O Plantão Irã desta quarta-feira (17), programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), destacou a entrevista exclusiva com o cientista político norte-americano Norman Finkelstein, autor de A Indústria do Holocausto. O programa, inaugurado em 17 de março, vai ao ar todos os dias, às 16 horas, no canal da COTV.
Com apresentação de Victor Assis e participação de Pedro Burlamaqui, o programa tratou da importância política da entrevista, exibida às 19 horas na COTV. Finkelstein, filho de judeus sobreviventes dos campos de concentração nazistas, é uma das principais vozes internacionais contra o sionismo e contra o uso da memória do Holocausto para justificar os crimes do Estado de “Israel”.
Victor Assis destacou que Finkelstein demonstra, em sua obra, como o sionismo utiliza o sofrimento judaico durante a Segunda Guerra Mundial para blindar o Estado de “Israel” das críticas.
“Ele que é filho de pai e mãe judeus que sobreviveram aos campos de concentração nazista. E é autor do livro A Indústria do Holocausto, onde demonstra que os sionistas utilizam a memória do Holocausto para se blindar das críticas ao Estado de Israel”, disse.
A farsa sobre o 7 de outubro
Um dos pontos principais do programa foi a análise de Finkelstein sobre o 7 de outubro de 2023. Segundo Pedro, o acadêmico afirmou que a propaganda sionista sofreu um desgaste decisivo depois do início do genocídio em Gaza. A tentativa de apresentar a ação da resistência palestina como “o maior massacre de judeus desde o Holocausto” perdeu força diante da brutalidade dos crimes cometidos pelo exército israelense.
“Ele destacou que, para ele, foi a primeira vez em que esse mecanismo se esgotou, no sentido de que era uma coisa tão grotesca que o sionismo abandonou esse negócio de apelar para o Holocausto”, explicou Pedro.
Victor Assis afirmou que as principais mentiras espalhadas pelo sionismo depois do 7 de outubro foram desmontadas ao longo da guerra.
“Logo quando acontece o 7 de outubro, o sionismo dispara uma série de mentiras, assim, do arco da velha, e hoje você não ouve mais falar delas. Então, essa história aí do maior massacre de judeus desde o Holocausto, só um articulista ou outro, muito canalha, muito cretino, que utiliza isso daí, mas você não vê mais. Aí tem a famosa história dos bebês decapitados. Também não ouço mais falar em nenhum lugar.”
Para Assis, a derrota dessa propaganda ajuda a explicar o aumento da repressão contra os defensores da Palestina. Ele citou o próprio Finkelstein, que denunciou a ação de organizações sionistas contra estudantes norte-americanos que participaram de acampamentos em defesa de Gaza.
O Estado mais anti-judaico do mundo
O programa também destacou a afirmação de Finkelstein de que “Israel” é o Estado mais anti-judaico do mundo. Segundo Pedro, o cientista político explica que os crimes cometidos pelo Estado sionista acabam sendo atribuídos, falsamente, aos judeus como povo, o que favorece o antissemitismo.
Victor Assis afirmou que a declaração tem peso especial por partir de um judeu cujos pais foram vítimas diretas do nazismo. Para ele, Finkelstein presta um serviço importante ao diferenciar o judaísmo do sionismo.
“Uma das coisas mais importantes, um dos serviços mais importantes que o Norman Finkelstein presta na sua propaganda é diferenciar o Estado de Israel do judaísmo. Não tem nada, nada, nada a ver. Pelo contrário, o Estado de Israel é um inimigo dos judeus.”
Assis também afirmou que essa diferenciação é fundamental porque o lobby sionista procura tratar qualquer crítica ao Estado de “Israel” como antissemitismo.
Gaza, Iêmen e Irã
Antes de comentar a entrevista, o Plantão Irã apresentou os novos números do Ministério da Saúde de Gaza. Desde o cessar-fogo estabelecido em 11 de outubro, 1.005 palestinos foram assassinados pelo exército sionista. Além disso, 3.157 ficaram feridos. Desde 7 de outubro de 2023, são 73.016 palestinos assassinados e 173.265 feridos.
Victor Assis afirmou que esses números demonstram a natureza criminosa do Estado sionista e também a sua debilidade diante da resistência palestina.
“Essa política de assassinar, massacrar civis, é uma política de desespero, uma política de quem está perdendo a guerra, de quem não tem condições de impor uma rendição ao inimigo, não tem condições de fazer com que o inimigo tenha perdas militares de fato.”
O programa também analisou a aproximação entre a ocupação sionista e a Somalilândia, região separatista da Somália. Pedro destacou que Israel Katz, ministro da Guerra de “Israel”, reconheceu relações de segurança entre os dois lados. Segundo a discussão do Plantão Irã, o interesse sionista está ligado à posição geográfica da Somalilândia, próxima ao Golfo de Aden e ao Estreito de Bab al-Mandeb, região estratégica diante da força do Iêmen e do Ansar Alá.
“A Somalilândia está ali bem próxima do Iêmen e, em determinadas condições, poderia ser mobilizada para entrar numa guerra contra o Iêmen ou procurar ameaçar o Iêmen. Porque o Iêmen é um país que ameaça constantemente os interesses do imperialismo e do Estado de Israel, uma vez que ele já provou ter plenas capacidades de fechar o Estreito de Bab al-Mandeb”, afirmou Assis.
Por fim, o programa tratou do cortejo fúnebre de Saeid Ali Khamenei, líder da Revolução Islâmica, assassinado pelos Estados Unidos e por “Israel” no dia 28 de fevereiro. As cerimônias ocorrerão entre 4 e 9 de julho, com passagem pelo Iraque e enterro em Machad. Segundo as autoridades iranianas, cerca de 20 milhões de pessoas são esperadas nas homenagens.
Para Assis, o funeral terá grande importância para a luta anti-imperialista.
“Acho que será um episódio importante na luta anti-imperialista, porque ele vai apresentar ao mundo inteiro a popularidade da República Islâmica do Irã e, nesse sentido, a impopularidade do imperialismo.”
O Plantão Irã encerrou convocando o público a assistir à entrevista completa com Norman Finkelstein na COTV. O programa vai ao ar diariamente, às 16 horas, em parceria com o Diário Causa Operária.





