Muitos ficaram frustrados com o empate da Seleção Brasileira com o Marrocos. Mas a verdade é que o futebol é assim mesmo.
Cito o exemplo da estreia contra a Croácia, em 2014, aqui no Brasil. A Deleção começou atrás também, inclusive com um gol contra do Marcelo. Depois, nós fizemos uma Copa onde chegamos mais longe. Olhando mais para trás, em 1994, nós não começamos empatando, mas empatamos com a Suécia na fase de grupos. Aquela foi a melhor geração sueca que o Brasil pegou, tirando a de 58 que disputou a final. A Seleção teve trabalho na semifinal, ganhamos só de virada, em um aperto que quase me fez morrer do coração aos 9 anos de idade. Marrocos é uma seleção forte, mas o resultado final não é nenhum desastre.
O Brasil tem uma qualidade técnica individual tão grande que tem condições de montar uma seleção A, uma B e uma C, e todas elas entrariam como favoritas para a Copa do Mundo. Talvez seja o único país do mundo que consiga fazer isso daí. Para vários jogadores que entraram em campo, esta foi a primeira Copa do Mundo que estão disputando.
Individualmente, o Vinícius Júnior era muito questionado na seleção porque diziam que ele não jogava o que jogava no Real Madri, mas nos amistosos e nesse primeiro jogo ele mostrou o seu valor. O que faltou contra a Croácia na última Copa, mais para o final do jogo quando levamos aquele gol, foi justamente a malandragem de parar a jogada com uma falta tática.
O meio-campo hoje não funcionou muito bem, o Paquetá não se achou com o Rafinha. É nessas horas que o Neymar faz falta jogando por dentro e pensando o jogo, uma característica que ele tem demonstrado inclusive no Santos.
A tese da supremacia europeia desmorona diante da realidade. O técnico da Itália, o Gattuso — que foi um grande meio de campo —, passou as eliminatórias reclamando que a África tinha vagas demais na Copa do Mundo. O resultado? A Itália ficou de fora de mais uma Copa. É a terceira Copa consecutiva que a Itália assiste pela televisão, já que ficou de fora em 2018 e em 2022, quando foi eliminada vergonhosamente pela Macedônia do Norte.
Sobre os outros jogos, o México estreou muito bem, ganhando por 2 a 0, e os gringos conheceram o árbitro Wilton Pereira Sampaio, que foi eficiente demais e expulsou três na partida: um latino e dois africanos em pouco tempo. Vi até um meme engraçado dizendo que o Trump tinha contratado o Wilton Pereira para trabalhar na ICE (serviço de imigração americano), porque o cara expulsou três estrangeiros de uma vez só. Já os jogos de República Checa contra Coreia do Sul e Bósnia contra Canadá foram tenebrosos, embora a Coreia do Sul tenha mostrado um futebolzinho interessante. No nosso grupo, Haiti e Escócia se enfrentam.
Não poderia deixar de prestar nossa homenagem ao zagueiro Brito, que faleceu de pneumonia justamente no dia da estreia da Copa, no México — o mesmo país onde ele se sagrou campeão em 1970. Brito jogou a Copa de 66, foi ídolo de Flamengo, Vasco, Botafogo e Internacional, sendo o legítimo xerife daquela defesa.
Aproveito para repudiar a campanha caluniosa e vergonhosa que essa nova série de televisão faz contra o João Saldanha, o homem que organizou aquela seleção de 70 que saiu do Brasil debaixo de vaias no Morumbi. Saldanha respondeu aos críticos da imprensa escrevendo a famosa “cobrantina”, lavando a alma contra quem dizia que Jairzinho não era ponta ou que o Brito não sabia dominar uma bola.
Essa identidade popular com o futebol eu vivi de perto quando fui a Santos, na Vila Belmiro, no velório do Pelé. A fila era gigantesca, ia até a praia, e tinha gente voltando para a fila mais de uma vez. Eu estava lá com a bandeira do Comercial de Ribeirão Preto e acabei entrevistado ao vivo pelo repórter do SBT. Comprei uma camisa oficial com um ambulante na rua e guardo essa lembrança. Para a próxima sexta-feira, às 10 horas da manhã, contra o Haiti, eu não quero saber de jogo difícil: eu aposto em uma goleada do Brasil.





