A China colocou a sua máquina LineShine no primeiro lugar da lista mundial de supercomputadores TOP500, anunciada em Hamburgo, na Alemanha, na terça-feira (23), e ultrapassou o equipamento El Capitan, dos EUA. O resultado marcou a primeira liderança chinesa no ranking desde 2017 e mostrou avanço chinês mesmo sob restrições impostas pelos EUA ao acesso a componentes avançados.
O LineShine está instalado no Centro Nacional de Supercomputação em Shenzhen. O equipamento atingiu 2,198 exaflops, o equivalente a mais de 2 quintilhões de cálculos por segundo, desempenho cerca de 20% superior ao do El Capitan, instalado no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, que ocupava a liderança desde novembro de 2024.
A lista colocou o Frontier, do Laboratório Nacional Oak Ridge, em terceiro lugar; o Aurora, do Laboratório Nacional Argonne, em quarto; e o Jupiter, do Centro de Supercomputação de Julich, na Alemanha, em quinto. Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Itália, Países Baixos e Suíça também apareceram entre os 20 primeiros colocados.
O avanço chinês tem peso político e industrial. Jack Dongarra, professor emérito de ciência da computação da Universidade do Tennessee e um dos organizadores do TOP500, avaliou que os controles de exportação dos EUA podem atrasar o acesso chinês a certos componentes, mas também criam incentivo para desenvolver alternativas internas. O desempenho do LineShine indica investimento em grande escala e integração entre equipamentos e programas.
O sistema chinês tem uma característica particular: funciona inteiramente com unidades centrais de processamento (CPU), sem depender de unidades de processamento gráfico (GPU), mais usadas em tarefas de inteligência artificial. Segundo a lista, é o primeiro e único sistema a superar 2 exaflops com desenho baseado apenas em CPU.
O TOP500 é publicado duas vezes por ano desde 1993 e mede o desempenho por meio do teste LINPACK, que avalia a velocidade para resolver sistemas densos de equações lineares. O método continua influente, mas não representa sozinho toda a capacidade tecnológica de um país. Centros privados de inteligência artificial, por exemplo, nem sempre participam.
Ainda assim, a ultrapassagem tem valor político por mostrar o fracasso das sanções norte-americanas em frear o desenvolvimento da China. Durante anos, os EUA usaram restrições de exportação para tentar conter a capacidade chinesa em computação avançada. O novo resultado mostra que tais barreiras podem acelerar a busca por autonomia tecnológica. Ao tirar dos EUA o posto de máquina mais rápida, a China reforça sua posição na disputa por ciência, indústria e processamento de alto desempenho.





