Política internacional

CIA premia seus melhores agentes

NED anuncia prêmio para organizações e figuras de Rússia, Cuba, Síria, Etiópia e Birmânia, todos ligados à política de pressão dos EUA contra outros países

A Fundação Nacional para a Democracia (NED, na sigla em inglês) anunciou, na segunda-feira (22), os escolhidos para o Prêmio Democracia de 2026. A entidade norte-americana premiou indivíduos e organizações da Rússia, Cuba, Síria, Etiópia e Birmânia, todos apresentados como defensores das chamadas “liberdades democráticas”.

O prêmio é uma peça de propaganda do imperialismo. A NED, que se apresenta como fundação privada sem fins lucrativos, declara no próprio comunicado que foi criada em 1983, durante o governo Ronald Reagan, como parte da política de organizar uma “infraestrutura da democracia”, com mandato bipartidário do Congresso norte-americano.

Em outras palavras, trata-se de uma rede destinada a financiar a intervenção política dos EUA no exterior. A fundação atua por meio de partidos, organizações empresariais, sindicatos e grupos locais, sempre sob o disfarce da defesa da liberdade.

A premiação de 2026 foi organizada em torno dos 250 anos dos Estados Unidos. Segundo a NED, o conselho diretor escolheu os homenageados com base nas liberdades previstas na Primeira Emenda da Constituição norte-americana: religião, expressão, imprensa, reunião e petição.

Entre os premiados está Friede Allen, destacada pela NED por apoiar clérigos russos contrários à guerra na Ucrânia. Segundo a entidade, esse trabalho preserva uma “testemunha moral” contra o Crêmlin e contra o uso da religião pelo Estado russo.

Em plena guerra provocada pela expansão da OTAN, pela intervenção norte-americana no Leste Europeu e pelo cerco contra a Rússia, a NED premia uma atuação dirigida contra o governo russo.

A religião, nesse caso, aparece como instrumento de pressão política. O objetivo não é defender a liberdade religiosa, mas destacar setores que possam servir à campanha imperialista contra a Rússia.

A NED também premiou três cubanos presos: Félix Navarro, Luis Manuel Otero Alcántara e Maykel Castillo Pérez. A fundação apresenta os três como presos políticos e artistas dissidentes que desafiaram o controle do governo cubano sobre a expressão pública.

A premiação segue a tradição norte-americana de financiar e promover grupos de oposição em Cuba. Desde a Revolução Cubana, os EUA mantêm bloqueio econômico, sabotagem e campanhas permanentes contra a ilha. A NED entra nesse esquema como uma fachada civil para a mesma política.

O discurso sobre liberdade de expressão serve para encobrir o essencial: os EUA não aceitam a existência de um país pobre, a poucos quilômetros de seu território, que não esteja subordinado aos seus interesses.

Outro premiado é o Centro Sírio de Comunicação e Liberdade de Expressão. A NED afirma que a organização ajudou sírios a “recuperar o direito de ser ouvidos” depois de cinco décadas de “ditadura”, documentando abusos e pressionando novas instituições do Estado.

A Síria foi destruída por uma guerra alimentada pelo imperialismo e pelas sanções impostas pelos Estados Unidos. Nesse quadro, a escolha de uma organização síria pela NED não tem nada de inocente.

Na Etiópia, a premiada foi a publicação Addis Standard, elogiada por sua cobertura de conflitos internos, mesmo diante de restrições de acesso e repressão estatal.

Na Birmânia, o prêmio foi para organizadores comunitários da chamada Revolução de Primavera. O país asiático é outro alvo permanente das organizações norte-americanas que atuam em nome da “democracia”, isto é, contra a China.

O presidente do conselho da NED, Peter Roskam, declarou que o “anseio por liberdade” que teria fundado os EUA há 250 anos continua sendo uma das forças mais poderosas do mundo. Disse ainda que os homenageados expressam a coragem necessária para defender direitos em suas comunidades.

A cerimônia de entrega está marcada para setembro, em Mount Vernon, propriedade histórica de George Washington. O troféu é uma réplica da Deusa da Democracia, estátua erguida nos protestos da Praça Tiananmen, na China, em 1989.

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