Irã

Mãe de criança assassinada pelos EUA escreve a presidente da FIFA

O menino Makan Nasiri era a única vítima cujo corpo não havia sido recuperado. A mulher falou em nome das mães enlutadas de Minab

A mãe de Makan Nasiri, menino de 7 anos bombardeado e morto enquanto estava na sua escola em Minab, escreveu uma carta ao presidente da Federação Internacional de Futebol (FIFA), Gianni Infantino. A carta foi divulgada quando a Copa do Mundo de 2026 começou nos EUA, no México e no Canadá, mais de 100 dias depois do ataque que matou ao menos 168 crianças.

Makan Nasiri era a única vítima cujo corpo não havia sido recuperado. A mãe, falando em nome das mães enlutadas de Minab, dirigiu-se a Infantino para questionar o sentido da paz proclamada pela FIFA diante de uma Copa disputada em território dos EUA. O menino gostava de futebol e, no dia do ataque, saiu de casa com o uniforme escolar, tênis claros e um agasalho esportivo azul na mochila, porque teria aula de futebol.

A carta relata a rotina interrompida de uma criança que saiu para a escola e nunca voltou. O sábado era o dia favorito de Makan porque havia aula de futebol. A mãe afirma que restaram apenas um sapato, o agasalho azul e a lembrança do riso do filho. Ao falar ao presidente da FIFA, ela questiona se a entidade consegue ouvir a voz de uma criança desaparecida sob os escombros.

O texto não se apresenta como uma manifestação de raiva, mas como o apelo de uma mãe que não pôde enterrar o próprio filho. A mãe descreve o mundo de Makan como o de uma criança ligada a uma bola, a um pátio e aos sonhos simples de viver e crescer. Ao mesmo tempo, contrapõe essa imagem à guerra, às bombas dos EUA e ao uso do futebol como discurso internacional de paz.

A carta também liga a dor das mães de Minab à seleção iraniana que disputa a Copa. A mãe lembra uma tradição cultural de derramar água atrás de quem parte em viagem para que retorne em segurança. Ela diz que o filho saiu para a escola e não voltou, enquanto as mães do Irã enviam seus jogadores ao mundo esperando que eles retornem vivos e seguros.

O caso se torna uma acusação política contra a FIFA e contra os EUA em um momento de grande visibilidade internacional do futebol. A entidade apresenta a Copa como celebração entre povos, mas a carta aponta a contradição entre o discurso de paz e a morte de crianças por bombas norte-americanas e “israelenses”. A presença da Copa nos EUA amplia o peso da denúncia, pois o país anfitrião é parte direta no ataque que matou Makan e inúmeras crianças.

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