nem todas as seleções da Europa interessam da mesma maneira aos organizadores do grande negócio futebolístico internacional. O interesse principal estaria nas seleções dos países centrais do imperialismo europeu, como França, Itália, Espanha, Alemanha e Inglaterra, que concentram um público consumidor mais rico. O Brasil, por outro lado, possui uma imensa massa de torcedores e uma relação nacional muito profunda com o futebol.
Segundo o dirigente do PCO, a campanha procura convencer uma parte da população de que o futebol brasileiro é inferior e que o futebol europeu deve ser tomado como modelo. Para Pimenta, trata-se de uma operação política e econômica para retirar prestígio da Seleção Brasileira, dos clubes nacionais e dos jogadores brasileiros, abrindo espaço para a dominação do futebol europeu sobre o público brasileiro.
“A ideia é fazer com que o futebol europeu domine o futebol brasileiro. É uma coisa em que eles vêm trabalhando”, disse Pimenta.
O presidente do PCO citou como exemplo a campanha contra os técnicos brasileiros. Segundo ele, quando defendeu que o Brasil não precisava importar treinador, porque possui técnicos próprios, surgiram críticas dizendo que o País não teria mais profissionais qualificados, com o argumento de que a Seleção não vence a Copa do Mundo há 24 anos. Para Pimenta, esse tipo de afirmação tem como objetivo apresentar o futebol brasileiro como algo ultrapassado.
Ele também lembrou uma publicação do jornal Lance! que afirmava que o Brasil não seria mais o país do futebol, usando como argumento os resultados recentes da Seleção.
“A ideia é essa: doutrinar a população brasileira, pelo menos uma parcela significativa dela, para que ela aceite que o Brasil seja como alguns desses países atrasados, onde o pessoal não torce para o time do país, mas torce para o Real Madrid”, afirmou.
Pimenta destacou que o objetivo é levar o brasileiro a reconhecer uma suposta superioridade natural do futebol europeu. Nesse esquema, o futebol nacional passa a ser tratado como algo de segunda categoria, sem importância, enquanto os clubes europeus aparecem como referência obrigatória.
O dirigente também apontou que a campanha em favor de Lionel Messi está ligada ao ataque contra Neymar. Segundo Pimenta, Messi, embora argentino, desenvolveu praticamente toda a sua carreira no futebol europeu e se tornou o jogador preferido do sistema econômico que comanda o futebol internacional. Por isso, sua figura é usada para rebaixar jogadores brasileiros e, em particular, Neymar.
Pimenta criticou ainda a tentativa de apresentar Messi como superior a Pelé. Para o presidente do PCO, essa comparação serve a interesses determinados e ignora o que Pelé representou para o futebol mundial. Segundo ele, quem sustenta essa tese ou não viu Pelé jogar ou age de maneira interessada.
“Aparecem aí as histórias de que o Messi é um jogador melhor do que o Pelé, que é uma bobagem, porque só fala isso gente mal-intencionada ou gente que nunca viu o Pelé jogar e não sabe do que está falando”, afirmou.
O presidente do PCO também criticou a imprensa dita especializada. Para ele, muitos comentaristas esportivos parecem falar de um país que não existe, pois negam a força da Seleção Brasileira justamente quando os números mostram que o Brasil continua parando para assistir aos jogos da Copa do Mundo.
“A imprensa especializada parece que vive em outro planeta. E a esquerda, mais ainda”, disse.
Pimenta lembrou que, antes da Copa, diversos setores afirmavam que o povo brasileiro já não tinha interesse na Seleção. Pesquisas chegaram a ser usadas para sustentar que apenas uma parte dos brasileiros acompanharia os jogos ou torceria pelo Brasil. No entanto, segundo ele, a transmissão das partidas mostrou o contrário: o País parou para ver a Seleção.
“No sábado passado, nós mostramos que, pelos números da transmissão do jogo, o Brasil inteiro parou para assistir à Copa. Só que ninguém lembra que antes da Copa estava cheio de conversa de que a maioria das pessoas não tinha mais interesse na Copa”, afirmou.
A mesma coisa ocorreu com Neymar. Pimenta destacou que se afirma constantemente que o jogador não é ídolo do povo brasileiro, mas, quando ele entrou em campo contra a Escócia, o estádio inteiro o aplaudiu. Para ele, mesmo que a partida tenha sido disputada nos Estados Unidos, a reação do público brasileiro presente demonstrou que a campanha contra Neymar não corresponde ao sentimento popular.
Segundo Pimenta, se existisse uma divisão real entre os brasileiros em relação à Seleção, ela teria aparecido também naquele público. No entanto, o que se viu foi o apoio ao jogador e à equipe nacional. Para o presidente do PCO, a hostilidade à Seleção existe sobretudo nos círculos pequeno-burgueses da esquerda e da imprensa burguesa, não no povo brasileiro.
“Se tivesse uma divisão importante, se manifestaria naquele público também. Mas não existe isso, só existe na cabeça da esquerda”, afirmou.
Ao concluir sua análise, Pimenta destacou que torcer pela Seleção Brasileira é uma atitude normal para o povo brasileiro. Para ele, a Seleção é um dos maiores fenômenos culturais do nacionalismo brasileiro, e esse nacionalismo tem caráter progressista porque expressa a defesa de um país oprimido diante do imperialismo.
“O normal para um brasileiro é torcer para o Brasil. A Seleção Brasileira é um dos maiores fenômenos culturais do nacionalismo brasileiro”, disse. “Esse nacionalismo brasileiro tem um caráter progressista, não é como se fosse o nacionalismo alemão. O nacionalismo alemão é reacionário, é o nacionalismo imperialista. O nacionalismo brasileiro, não. O nacionalismo brasileiro é um fator de progresso para o País. É uma defesa do País diante do imperialismo.”





