Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), comentou, em entrevista à TV 247 nesta sexta-feira (19), o caso envolvendo o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, nas denúncias relacionadas ao Banco Master.
Questionado por Leonardo Attuch se Wagner deveria se afastar do governo, Pimenta afirmou que qualquer medida desse tipo, antes da defesa do senador, significa um pré-julgamento. O presidente do PCO destacou que não tem simpatia política por Wagner, a quem classificou como sionista, mas defendeu que o senador tenha direito de responder às denúncias.
“Eu sempre acho que a pessoa tem direito à defesa. Se ele for afastado ou se ele for pressionado a se afastar, é um pré-julgamento. Acontece muito em política. O pessoal faz muito isso e é uma maneira, uma tentativa de manipular o público. Agora, o que está em jogo aí não é apenas o problema do Jaques Wagner. É importante, com certeza, para ele. Ele tem o direito de se defender.”
Pimenta afirmou que, se uma situação semelhante ocorresse no PCO, o Partido não adotaria uma punição imediata contra o acusado. Para ele, a posição correta seria aguardar a defesa.
“Não é uma figura que eu considero que deveria estar inclusive num partido de esquerda, ele é sionista e tal. Mas eu reconheço que ele tem o direito de defesa. O normal seria, por exemplo, se fosse no PCO, a gente não tomaria nenhuma medida. Esperaria que o cidadão se defendesse.”
Apesar disso, o dirigente do PCO reconheceu que as denúncias já causaram dano político ao governo Lula. Segundo Pimenta, o caso deve ser explorado pelo bolsonarismo, principalmente depois do desgaste provocado pela divulgação de conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e André Vorcaro.
“Vai ter um impacto, não há dúvida nenhuma. Vamos ver como é que o bolsonarismo vai explorar esse fato. Eu acredito que vai explorar muito. Eles estão aí numa luta para desfazer a má impressão que ficou com a conversa do Flávio Bolsonaro com o Vorcaro.”
Burguesia ataca Lula e Bolsonaro
Para Pimenta, o caso Banco Master deve ser entendido dentro de uma crise mais ampla do regime político. A burguesia, segundo ele, ainda não se definiu de maneira firme nem por Lula nem por Bolsonaro. Por isso, ataca os dois lados e procura enfraquecer os principais candidatos.
“A burguesia visivelmente não se definiu por nenhum dos dois candidatos. Ela está atacando livremente os dois. Eu acho que a burguesia não se definiu, mas uma coisa ela já tem certa: nenhum dos dois candidatos vai chegar muito forte no final da eleição. Pode ganhar, mas não vai ser forte.”
O presidente do PCO afirmou que a direita e os grandes capitalistas trabalham com duas hipóteses. A primeira seria derrubar tanto a popularidade de um dos candidatos principais que uma candidatura da terceira via pudesse aparecer como alternativa. A segunda seria fazer com que o vencedor da eleição chegue tão enfraquecido que possa ser dominado pelo regime político.
“Eles trabalham com duas hipóteses. Uma é que algum candidato caia tão baixo que dê para substituir esse candidato por um candidato da terceira via. Isso é improvável, mas não é impossível. Outra hipótese é que o candidato vai chegar tão enfraquecido que vai ser tranquilo dominar esse candidato. Ele vai governar o país com muita dificuldade.”
Polícia Federal e bancos
Pimenta também criticou a atuação da Polícia Federal no caso. Para ele, os vazamentos e as operações não são neutros, mas parte de uma disputa política ligada aos interesses dos grandes bancos.
“O caso Vorcaro é um caso de interesse do grande capital brasileiro, particularmente dos bancos. Seria muita ingenuidade achar que juízes, promotores, Polícia Federal e etc. não estão agindo em função desses interesses políticos. Eu acho que ele está atrás de fechar uma brecha que os bancos consideram muito perigosa, que apareceu com esse André Vorcaro.”
Segundo Pimenta, o Banco Master abriu uma crise que envolve setores importantes do regime. Por isso, o caso não deve desaparecer rapidamente. Para o dirigente do PCO, a disputa deve se prolongar até a eleição.
“Está uma queda de braço muito firme. A princípio, se eu tivesse que apostar, apostaria nos bancos, que são muito poderosos. Agora, não está parecendo que vai ser fácil. Está parecendo bastante difícil e vai acontecer muita coisa daqui para a eleição. A crise vai continuar.”
Pimenta afirmou ainda que o escândalo expressa o esgotamento do regime político brasileiro. Ao comentar a possibilidade de um acordo para abafar o caso, disse que, com ou sem acordo, o problema já expõe a podridão do regime.
“Acordão ou não acordão, isso daí é um perigo para o regime político. Para a população, mostra que é um regime podre.”
Jaques Wagner e o PT
Ao tratar da reação negativa de setores da base petista contra Jaques Wagner, Pimenta afirmou que a impopularidade do senador dentro do PT não se explica apenas pelas denúncias de corrupção. Para ele, o fato de Wagner ser sionista pesa muito em sua rejeição.
“Eu acho que a impopularidade do Jaques Wagner tem muito a ver com o fato de ele ser sionista. Eu não sou do PT, mas eu seria favorável a ele ser expulso do PT por isso. A corrupção, eu acho que é outra história. Isso daí tem que ter um processo.”
Pimenta afirmou que a permanência de setores como o de Wagner no PT mostra a adaptação de uma parte importante do partido à burguesia, particularmente no caso da Bahia. Para ele, a esquerda não deve se iludir com governos apresentados como conquistas populares quando, na prática, governam em acordo com os capitalistas locais.
No fim da entrevista, Pimenta avaliou que o caso Jaques Wagner, a crise do Banco Master, a ofensiva judicial e a instabilidade eleitoral são partes de um mesmo processo: o aprofundamento da crise política nacional.





