O acadêmico norte-americano Norman Finkelstein afirmou, em entrevista ao Diário Causa Operária, que bilionários judeus norte-americanos financiam campanhas de perseguição, censura e listas negras contra críticos do Estado de “Israel”.
De acordo com dados do Pew Research Center, os judeus constituem o grupo étnico-religioso de maior poder aquisitivo e nível educacional dos Estados Unidos. Mais da metade dos adultos judeus americanos (53%) declara renda familiar anual superior a 100 mil dólares, em comparação com menos de 30% da média da população geral do país. Além disso, 26% dos integrantes da comunidade judaica nos EUA registram rendimentos anuais acima de 200 mil dólares, o que garante ao grupo uma representação maciça em cargos de alta gerência, conselhos universitários, direções de hospitais e no mercado editorial.
Finkelstein explicou que a estrutura de intimidação montada em solo norte-americano contra opositores da guerra em Gaza não é coordenada ou financiada diretamente pelo governo de “Israel”, mas sim por grandes doadores e magnatas judeus baseados nos próprios Estados Unidos. Esse contingente utiliza seu capital econômico para exercer pressão institucional e estrangular financeiramente vozes dissidentes.
O autor citou como exemplo as táticas de humilhação pública e destruição de carreiras adotadas após o início dos protestos universitários. Caminhões equipados com telas de LED foram contratados para circular pelos bairros de estudantes pró-Palestina exibindo fotos de manifestantes sob o rótulo de “terroristas”. Paralelamente, listas nominais de estudantes foram compiladas e enviadas a grandes escritórios de advocacia para garantir o veto sumário a contratações futuras, enquanto médicos foram demitidos de hospitais após publicações críticas em redes sociais devido à pressão de financiadores dessas instituições.
Finkelstein sustenta que o uso do poder financeiro para punir a liberdade de expressão está transformando a natureza da hostilidade aos judeus. O dicionário define o “antissemitismo” como um ódio irracional, ou seja, um preconceito que carece de base factual ou causal. No entanto, o cientista político argumenta que a retaliação econômica promovida por bilionários judeus gera uma reação social de natureza distinta.
Segundo o intelectual, quando um cidadão perde o emprego, tem sua carreira acadêmica bloqueada ou é ameaçado de deportação por interferência direta de grandes doadores de uma determinada etnia, a indignação e o ressentimento resultantes deixam de ser uma resposta irracional. Trata-se, conforme sua análise, de uma reação causal direta a um ato de coerção econômica real.
‘Israel’ é o Estado mais antijudaico do mundo, diz Norman Finkelstein





