Estados Unidos

De que adiante derrotar Trump e apoiar o imperialismo?

A esquerda pequeno-burguesa é inimiga de Trump, mas amiga das democracias liberais, aquelas que apoiam e financiam o genocídio em Gaza

Donald Trump

O artigo Uma eleição à sombra de Trump, de Israel Dutra, publicado no sítio Revista Movimento na quarta-feira (10) apresenta  presidente norte-americano como o fascista a ser evitado, uma mera desculpa para ter apoiado, no passado, os candidatos democratas.

No entanto, o fascista Trump foi amplamente apoiado pelos países “democráticos” que até auxiliaram no bombardeio ao Irã. As críticas só vieram depois, quando os iranianos impuseram uma derrota colossal ao imperialismo e ao Estado genocida de “Israel”.

Segundo o artigo, “a eleição de outubro, que já começa a ser discutida entre o povo, será atravessada pela ingerência de Trump, encarnado pelos representantes locais da extrema direita, preferencialmente os Bolsonaro.” Apenas se esquece de dizer que houve uma ingerência anterior, e muito maior, ditada pelo imperialismo: a prisão e inelegibilidade de Jair Bolsonaro (PL), condenado em um julgamento-farsa.

Para o autor, “o tarifaço, o ataque ao Pix e a articulação das big techs são os exemplos mais gritantes de como já se manifesta essa ingerência. Há um salto na necessidade de defender a soberania nacional. E na necessidade de articular uma pauta internacional comum para resistir.”

O tarifaço é parte de uma guerra comercial, aplicado a inúmeros países, e a pressão ao Pix diz respeito aos interesses do capital norte-americano. Quanto às empresas de tecnologia, agem conforme os interesses da burguesia e do imperialismo em geral. Inclusive aplicando a censura, coisa que essa esquerda tanto preza, pois supostamente combate o “discurso de ódio”, a “misoginia” e outras invencionices.

É interessante o parágrafo que diz que “a foto que Flávio Bolsonaro tirou com Trump é a ilustração de algo mais profundo: há uma disputa de projetos, de sentido e de política que opõe a extrema direita versus um vasto campo democrático. E se expressa na disputa eleitoral, com Lula buscando uma reeleição, ameaçada pela resiliência e articulação da extrema direita, com um forte apoio do imperialismo americano.” – grifo nosso.

A expressão “vasto campo democrático” diz tudo. É a política de se juntar até com setores do “democráticos” da direita, e até do imperialismo, a exemplo do que fizeram nas últimas eleições, quando tentaram compor com João Doria e outros direitistas, como o MBL.

Valério Arcary, também do PSOL, chegou a dizer que, para combater o fascismo, a esquerda deveria passar para o campo das democracias liberais, mais conhecido como imperialismo.

É por isso que criticam a China, que, apesar de sancionada e tendo sua integridade territorial ameaçada, é tratada como um país imperialista. O que está expresso no trecho que diz há uma “disputa interimperialista [dos EUA] com a China”.

Tal afirmação apenas comprova a falência teórica pela qual passa boa parte da esquerda. Além da falência programática que a leva a aderir à democracia liberal.

Em vez de denunciar a fraude nas eleições peruanas, onde há uma verdadeira ingerência em andamento, o artigo diz que “nesse momento, a disputa apertadíssima na eleição peruana divide águas, com a filha do ex-ditador Fujimori e o candidato da esquerda, Roberto Sanchez, disputando voto a voto”. Quem lê, fica com a impressão de que o processo ali é democrático.

Dutra escreve que “a defesa da soberania nacional e dos direitos de quem trabalha são os grandes temas da eleição. A vitória na câmara que significou a aprovação do fim da 6×1 indicou uma fortaleza da luta popular, central para disputa eleitoral e para colocar a extrema direita na defensiva.”

Se a extrema direita está em alguma defensiva, é resultado da pressão da direita e do grande capital, não dessa esquerda, que só sai às ruas quando a rede Globo chama.

Não se pode afirmar que exista uma “fortaleza da luta popular”, a aprovação do fim da escala 6×1 foi quase que por unanimidade, a esquerda não fez nada, não houve luta. Portanto, a atitude mais razoável é que se acendam todas as luzes de alerta, pois a burguesia não vai dar nada de graça para os trabalhadores.

Existe ainda outra questão, o Senado vai alterar tudo o que puder na proposta, de modo que essa esquerda está comemorando cedo demais.

O teor da matéria é meramente eleitoral, prepara os militantes para aceitarem acordos com o “vasto campo democrático”, ou direita; faz sua propaganda sobre conquistas, que, na verdade, não aconteceram.

Apesar de todos os fogos queimados na véspera, o penúltimo parágrafo diz que “é preciso preparar uma campanha-movimento, “a quente”, com base em elementos programáticos e tarefas, a começar pela pressão total sobre o Senado para aprovar definitivamente o fim da escala 6×1. Naquela casa reacionária, Damares, Alcolumbre e outros buscam desmantelar o projeto, respondendo aos patrões. Com plano de lutas e pressão popular, devemos lutar para que se aprove na íntegra o projeto que passou na câmara.”

Como se vê não conseguiram nada, mas ainda assim o autor escreve que “é hora de aproveitar a simpatia que cresce nas ruas e redes pelo PSOL para lutar para superar os limites do PT, mesmo quando caminhamos em unidade eleitoral”.

O autor chama para a derrota de Trump e deixa de fora as democracias que apioam e  participam do massacre do povo palestino. Um apoio velado ao imperialismo.

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