Transmitido nesta quinta-feira (11), o programa Análise Internacional, produzido em parceria pelo Diário Causa Operária e pelo canal Arte da Guerra, debateu a profunda crise no imperialismo britânico, as tensões pré-insurrecionais na Bolívia e o cenário eleitoral indefinido no Peru. O programa contou com as participações do analista militar Robson Farinazzo e do presidente nacional do PCO e pré-candidato a presidente da República, Rui Costa Pimenta.
O primeiro tema abordado foi a renúncia do secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, motivada pela recusa do primeiro-ministro Keir Starmer em aplicar os fundos necessários para reformas radicais no setor. O analista militar Robson Farinazzo alertou que a decadência operacional do país europeu é severa, destacando que a situação das forças armadas britânicas está “para lá de ruim, com todos os submarinos atracados por falta de condições de navegar. O comandante explicou que o governo do Reino Unido não ofereceu o apoio logístico que o governo norte-americano desejava na guerra contra o Irã por absoluta incapacidade material, ironizando que a marinha britânica possui hoje mais almirantes do que navios de combate.
Avaliando o impacto político da demissão, o dirigente Rui Costa Pimenta considerou o governo trabalhista de Starmer praticamente liquidado devido ao imenso descontentamento popular decorrente da crise econômica. O presidente nacional do PCO projetou que novas eleições devem ser convocadas no Reino Unido e apontou o crescimento da extrema direita liderada por Nigel Farage. Contudo, o dirigente alertou que Farage atua como uma liderança conservadora tradicional maquiada, comparando-o a figuras da direita brasileira. Em relação à manipulação política, o dirigente asseverou que Farage, na essência, vai estar a serviço da política tradicional do imperialismo britânico, indicando que a ascensão dessa direita serve aos propósitos de implementar uma agenda neoliberal disfarçada de apelo popular.
Questionado sobre a fragmentação dos partidos de direita no Reino Unido, Rui Costa Pimenta explicou que as divisões ocorrem porque a legenda principal não representa uma verdadeira extrema direita, tratando-se de um truque organizado pelo chamado Estado Profundo britânico.
A situação latino-americana ganhou destaque com a denúncia do ex-presidente boliviano Evo Morales sobre um pacto secreto entre o atual governo da Bolívia e os Estados Unidos para a privatização de riquezas estratégicas como o lítio e terras raras. Rui Costa Pimenta sublinhou que a Bolívia já se encontra em uma situação prática quase insurrecional, e que os anúncios de privatizações devem jogar gasolina na fogueira. Robson Farinazzo concordou com a gravidade da situação, lamentando que o exército boliviano tenda a se alinhar ao imperialismo e reforçando que o excesso de privatizações destrói os direitos da população, traçando um paralelo com a falência do sistema de saúde nos Estados Unidos.
Os debatedores também criticaram o projeto de estado de exceção na Bolívia, que visa conceder imunidade jurídica para a repressão policial e militar sob o pretexto de combate ao narcoterrorismo. O comandante Farinazzo apontou o espírito de gendarmeria que historicamente molda os exércitos da América Latina, voltados para combater o próprio povo em vez de focar em ameaças estrangeiras. O presidente nacional do PCO relembrou a violência da ditadura militar argentina e o subsequente fiasco na Guerra das Malvinas como prova de que forças armadas que massacram seus cidadãos perdem a capacidade de defesa nacional. O dirigente argumentou que, na realidade, os exércitos latino-americanos são uma espécie de força policial do imperialismo dentro de cada país, atuando sob um viés antipopular.
Ainda na América Latina, a análise se voltou para o Peru, que enfrenta uma apuração voto a voto após as eleições presidenciais entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. Rui Costa Pimenta criticou a ilusão da esquerda institucional que cantou vitória antes do tempo e explicou que o Peru reflete uma divisão geográfica e de classe, onde o campesinato pobre vota na esquerda e a direita se apoia na classe média urbana e nos imigrantes conservadores que vivem no exterior, incluindo os que residem nos Estados Unidos e no Brasil.
Ao final da transmissão, os participantes analisaram a escalada econômica e militar decorrente da guerra no Irã e a inflação nos Estados Unidos. O pré-candidato a presidente da República, Rui Costa Pimenta, classificou as constantes ameaças de Donald Trump de confiscar o petróleo iraniano como um jogo complicado e grotesco que alterna agressividade verbal extrema com recuos práticos. O dirigente observou que o imperialismo norte-americano enfrenta pressões internas contraditórias e uma expressiva recuperação da capacidade de combate de forças da resistência, como o Hesbolá no Líbano e as forças do Iêmen no fechamento de vias marítimas essenciais.





