O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã atacou 18 alvos militares dos EUA em bases no Oriente Próximo, na quinta-feira (11), em duas ondas de operações com mísseis e drones. Os ataques atingiram instalações norte-americanas no Kuwait e no Bahrein, além de alvos ligados à presença militar dos EUA na Jordânia. A ação foi apresentada como retaliação aos bombardeios norte-americanos contra o Irã.
As operações atingiram as bases aéreas Ali Al Salem e Ahmad al-Jaber, no Cuaite, e a base Sheikh Isa, no Barém. Autoridades iranianas afirmaram que 18 alvos foram atingidos em duas ondas. A Guarda Revolucionária também informou ataques contra instalações da base aérea de al-Azraq, na Jordânia, incluindo hangares de aeronaves e centros de comando e controle.
O ataque ocorreu após os EUA realizarem novos bombardeios contra alvos iranianos. O Comando Central dos EUA afirmou que suas forças conduziram ataques adicionais contra múltiplos alvos no Irã, descrevendo a ação como resposta àquilo que chamou de agressão iraniana. O governo norte-americano havia atribuído ao Irã a queda de um helicóptero Apache no Estreito de Ormuz, acusação rejeitada pelo governo iraniano.
A Guarda Revolucionária declarou que a operação foi resposta aos ataques dos EUA contra locais militares e de segurança em províncias iranianas, incluindo Teerã, Alborz e Hormuzgan. A força advertiu que as operações continuarão caso os EUA não interrompam seus atos hostis contra o país. A retaliação iraniana também incluiu, segundo o Exército do Irã, ataques de drones contra a Quinta Frota dos EUA no Bahrein, com alvos ligados a comunicações e radares do sistema Patriot.
Em outra frente, fontes iranianas afirmaram que embarcações que tentarem transitar pelo Estreito de Ormuz poderão ser alvejadas. A ameaça amplia o alcance econômico e militar da crise, pois o estreito é uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de petróleo. O agravamento da guerra já pressionava os preços internacionais e aumentava o temor de interrupção no transporte marítimo.
Os EUA se recusaram a admitir os danos sofridos no ataque. Em episódios anteriores, os EUA e seus aliados no Golfo afirmaram que drones e mísseis iranianos foram interceptados ou erraram seus alvos. O Irã, por sua vez, sustenta que seus ataques atingiram instalações militares importantes e que demonstram capacidade de resposta regional.
A sequência de ataques e retaliações ocorre apesar de negociações e propostas de paz terem sido discutidas por canais indiretos. O governo iraniano rejeitou alegações de Donald Trump sobre contatos diretos e afirmou que tais declarações serviriam para encobrir a tentativa de escapar das consequências da guerra. O Ministério das Relações Exteriores do Irã também acusou os EUA de minar a diplomacia ao combinar mensagens de negociação com bombardeios.
A operação contra os 18 alvos reforça a disposição iraniana de responder militarmente a ataques norte-americanos. O Irã busca demonstrar que bases dos EUA em países da região não estão fora do alcance de seus mísseis e drones. A mensagem é direta: qualquer nova agressão contra território iraniano pode ser respondida não apenas dentro do Irã, mas em toda a rede militar norte-americana espalhada pelo Oriente Próximo.



