Formação política

Começa hoje! Venha para a 55ª Universidade de Férias

Curso sobre o Irã e a República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, em Sorocaba, entre 27 de junho e 5 de julho

Começa neste sábado (27) a 55ª Universidade de Férias do Partido da Causa Operária (PCO), realizada em conjunto com o Acampamento da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A atividade segue até 5 de julho, em Sorocaba (SP), reunindo militantes, filiados, simpatizantes e interessados em um período concentrado de formação política, convivência coletiva e atividades de lazer.

As inscrições continuam abertas para quem ainda deseja participar. O curso desta edição será A história do Irã e da República Islâmica, dedicado ao estudo de um dos processos políticos mais importantes do século XX: a luta do povo iraniano contra a dominação imperialista, a ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi e a Revolução Iraniana de 1979.

A Universidade de Férias será realizada no mesmo local dos últimos cursos, em uma área de 150 mil m², a cerca de duas horas do centro de São Paulo. O espaço conta com chalés, área de camping, cozinha ampla para a preparação coletiva das refeições, piscina semiolímpica, quadra de vôlei, quadra poliesportiva e campo de futebol, onde ocorre o tradicional campeonato do acampamento.

O curso será ministrado integralmente por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e pré-candidato à Presidência da República. A atividade tratará da formação histórica do Irã moderno, da ditadura do Xá, do papel da CIA, do MI6 e do Mossad na sustentação do regime monárquico, da atuação da polícia política SAVAK e da Revolução Iraniana.

Um dos pontos de partida para compreender a história recente do Irã é o golpe de 1953 contra Mohamed Mossadeq. Em 28 de abril de 1951, Mossadeq tornou-se primeiro-ministro do Irã. A posse ocorreu pouco mais de um mês depois de o Majlis, o parlamento iraniano, aprovar por unanimidade a nacionalização da indústria petrolífera do país, em 15 de março.

Mossadeq assumiu o governo para executar essa decisão, enfrentando diretamente o imperialismo britânico e a Anglo-Iranian Oil Company, empresa que controlava a principal riqueza iraniana. A nacionalização do petróleo colocou o Irã em choque com o Reino Unido e abriu uma crise que culminou, dois anos depois, no golpe organizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Mossadeq não era dirigente operário nem chefe de uma organização revolucionária. Era um nacionalista burguês, com longa trajetória parlamentar, que conseguiu reunir diferentes setores da sociedade iraniana em torno de uma reivindicação concreta: o controle do Irã sobre o próprio petróleo.

Em 10 de junho de 1951, diretores iranianos substituíram os diretores britânicos da Anglo-Iranian Oil Company e anunciaram a nacionalização da indústria petrolífera aos trabalhadores da empresa. A partir daquele momento, o Estado iraniano passou a reivindicar o controle direto da produção de petróleo.

No dia 21 de junho de 1951, Mossadeq explicou o sentido político da medida em discurso no qual relacionou o petróleo à independência nacional:

“Nossos longos anos de negociações com países estrangeiros (…) não produziram nenhum resultado até agora. Com as receitas do petróleo, poderíamos cumprir todo o nosso orçamento e combater a pobreza, as doenças e o atraso de nosso povo. Outra consideração importante é que, com a eliminação do poder da empresa britânica, também eliminaríamos a corrupção e a intriga, por meio das quais os assuntos internos de nosso país têm sido influenciados. Quando essa tutela tiver cessado, o Irã terá conquistado sua independência econômica e política. O Estado iraniano prefere assumir a produção de petróleo por conta própria.”

A declaração apontava a Anglo-Iranian Oil Company como instrumento da interferência britânica no Irã. Para Mossadeq, a nacionalização não era apenas uma medida econômica, mas a condição para que o país deixasse de ter seus assuntos internos submetidos aos interesses do imperialismo.

A resposta veio em 1953. A CIA e o serviço secreto britânico organizaram o golpe que derrubou Mossadeq e fortaleceu a ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi. A derrubada do primeiro-ministro iraniano foi a reação do imperialismo à tentativa do Irã de controlar sua principal riqueza.

O curso da Universidade Marxista também tratará do período aberto pelo golpe de 1953. Com o apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido, o Xá consolidou uma ditadura apoiada na repressão, na entrega econômica e em uma política de submissão ao imperialismo.

A chamada Revolução Branca, lançada pelo Xá em 1963, foi apresentada como um programa de reformas, mas serviu para aprofundar a desorganização do campo, concentrar ainda mais o poder nas mãos da monarquia e submeter a economia iraniana aos interesses estrangeiros.

No mesmo ano, o aiatolá Ruholá Khomeini denunciou publicamente o Xá como marionete dos Estados Unidos. Foi preso e, em seguida, exilado. Durante mais de uma década, suas mensagens circularam clandestinamente pelo país, em gravações, sermões e textos distribuídos por redes religiosas e populares.

Quando a crise do regime se agravou, essa rede serviu como uma das principais estruturas de organização da revolta. A mobilização de massas, as manifestações religiosas, as greves operárias e a oposição à dominação estrangeira levaram à queda da monarquia em 1979.

Um dos acontecimentos decisivos desse processo foi a Sexta Negra, como ficou conhecido o massacre de 8 de setembro de 1978, na Praça Jaleh, em Teerã. Naquele dia, tropas do Xá atiraram contra manifestantes desarmados, em um episódio que marcou um ponto decisivo da Revolução Iraniana.

A repressão não conseguiu conter a população. Ao contrário, destruiu o que restava de confiança na monarquia. Nos meses seguintes, as greves na indústria do petróleo paralisaram o regime. Sem o petróleo, o Xá perdeu sua principal fonte de recursos. Sem confiança nas tropas, perdeu sua principal força de repressão.

Em 16 de janeiro de 1979, Mohamed Reza Pahlavi fugiu do Irã. Em 1º de fevereiro, Khomeini retornou do exílio, recebido por milhões de pessoas. No dia 11 de fevereiro, o alto comando das Forças Armadas declarou neutralidade, e a monarquia caiu definitivamente.

A Revolução Iraniana não foi uma simples troca de governo. Foi um levante de massas contra uma ditadura armada, financiada e protegida pelo imperialismo norte-americano e britânico. A queda do Xá retirou o Irã da órbita direta dos Estados Unidos e alterou a situação política de todo o Oriente Próximo.

Por essa razão, a Revolução Islâmica segue sendo alvo de uma campanha permanente de calúnias. Para os Estados Unidos, “Israel” e seus aliados, é inaceitável que um povo submetido à dominação estrangeira tenha derrubado uma ditadura apoiada pelo imperialismo e reorganizado o país sobre bases independentes.

A imprensa burguesa apresenta a Revolução Iraniana como uma ameaça irracional, ao mesmo tempo em que procura apagar seu conteúdo anti-imperialista. O curso da Universidade Marxista pretende combater essa falsificação, apresentando uma interpretação marxista do processo que levou à queda do Xá e à formação da República Islâmica.

O estudo da Revolução Iraniana ganha importância ainda maior diante da situação atual no Oriente Próximo. A ofensiva permanente dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã mostra que a revolução de 1979 continua sendo um dos maiores obstáculos à dominação imperialista na região.

O curso também abordará a formação da República Islâmica, a resistência às agressões externas, as tentativas de golpe e sabotagem, a guerra imposta contra o Irã e o papel que o país desempenha hoje no Eixo da Resistência.

Entender o Irã atual exige estudar o golpe de 1953 contra Mossadeq, a ditadura do Xá, a interferência dos Estados Unidos, a política imperialista no Oriente Próximo, a mobilização das massas iranianas e o significado da independência nacional para os povos oprimidos.

Estrutura do acampamento

Além das aulas, a Universidade de Férias do PCO é um período de convivência coletiva. Militantes e simpatizantes de várias regiões do País participam de atividades políticas, culturais e esportivas durante os dias do curso.

O local escolhido para a 55ª edição conta com área de camping e chalés para receber os participantes. A preparação das refeições será feita coletivamente, como ocorre nas edições anteriores da atividade. O espaço também oferece piscina, quadras e campo de futebol.

A atividade é parte da política de formação do PCO e da AJR, que organizam cursos regulares de marxismo, história e política nacional e internacional. A Universidade de Férias reúne estudo teórico e experiência prática de organização militante.

As inscrições para a 55ª Universidade de Férias do PCO continuam abertas. O curso A história do Irã e da República Islâmica será realizado entre os dias 27 de junho e 5 de julho, em Sorocaba (SP).

A inscrição para acompanhar o curso pela Internet também está disponível. Informações podem ser obtidas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

Valores do curso, com três refeições diárias incluídas:

Pela Internet: R$350,00

Alojamento — pacote completo:

Barraca: R$700,00 + R$350,00 do curso

Quarto coletivo: R$900,00 + R$350,00 do curso

Chalé: R$1.100,00 + R$350,00 do curso

Alojamento — diárias:

Barraca: R$100,00 + R$350,00 do curso

Quarto coletivo: R$130,00 + R$350,00 do curso

Chalé: R$150,00 + R$350,00 do curso

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