O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), analisou nesta terça-feira (16) os principais desdobramentos do memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos.
Apresentado por Victor Assis, com participação de Pedro Burlamaqui, o programa destacou que o acordo em negociação representa uma derrota para “Israel”, que ficou fora das conversas decisivas entre Irã e Estados Unidos. Logo no início, Assis afirmou que o Estado sionista sai muito menor da guerra, enquanto a República Islâmica aparece como a força que impôs suas condições ao imperialismo.
Um dos pontos centrais do programa foi o Líbano. Burlamaqui destacou que o Irã deixou claro que não haverá acordo se “Israel” continuar atacando o sul libanês. O secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, enviou carta ao presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, agradecendo o apoio de Teerã ao povo libanês e à resistência.
Mesmo assim, “Israel” continuou suas agressões. Nesta terça-feira, quatro pessoas foram assassinadas em Mayfadoun, no sul do Líbano, após bombardeios contra veículos e contra civis que se aproximaram do local do primeiro ataque.
“Ao mesmo tempo em que temos essa declaração, ‘Israel’ continua a sua campanha de agressão contra o Líbano. E nessa terça-feira, assassinou quatro pessoas na cidade de Mayfadoun, no sul do Líbano, ao bombardear carros numa operação que é conhecida como double tap, toque duplo. No que consiste isso? É uma coisa tão recorrente que até mesmo tem um nome. Isso é o seguinte: eles primeiro bombardeiam uma região e assassinam um número x de pessoas. Depois desse assassinato, as pessoas, civis mesmo, vão até o local ver qual é a situação das pessoas envolvidas no ataque, ou paramédicos, o pessoal da defesa civil vai ao local ver as condições do ataque. ‘Israel’ vai lá e atinge novamente o mesmo local, assassinando essas pessoas que estavam lá”, explicou Burlamaqui.
Para Assis, os ataques não alteram a situação militar. “Israel” tenta apenas demonstrar força, mas perdeu a capacidade de impor sua vontade na região.
“São vários acontecimentos e declarações que apontam, que atestam, o fracasso total do Estado de ‘Israel’. Por um lado, tem esses ataques aí que, embora muito criminosos, embora revelem o conteúdo moral da liderança israelense, não têm efeito nenhum do ponto de vista militar. Qual que é a importância desses ataques que ‘Israel’ está fazendo no Líbano? Nenhuma. Não vai servir para acabar com a resistência libanesa, não vai amedrontar a resistência libanesa, também não vai modificar o que os civis libaneses pensam da resistência.”
O programa também tratou do Estreito de Ormuz. Segundo Burlamaqui, o fim do bloqueio norte-americano contra navios iranianos foi uma das exigências de Teerã. Petroleiros e navios de carga iranianos já voltaram a navegar pela região. Ao mesmo tempo, o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, afirmou que o Estreito de Ormuz pertence ao Irã e continuará sob sua responsabilidade.
Assis avaliou que o imperialismo tentará reverter a derrota, mas afirmou que o acordo já demonstra a força do Irã.
“Ainda que a gente considere que a guerra vai continuar por outros meios, nós não podemos deixar de sinalizar a vitória espetacular do Irã que significa esse acordo de cessar-fogo. É uma vitória porque, ainda que não se resolva por completo a contradição, ela demonstra ao mundo inteiro que o Irã tem capacidade de se defender, que o Irã não vai se dobrar ao imperialismo.”
A crise sionista também apareceu nas críticas da própria imprensa israelense. O jornal Yediot Ahronot denunciou a dependência de “Israel” em relação aos Estados Unidos, enquanto o Canal 12 informou que o governo de Netaniahu pediu a revisão do memorando entre Washington e Teerã, mas foi recusado.
Para Assis, a dependência não é um erro ocasional, mas a própria base de existência do Estado sionista.
“‘Israel’ tem uma população que acho que não chega nem a 10 milhões de pessoas. É um país econômico totalmente artificial, não tem economia. Depende totalmente do imperialismo para existir, depende economicamente, depende militarmente, depende no sentido da propaganda também. Não tem o que fazer. É triste para ‘Israel’, estamos muito tristes por você, mas é isso, você não tem poder nenhum.”
Na parte final, o programa comentou a estreia do Irã na Copa do Mundo, em empate por 2 a 2 contra a Nova Zelândia. O principal destaque, porém, foi a manifestação da torcida iraniana, que ergueu cartazes com a palavra “Minab” e o número 168, em homenagem às meninas assassinadas pelos Estados Unidos no bombardeio contra uma escola na cidade iraniana.
Assis lembrou que os Estados Unidos dificultaram a presença de torcedores iranianos ao revogar a cota de ingressos da Federação Iraniana de Futebol. Para ele, a manifestação em território norte-americano demonstra a força política da Copa do Mundo.
“A Copa do Mundo, nesse sentido, é um elemento importante de politização e a esquerda pequena-burguesa que despreza a Copa do Mundo, ela se revela completamente incapaz de organizar a classe operária.”





