A imprensa iraniana divulgou detalhes de um possível memorando de entendimento entre o Irã e os EUA, na sexta-feira (12). O rascunho prevê alívio de sanções, liberação de ativos iranianos congelados, retirada de forças norte-americanas no entorno do Irã, fim do bloqueio naval e exclusão do programa de mísseis das conversas, enquanto o governo iraniano rejeita pressões dos EUA sobre sua política de defesa.
O texto divulgado por veículos iranianos apresenta o memorando como base para redução da escalada militar e retomada de negociações. Entre os pontos centrais estão o compromisso dos EUA com a suspensão de sanções contra o Irã, a liberação de recursos iranianos bloqueados no exterior e a retirada de forças militares norte-americanas posicionadas nas proximidades do país. Também está prevista a reabertura do Estreito de Ormuz e o encerramento de medidas de bloqueio naval.
O Irã, por sua vez, rejeita incluir seu programa de mísseis nas discussões. A exclusão desse tema é apresentada como condição importante do rascunho, já que os EUA e aliados tentam há anos associar o programa nuclear iraniano, a política regional e a capacidade de defesa do país em um único pacote de exigências. O memorando divulgado pela imprensa iraniana separa essas questões e concentra a negociação em sanções, ativos financeiros, presença militar e garantias ligadas ao conflito.
A divulgação ocorre em um ambiente de versões contraditórias sobre as tratativas. Autoridades e veículos ligados aos EUA apresentaram leituras mais duras, sugerindo que o Irã teria de fazer concessões amplas no campo nuclear e aceitar um regime de inspeções. A versão iraniana, ao contrário, destaca compromissos norte-americanos e preserva pontos considerados estratégicos pelo Irã. Essa diferença indica que o memorando ainda é objeto de disputa política e diplomática.
O tema dos ativos congelados é um dos pontos mais sensíveis. O Irã exige a liberação de recursos retidos no exterior como parte de qualquer entendimento real. Sem esse ponto, autoridades iranianas já indicaram que não haveria acordo possível. O levantamento de sanções sobre petróleo e transações financeiras também é central, pois afeta diretamente a economia iraniana e a capacidade do país de comercializar seus produtos.
Ainda não há confirmação de assinatura definitiva. O que existe é a circulação de um rascunho de entendimento que pode abrir caminho para negociações técnicas posteriores. Mesmo assim, a divulgação do memorando mostra que o Irã busca apresentar publicamente suas condições e impedir que os EUA imponham uma versão unilateral do acordo. Ao tornar os pontos conhecidos, o governo iraniano reforça que alívio de sanções e liberação de ativos são exigências mínimas, não concessões secundárias.





