Análise da 3ª

Rui Pimenta: se Neymar estivesse em campo, Brasil teria ganhado

Presidente do PCO afirmou que decisão da Justiça italiana sobre Carla Zambelli expôs os abusos do STF

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou, nesta terça-feira (16), durante o programa Análise da 3ª, da Rádio Causa Operária, que a decisão da Justiça italiana contra a extradição de Carla Zambelli foi um “choque de realidade” para a esquerda brasileira.

O programa, que vai ao ar todas as terças-feiras, abordou a crise do Judiciário, o caso Daniel Vorcaro, a situação eleitoral, a campanha da imprensa contra a Seleção Brasileira, a crise na CBF e a vitória do Irã sobre o imperialismo.

Segundo Pimenta, a decisão italiana expôs aquilo que o PCO denuncia há anos: os processos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra bolsonaristas são marcados por arbitrariedades. Para ele, a esquerda que apoiou essas perseguições ajudou a fortalecer um regime judicial de exceção.

“O que aconteceu na Itália é um choque de realidade para a esquerda brasileira. Eu digo a esquerda porque os elementos de direita, como o próprio Alexandre de Moraes e outros ministros do STF, a Rede Globo, que apoiaram essas coisas, apoiaram cinicamente. Eles sabem que é um absurdo. A esquerda, não. Alguns dirigentes apoiaram também cinicamente, porque são favoráveis à perseguição judicial contra os bolsonaristas. Mas é uma coisa que até um aluno de primeiro ano de Direito sabe: não se pode ter um inquérito, um julgamento, em que a mesma pessoa é juiz e parte ao mesmo tempo.”

Pimenta afirmou que os processos do 8 de janeiro tiveram julgamentos coletivos, acusações falsas e penas desproporcionais. Ele comparou a situação atual a outros episódios, como o Mensalão e a Lava Jato, que, segundo ele, transformaram o Judiciário em uma “monstruosidade política”.

O dirigente também citou o processo movido pelo Ministério Público de São Paulo contra ele e contra o PCO por declarações sobre a Palestina. A ação pede o cancelamento das redes sociais do Partido e uma indenização de R$240 milhões.

“Pediu que todas as redes do PCO fossem canceladas, o que configuraria censura prévia. E pediu uma reparação financeira de 240 milhões de reais. É uma loucura, é uma coisa anômala a ação do Judiciário. Depois desse último processo contra os bolsonaristas, vivemos assim na terra de ninguém. Tudo é possível.”

Delação premiada é ‘monstruosidade’

Ao comentar o caso Daniel Vorcaro, Pimenta criticou duramente a delação premiada. Para ele, o mecanismo foi usado pela Lava Jato como instrumento de coação.

“Esse mecanismo jurídico da delação premiada é outra monstruosidade. Foi introduzido pelo Sérgio Moro no inquérito da Lava Jato. E naquele momento foi uma verdadeira peça de extorsão, de coação e tortura das pessoas que estavam acusadas. A gente tem que falar que isso não teria que existir. Nós temos que ser contra a delação premiada.”

Segundo Pimenta, o caso Vorcaro mostra uma queda de braço dentro do próprio aparelho de Estado. A investigação, afirmou, deveria ser colocada “às claras”.

O presidente do PCO também defendeu que ministros citados em processos não deveriam participar dos julgamentos e afirmou que juízes deveriam ser eleitos e ter mandato fixo.

Terceira via continua no jogo

Pimenta também analisou as pesquisas eleitorais. Para ele, o grande capital ainda tenta construir uma alternativa que não seja nem Lula nem Bolsonaro.

“É óbvio que a política do grande capital é justamente essa política de encontrar a terceira via. As declarações e as pesquisas mostram que o pessoal ainda não abriu mão dessa terceira via.”

O dirigente confirmou que sua pré-candidatura à Presidência da República está firme. Sobre Flávio Bolsonaro, afirmou que o debate principal deveria ser a política econômica do bolsonarismo, que já aparece como uma política neoliberal.

Imprensa faz campanha contra a Seleção

A Copa do Mundo também foi tema do programa. Pimenta criticou a campanha da imprensa contra a Seleção Brasileira após o empate com Marrocos. Para ele, o resultado foi fraco, mas não justifica o clima de catástrofe criado contra o Brasil.

“Eu não vi nada demais. Tudo bem, o ideal seria que ganhasse o jogo contra o Marrocos. Deu para perceber durante o jogo que a Seleção Brasileira é bem superior à seleção do Marrocos. Não ganhou porque não estava efetivamente bem organizada.”

Pimenta afirmou que Neymar poderia ter feito diferença, pois o problema principal da seleção foi a armação no meio de campo.

“Se o Neymar estivesse em campo, o Brasil teria ganhado, com certeza. A armação da jogada no meio de campo era o ponto mais fraco da Seleção. O Brasil empatou por deficiência na organização do time. Só isso. Tem que corrigir.”

Para Pimenta, há muita política na campanha contra o Brasil. Ele lembrou que setores que defendiam a contratação de um técnico estrangeiro agora atacam Carlo Ancelotti.

“Agora é a Copa. O negócio agora é ganhar a Copa. Então vamos torcer para que o técnico faça o serviço dele. Só espero que os brasileiros não deem importância à imprensa. Porque, se a Seleção Brasileira der importância ao que diz a imprensa brasileira, nunca vai ser campeã.”

STF e CBF

O programa também tratou da crise na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e das disputas internas envolvendo setores ligados ao STF. Pimenta criticou a presença de ministros em conflitos desse tipo.

“É uma coisa impressionante que ministro do STF esteja envolvido com tanta coisa estranha. A princípio, não poderia estar envolvido nisso. Ele é um juiz. O juiz teria que estar isento, teria que estar fora desse tipo de coisa. Esse pessoal está metido em tudo. O STF parece um polvo, com vários tentáculos.”

Para ele, a situação demonstra o perigo de concentrar tanto poder em um tribunal.

Irã derrotou o imperialismo

Na parte final do programa, Pimenta comentou as negociações entre Estados Unidos e Irã. Segundo ele, a proximidade de um acordo confirma que o Irã saiu vitorioso do enfrentamento.

“A proximidade desse acordo confirma aquilo que nós falamos desde o começo: que o Irã saiu vitorioso nesse enfrentamento com o imperialismo. Os jornais de ‘Israel’ falam de maneira muito negativa do acordo, como sendo uma grande derrota. Principalmente porque ‘Israel’ não foi nem chamado para a mesa de negociações.”

Pimenta afirmou que a derrota é significativa do ponto de vista histórico, embora ainda seja necessário acompanhar os efeitos imediatos do acordo.

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