Centenas de manifestantes realizaram um protesto diante da Comissão Eleitoral Central (CEC) da Armênia contra o resultado das eleições parlamentares no país. Os partidos de oposição denunciam fraude generalizada, exigem a anulação da votação e afirmam que as autoridades eleitorais se recusaram ilegalmente a recontar votos em seções decisivas.
No domingo (14), a CEC anunciou o resultado final das eleições. O partido governista Contrato Civil, do primeiro-ministro Nikol Pashinian, recebeu 49,74% dos votos. O bloco Armênia Forte, fundado pelo bilionário russo-armênio Samvel Karapetian, ficou em segundo lugar, com 23,27%. A Aliança Armênia, do ex-presidente Robert Kotcharian, obteve 9,92%.
O partido Armênia Próspera recebeu 3,98% dos votos, ficando por uma diferença mínima abaixo da cláusula de barreira de 4% exigida para entrar no parlamento. A entrada do partido poderia alterar a composição política da Assembleia Nacional e fortalecer o bloco oposicionista.
Os três principais partidos de oposição têm posição crítica à aproximação com a União Europeia e defendem relações mais estreitas com a Rússia, que continua sendo o principal parceiro comercial da Armênia e seu fornecedor dominante de energia. A disputa eleitoral, portanto, ocorre em meio à pressão do imperialismo para afastar o país do governo de Vladimir Putin.
Enquanto a Comissão Eleitoral Central processava os resultados e analisava pedidos de recontagem, militantes do Armênia Forte, Armênia Próspera e outras organizações se reuniram diante da sede do órgão. A manifestação ocorreu pacificamente, sob forte presença policial.
Os representantes dos partidos de oposição boicotaram a sessão da CEC. Eles denunciam que o presidente da comissão, Vahagn Hovakimian, atua como homem do partido governista dentro do órgão eleitoral. Durante a saída de integrantes do Contrato Civil do prédio da comissão, manifestantes gritaram “vergonha”.
A CEC recontou os votos de 637 seções eleitorais, de um total superior a 2.000. No entanto, recusou a recontagem em três seções específicas, sob o argumento de que isso não alteraria o resultado geral. A recusa provocou novas denúncias da oposição, que classificou a decisão como ilegal.
O Armênia Próspera foi uma das forças que mais insistiram nos protestos. Sua entrada no parlamento depende de poucas dezenas de votos. Em uma manifestação anterior, representantes do partido denunciaram “truques aritméticos” da comissão e entregaram a Hovakimian tintas, pincéis e papel, em uma ironia contra a fabricação dos resultados eleitorais.
As denúncias de fraude foram acompanhadas por uma ofensiva repressiva contra a oposição antes, durante e depois da eleição. Em 6 de junho, véspera da votação, seis candidatos do Armênia Forte foram presos sob denúncias de compra de votos e lavagem de dinheiro. Durante a eleição, dezenas de militantes também foram detidos.
Após a votação, as autoridades armênias abriram processos criminais contra mais de 100 pessoas, a maioria por supostos crimes eleitorais. O gabinete do ex-presidente Robert Kotcharian, dirigente da Aliança Armênia, informou ainda que ele foi proibido de deixar o país, sem que as autoridades apresentassem explicação.
O próprio Pashinian adotou um tom abertamente ameaçador contra seus adversários. O primeiro-ministro declarou que a próxima tarefa política do governo será, “no sentido literal”, privar os candidatos oposicionistas a primeiro-ministro de suas propriedades.
Desde que chegou ao governo, Pashinian tem conduzido a Armênia para uma aproximação cada vez maior com a União Europeia e os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que enfraquece os laços históricos do país com a Rússia. Essa política levou a Armênia a uma situação de maior dependência diante do imperialismo europeu e norte-americano.
A crise aberta pela votação mostra que o governo Pashinian não conseguiu estabilizar o país. Ao contrário, a denúncia de fraude, a recusa em recontar votos em seções contestadas e a perseguição aos opositores aprofundam a crise política na Armênia e expõem a impopularidade da União Europeia.





