O Partido da Causa Operária iniciará a 55ª Universidade de Férias em Sorocaba, no sábado (27), com programação prevista até 5 de julho. A atividade terá como tema A História do Irã e da República Islâmica e será ministrada por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República. O encontro ocorrerá em conjunto com o acampamento de férias da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).
A edição será realizada em um espaço de 150 mil metros quadrados, a cerca de duas horas do centro de São Paulo. O local possui ampla cozinha, chalés, área de acampamento, piscina semiolímpica, quadra de vôlei, quadra poliesportiva e campo de futebol. A estrutura será usada para reunir militantes, filiados e amigos do PCO vindos das cinco regiões do país. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.
A Universidade de Férias é uma das principais atividades de formação do PCO. Realizada há mais de duas décadas, desde as primeiras edições no fim dos anos 1990, combina estudo político, organização coletiva e convivência militante. Arrecadação, recrutamento, montagem de equipes, cozinha, limpeza, disciplina comum e programação diária integram a formação dos participantes.
O tema escolhido corresponde à situação política internacional. O Irã ocupa posição central no enfrentamento à dominação dos Estados Unidos no Oriente Médio e, por isso, é alvo permanente de campanhas da imprensa ligada ao grande capital. A apresentação da República Islâmica como regime atrasado e agressivo oculta seu papel na resistência regional contra os Estados Unidos e “Israel”.
O curso tratará da história do desenvolvimento da região ao longo da história, da dominação britânica, da ditadura do Xá Mohamed Reza Pahlavi, da atuação da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), do Serviço Secreto de Inteligência do Reino Unido (MI6), do Mossad e da polícia política Savak e dos principais acontecimentos que levaram à Revolução Iraniana de 1979 e à construção da República Islâmica, que são justamente os temas principais desta edição.
Um dos pontos centrais será o golpe de 1953 contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq. A derrubada de Mossadeq ocorreu depois da nacionalização do petróleo iraniano, antes controlado pela Anglo-Persian Oil Company, atual British Petroleum (BP). A operação foi organizada pela CIA e pelo MI6 para restaurar o poder do Xá e preservar o controle imperialista sobre a principal riqueza natural do país.
A origem dessa disputa remonta à concessão de 1901, assinada entre o Xá Mozaffar al-Din Shah Qajar e o capitalista britânico William Knox D’Arcy. O contrato concedeu exclusividade sobre a exploração do petróleo persa por 60 anos, em troca de apenas 16% dos lucros para o governo local. A descoberta de petróleo em 1908 e a formação da Anglo-Persian Oil Company em 1909 consolidaram o domínio britânico sobre o setor.
Em 1913, sob influência de Winston Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado, o governo britânico tornou-se acionista majoritário da empresa. O petróleo iraniano passou a ser considerado questão estratégica para a Marinha britânica para substituir o carvão. A partir daí, o Reino Unido passou a ser ao mesmo tempo protetor diplomático, acionista e grande cliente da empresa.
O curso também abordará a Revolução Constitucionalista persa de 1906, que estabeleceu o Majlis, o parlamento persa, e tentou limitar o poder absoluto da monarquia Qajar. O processo foi interrompido pela intervenção imperialista. Em 1907, Reino Unido e Rússia dividiram a Pérsia em zonas de influência, preservando o controle britânico no sul, onde estava o petróleo, e a influência russa no norte.
A Revolução de 1979 retomou, em outro patamar, a luta pela soberania iraniana. Ao derrubar a monarquia do Xá, o povo iraniano pôs fim a um regime sustentado pelas potências imperialistas e colocou o país em confronto direto com os Estados Unidos e “Israel”. A tomada da embaixada norte-americana em Teerã expôs documentos que comprovaram a intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos do Irã.
A confirmação oficial da CIA sobre o golpe de 1953 só veio em 2013, seis décadas depois. O Reino Unido nunca reconheceu formalmente seu papel, embora documentos e depoimentos, como o do agente Norman Darbyshire, tenham confirmado a participação britânica na Operação TP-AJAX. Para o PCO, estudar esse processo é indispensável para compreender por que o Irã se tornou um dos principais inimigos do imperialismo.
A 55ª Universidade de Férias acontece em um momento de agravamento da crise no Oriente Médio. O material de formação do PCO aponta que o assassinato do líder Ali Khamenei pelos Estados Unidos e por “Israel”, em 28 de fevereiro de 2026, abriu nova etapa da ofensiva contra a região. A República Islâmica aparece como um dos principais pontos de apoio da resistência regional. Ao estudar sua história, o partido prepara seus militantes e apoiadores para intervir em uma das questões centrais da política mundial.





