Antes mesmo do início da Copa do Mundo de 2026, medidas do governo de Donald Trump já tiveram destaque em toda a imprensa.
O governo dos Estados Unidos barrou a entrada do juiz de campo Omar Artan, da Somália, que foi eleito o melhor árbitro da África no ano passado. A justificativa do é que havia suspeita de ligação dele com “grupos terroristas”, além do fato de a Somália estar na lista de países proibidos de entrar nos Estados Unidos.
A seleção da República Islâmica do Irã não recebeu vistos para 14 funcionários da sua equipe técnica e foi proibida de dormir em território norte-americano. Por causa disso, os jogadores iranianos precisam pegar um avião de volta para o México logo depois que acaba cada partida.
O jogador Breel Embolo, principal atacante da Suíça, também teve a entrada negada no começo e não viajou com o time, mas o governo liberou o visto dele depois que o caso repercutiu na imprensa. Outros profissionais, como o jogador Woodensky Pierre, do Haiti, fotógrafos do Iraque e jornalistas de países africanos e do Irã também foram impedidos de entrar. Além deles, voluntários brasileiros perderam viagens por causa da demora na entrega dos vistos.
Os times que conseguiram desembarcar nos Estados Unidos passaram por fiscalizações duras. Os jogadores do Uzbequistão foram revistados por cães farejadores de drogas e bombas logo na pista do aeroporto, antes mesmo de entrar no terminal. A seleção de Senegal passou por uma revista completa com detectores de metal assim que desceu do avião.
O jogador Aymen Hussein, do Iraque, que marcou o gol da classificação do seu país para a Copa, ficou preso no aeroporto de Chicago e foi interrogado por sete horas pelas autoridades de imigração antes de ser liberado para entrar.
Os torcedores também estão ficando de fora. Cerca de 90% dos marroquinos que já tinham comprado os ingressos para os jogos não conseguiram o visto americano para viajar. O Irã também teve cancelada a cota de 8% dos ingressos que a torcida teria direito por jogo, o que vai deixar o estádio sem o público do país.
Na parte do dinheiro, a justiça dos estados de Nova York, Nova Jérsei, Califórnia e Texas abriu uma investigação contra a Fifa. O motivo são os preços abusivos dos ingressos, que mudam de valor toda hora, e reclamações de pessoas que foram enganadas sobre o lugar exato das cadeiras no estádio. Ingressos para o jogo da final, em Nova Jérsei, chegaram a custar perto de 33 mil dólares.
Na saúde, os três países que organizam a Copa enfrentam surtos de sarampo neste ano de 2026. Já são mais de 2 mil casos nos Estados Unidos, 11 mil no México e outros registros no Canadá, além de casos de rotavírus e hepatite A.
Os dias de jogos coincidiram com um tiroteio em Ohio, protestos em San Antonio e manifestações em Nova Jérsei contra a polícia de imigração americana (ICE, na sigla em inglÊs). Existe o medo entre os torcedores de que os agentes dessa polícia aproveitem a movimentação dos jogos para prender imigrantes sem documento, principalmente perto das partidas de seleções da América do Sul, que atraem muito público.
O presidente Donald Trump foi perguntado sobre a rigidez na fronteira e a dificuldade das pessoas para conseguir o visto. Ele respondeu que o governo está trabalhando junto com as autoridades para garantir que apenas “as pessoas certas” entrem no país. Trump não quis falar sobre os jogadores e o juiz que foram barrados, e disse que esta é a Copa de maior sucesso da história porque a venda de ingressos foi a mais rápida de todos os tempos.




