Em 25 de agosto de 1941, tropas britânicas e soviéticas invadiram simultaneamente o Irã. A União Soviética entrou pelo norte, invocando o Tratado de Amizade Russo-Persa de 1921. O Reino Unido avançou pelo sul, alegando a necessidade de proteger a refinaria de Abadã, controlada pela Anglo-Iranian Oil Company. Em poucas semanas, o Xá Reza Pahlavi foi deposto e enviado ao exílio. Seu filho, Mohamed Reza Pahlavi, assumiu o trono.
A Universidade Marxista realizará, entre os dias 27 de junho e 5 de julho, o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A invasão anglo-soviética de 1941 e o período de abertura política que se seguiu serão tratados em aula por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
A operação foi apresentada pelos invasores como uma medida militar da Segunda Guerra Mundial. O Irã de Reza Pahlavi havia se aproximado da Alemanha nazista ao longo dos anos 1930. Em 1940, a Alemanha era o principal parceiro comercial do país, responsável por 42% do comércio externo iraniano. Existiam milhares de alemães trabalhando no Irã, muitos deles em áreas ligadas à infraestrutura, às Forças Armadas e à indústria.
Com o início da Operação Barbarossa, em junho de 1941, a União Soviética passou a afirmar que a presença alemã no Irã representava uma ameaça militar direta. Segundo a justificativa soviética, o território iraniano poderia ser utilizado pela Alemanha nazista contra a União Soviética. O Reino Unido, por sua vez, alegava que a presença alemã colocava em risco seus interesses petrolíferos, em particular a refinaria de Abadã, então a maior do mundo.
O tratado usado pela União Soviética
A entrada soviética no Irã foi justificada com base no Tratado de Amizade Russo-Persa de 1921, assinado entre o governo soviético e o governo persa. O acordo estabelecia que a União Soviética poderia enviar tropas ao território persa caso uma força estrangeira hostil utilizasse o País como base contra o território soviético.
20 anos depois, essa cláusula foi utilizada para justificar a entrada de tropas no Irã. A diplomacia soviética apresentou a presença alemã no país como ameaça prevista pelo tratado.
O Reino Unido, por sua vez, agiu para defender seus interesses petrolíferos. A Anglo-Iranian Oil Company controlava a principal riqueza do Irã e fazia da refinaria de Abadã uma instalação decisiva para a política britânica no Oriente Médio. Para o governo britânico, a possibilidade de crescimento da influência alemã sobre o Irã ameaçava diretamente essa posição.
Queda do Xá Reza Pahlavi
A invasão levou à expulsão dos cidadãos alemães do território iraniano e à derrubada de Reza Pahlavi. O Xá foi enviado primeiro à Ilha Maurício e depois à África do Sul, onde morreu em 26 de julho de 1944. Seu filho, Mohamed Reza Pahlavi, assumiu o trono aos 21 anos.
O novo Xá não tinha a autoridade política do pai. Sua permanência no trono dependia, naquele momento, da correlação de forças criada pela ocupação britânica e soviética.
Presos políticos são libertados
O efeito político imediato da ocupação foi a libertação de vários presos políticos. As restrições impostas pela ditadura de Reza Pahlavi foram suspensas. Pela primeira vez em duas décadas, tornou-se possível organizar partidos, publicar jornais de oposição, realizar comícios e discutir publicamente os problemas nacionais.
Entre os libertados estavam militantes comunistas perseguidos nos anos 1930. Esses militantes formaram o núcleo do Partido das Massas do Irã, conhecido como Partido Tudeh, fundado em 1941. A organização tinha orientação comunista e relações políticas com a União Soviética.
O Tudeh cresceu rapidamente. Passou a ter influência entre operários, intelectuais e estudantes, tornando-se uma das principais forças políticas do País no período aberto pela queda de Reza Pahlavi.
Mossadeq volta à cena política
A reorganização política do Irã apareceu nas eleições parlamentares de 1944, para o 14º Majlis. O partido monarquista obteve 33 cadeiras. Em segundo lugar, surgiu o agrupamento liderado por Mohamed Mossadeq, com 30 deputados. O recém-criado Tudeh conquistou seis cadeiras e passou a atuar no Parlamento.
Mossadeq voltava à política nacional em condições muito diferentes daquelas em que havia sido perseguido por Reza Pahlavi. Ligado à tradição da Revolução Constitucionalista de 1906, o dirigente nacionalista contava, em 1944, com 62 anos e grande prestígio político.
Ainda naquele ano, Mossadeq apresentou ao Majlis uma lei que proibia qualquer funcionário do governo de negociar concessões de petróleo com governos ou empresas estrangeiras. A medida recebeu apoio dos setores mais politizados da sociedade iraniana, inclusive dos comunistas do Tudeh, que combatiam a ingerência imperialista no País.
A proposta foi a primeira grande investida parlamentar contra o controle estrangeiro sobre o petróleo iraniano. Sete anos depois, Mossadeq liderou, como primeiro-ministro, a nacionalização do petróleo, enfrentando diretamente o imperialismo britânico.
Preparação para 1953 e 1979
As tropas britânicas e soviéticas deixaram o Irã em maio de 1946, conforme acordo estabelecido durante a guerra. Mas os serviços de inteligência das potências continuaram atuando no País. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Irã tornou-se um dos centros da Guerra Fria, com os Estados Unidos assumindo papel cada vez maior na atuação imperialista contra o nacionalismo iraniano.
O período aberto em 1941 foi decisivo para a história posterior do país. O Tudeh organizou núcleos operários comunistas em ampla escala. A Frente Nacional de Mossadeq elaborou um programa nacionalista em torno da nacionalização do petróleo. As mesquitas mantiveram sua capacidade de organização e os clérigos xiitas ampliaram sua intervenção política.
O golpe de 1953, organizado pela CIA e pelo imperialismo britânico, esmagou essa experiência de liberdade política. Os militantes formados no período anterior foram perseguidos, presos, torturados pela SAVAK e lançados à clandestinidade. Ainda assim, a experiência política acumulada entre 1941 e 1953 não desapareceu.
Em 1979, a Revolução Iraniana retomou, em novas condições, a luta contra a dominação imperialista que havia se desenvolvido desde a abertura política provocada pela queda de Reza Pahlavi.
O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.






