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Plantão Irã: acordo com EUA expõe crise de ‘Israel’

Programa analisou a negociação entre Irã e Estados Unidos e a desmoralização do regime sionista

O Plantão Irã desta sexta-feira (12) analisou a possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Apresentado por Victor Assis e comentado por Pedro Burlamaqui, o programa também tratou da crise de “Israel”, da situação do Líbano e de Gaza e do papel dos Emirados Árabes Unidos como base de apoio ao imperialismo no Oriente Próximo.

Logo no início, Pedro destacou a visita secreta de Jair Golan, dirigente do partido Democratas de “Israel” e oficial da reserva do Exército sionista, aos Emirados Árabes Unidos. Golan se reuniu com autoridades emiradenses sem comunicar oficialmente o governo israelense.

Para Victor Assis, a aproximação entre autoridades israelenses, norte-americanas e os Emirados revela uma tentativa dos Estados Unidos de preparar uma alternativa diante da crise de “Israel”.

“‘Israel’ está indo lá ensinar como ser um país policial a serviço do imperialismo. Esse é o papel de ‘Israel’ durante toda a sua existência. É um aparato de guerra, um aparato de repressão aos povos árabes. Ele foi constituído para isso. É por isso que o imperialismo promoveu a expulsão dos palestinos de sua terra para formar essa aberração, que é o Estado de ‘Israel’. E é isso que o imperialismo, diante da crise do sionismo, está buscando fazer nos Emirados Árabes Unidos”, afirmou.

O comentarista destacou que os Emirados Árabes Unidos são um país artificial e que sua posição no Golfo Pérsico tem importância militar direta contra o Irã. Segundo ele, os Estados Unidos procuram transformar o país em uma base subordinada aos seus interesses militares, principalmente diante da desmoralização do Domo de Ferro e da incapacidade de “Israel” de conter os ataques da resistência.

Outro assunto tratado foi a integração militar entre os Estados Unidos e “Israel”. Burlamaqui mencionou a aprovação, no Comitê das Forças Armadas do Senado norte-americano, de uma medida que amplia a cooperação militar entre os dois países. Assis rejeitou a tese de que “Israel” controla os Estados Unidos e afirmou que o regime sionista depende totalmente do imperialismo norte-americano.

“Os Estados Unidos, se quiserem acabar com ‘Israel’, bastaria fecharem a torneira. Parou de entrar dinheiro norte-americano em ‘Israel’, acabou-se aquilo ali. Não tem condições de ‘Israel’ se sustentar. São bilhões e bilhões todos os anos enviados de ajuda para ‘Israel’, das mais diversas formas, por meio de armamentos, por meio de emendas do próprio Estado norte-americano, por meio da transferência de capital das próprias empresas norte-americanas. Sem isso, ‘Israel’ não consegue se sustentar”, declarou.

O programa também tratou de Gaza. Pedro citou declaração de Hassem Qassem, porta-voz do Hamas, que denunciou a expansão da chamada linha amarela imposta pela ocupação sionista, os ataques contra a população e o deslocamento forçado de palestinos. Segundo Victor, os últimos anos de guerra desmascararam a propaganda sionista contra a resistência palestina e explicam o avanço da censura nas redes sociais.

O assunto principal, no entanto, foi a possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Pedro destacou declaração do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, segundo a qual o Memorando de Entendimento de Islamabade “nunca esteve tão próximo”. O governo iraniano, porém, afirmou que nenhuma decisão final foi tomada e que os detalhes serão divulgados no momento adequado.

Assis avaliou que a movimentação diplomática confirma uma tendência já indicada no programa: o imperialismo procura encerrar a guerra diante das dificuldades militares, econômicas e políticas, enquanto “Israel” tenta sabotar qualquer acordo.

“A tendência geral que a gente estava vendo é de que, primeiro, o imperialismo queria o fim da guerra. Segundo, as ações mais agressivas de ‘Israel’ no último período eram, segundo a avaliação da própria imprensa imperialista, uma tentativa de melar o acordo, de sabotar o acordo. Saiu aquele vazamento da conversa do Trump com Netaniahu, que já demonstrava que havia uma crise entre os dois. Netaniahu se opondo ao acordo de cessar-fogo, Trump querendo o acordo”, afirmou.

Para o comentarista, os Estados Unidos não conseguem sustentar por muito mais tempo o esforço de guerra contra o Irã. A pressão econômica provocada pelo fechamento de Ormuz e a crise interna do governo Donald Trump empurram o imperialismo para uma saída negociada. Ao mesmo tempo, o Irã demonstrou que está preparado para responder militarmente e que não confia nos Estados Unidos.

O Líbano também foi discutido. Pedro citou declarações de Hassan Fadlallah, deputado libanês do Hesbolá, que rejeitou as afirmações do governo libanês de que o Irã estaria usando o país como moeda de troca. Segundo Fadlallah, o Irã rejeita qualquer acordo que não inclua o fim da agressão israelense contra o Líbano.

Victor classificou a posição iraniana como revolucionária e internacionalista, afirmando que o Irã compreende que a libertação de seu próprio país depende de uma luta geral contra o imperialismo. Para ele, essa política se expressa no apoio ao Líbano, à Palestina e aos demais povos que enfrentam a dominação imperialista.

Na parte final, o programa comentou uma pesquisa publicada pelo jornal israelense Maariv, segundo a qual metade da população de “Israel” avalia que o poder de dissuasão do regime sionista diminuiu após as guerras recentes contra o Irã e contra o Líbano. Para Victor, esse é um dos fatores centrais que levam o imperialismo a buscar um acordo.

“O sionismo está demonstrando ao mundo inteiro que não é capaz de conter os países à sua volta. Isso é uma desmoralização muito grande para o imperialismo. Quando se fala de desmoralização, está se falando em perda de autoridade, ou seja, perda de controle. Se o imperialismo não é temido, ele não consegue mais dominar”, afirmou.

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