O judaísmo existe há milhares de anos. O sionismo, por sua vez, surge no final do século XIX, quando a humanidade já havia se defrontado com os horrores do colonialismo na China, na Irlanda, na Índia, na Argélia e em tantos outros países.
Em seu surgimento, o sionismo advogava a criação de um Estado onde os judeus não seriam perseguidos. Com o passar do tempo, porém, ele se revelou a defesa de um “Estado judeu” na Palestina, terra onde já havia uma população árabe assentada havia centenas de anos.
O projeto sionista é, por definição, um projeto genocida. É a usurpação das terras palestinas, o que só pode ser feito por meio da extrema violência. É o que acontece na Palestina há mais de sete décadas.
Os sionistas trouxeram para a Palestina o mesmo que os britânicos trouxeram para a Ásia e África: pilhagens, estupros e massacres. Os britânicos colonizaram a China e a Índia sozinhos. Já os sionistas só conseguiram cometer seus crimes graças ao dinheiro, ao apoio e à proteção dos britânicos. Essa ajuda permaneceu ao longo dos anos, com a diferença de que a fatura hoje é dividida entre França, Alemanha, Japão, Estados Unidos e seus “aliados”.
Apenas de 2023 para cá, mais de 72 mil palestinos foram assassinados (3% de toda a população). Entre os mortos, mais de 21 mil crianças e mais de 38 mil mulheres. Mais de 1,7 mil médicos e profissionais de saúde foram assassinados, quase todos os hospitais de Gaza foram destruídos, bem como escolas e universidades. Mais de 450 pessoas morreram de fome, incluindo 154 menores de idade. No mesmo período, a maior máquina de guerra do mundo, os Estados Unidos, enviaram mais de 21 bilhões de dólares em ajuda direta.
Como defender tudo isso? Não há como. E é por isso que Matheus Alexandre nem sequer menciona das últimas proezas de “Israel”. Deveria ter dito aos leitores do Poder360: “sim, senhor, eu apoio o estupro de mulheres palestinas”; “sim, senhor, os palestinos são animais que merecem ser exterminados”; “sim, senhor, eu acho que todos os prisioneiros palestinos devem ser torturados”. Uma pessoa que sinceramente condene o holocausto teria obrigatoriamente que condenar o genocídio que está sendo realizado contra os palestinos e não usar um crime para ocultar outro.
Inspirado na covardia dos soldados sionistas, tudo o que o autor faz é chorar. Fala em “shoá”, em vez de “Holocausto”, para fingir que faz parte de uma comunidade oprimida que precisaria ser preservada. A “comunidade” de Matheus Alexandre é, na verdade, uma empresa de lobby ricamente financiada, a StandWithUs Brasil. Enquanto os refugiados palestinos são tratados como uma sub-raça no Aeroporto de Guarulhos, a StandWithUs investiga e delata aqueles que não compactuam com os crimes de guerra do sionismo.
Nosso autor chora porque os soviéticos teriam colocado “os povos soviéticos como as principais vítimas do nazismo”, em vez dos judeus. Apenas esqueceu de falar que o nazismo assassinou ao menos 27 milhões de eslavos, contra seis milhões de judeus. O sofrimento humano não é um patrimônio dos sionistas.
Quem é oprimido de verdade não compete para ser o mais oprimido. Quem é oprimido luta contra os opressores. “Israel”, na verdade, associa-se aos opressores, responsáveis pela era mais sangrenta da raça humana.
Antissionismo não é discriminar judeus. É se opor ao genocídio praticado por “Israel”. Judeus ultraortodoxos em todo o mundo denunciam o uso maligno de sua religião para justificar os crimes de “Israel”. O rabino antissionista Yisroel Dovid Weiss considera o sionismo o maior inimigo dos judeus, pois associa o judaísmo a algo odiado globalmente sem qualquer legitimidade.
Os judeus foram oprimidos em vários países europeus durante séculos e foram massacrados durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, os sionistas, que dizem falar em nome dos judeus oprimidos, oprimem os palestinos. Nenhum dos fundadores de “Israel” viveu em um campo de concentração. Nenhuma vítima do nazismo implorou para que os palestinos fossem massacrados.
É por isso que toda a propaganda que o sionismo faz em torno da chamada “memória do Holocausto” é uma farsa. Não tem como função impedir novos crimes contra a humanidade. De nada serve para amparar os descendentes dos judeus que foram perseguidos. Serve apenas para blindar “Israel” de seus crimes. É essa propaganda canalha que foi apelidada de “Indústria do Holocausto” pelo acadêmico judeu Norman Finkelstein, apresentado no artigo como autor de um moderno Protocolo dos Sábios de Sião!. Ele, ao contrário do “fundador” de “Israel”, Davi Ben-Gurião, é filho de judeus que sobreviveram aos campos de concentração.
Matheus Alexandre choraminga por causa de uma suposta “cartilha” do Comitê Antissionista Soviético de 1985 que “difundia a narrativa conspiratória de colaboração entre sionistas e nazistas”. Mas não se trata de nenhuma conspiração. O Acordo de Haavara, firmado em 1933 entre organizações sionistas e o governo da Alemanha Nazista, viabilizou a emigração de 60 mil judeus alemães para a Palestina.
Depois das lamúrias, a piada. O autor acusa a esquerda revolucionária antissionista de pertencer ao mesmo “lastro histórico” que a extrema direita, em uma tentativa ridícula de associar a atual crítica de “Israel” ao fascismo. Matheus Alexandre deveria então ir a uma manifestação bolsonarista ou a um desfile do Batalhão Azov e distribuir bandeirinhas da Palestina. Ele terá uma surpresa.
Para finalizar, ao melindroso Matheus Alexandre, uma resposta de Norman Finkelstein, ao ser confrontado em um debate público com sionistas histéricas que diziam chorar pelo Holocausto:
“Eu não gosto e não respeito lágrimas de crocodilo. […] Se vocês tivessem algum coração, estariam chorando pelos palestinos, e não pelo que vocês alegam estar sofrendo.”




