Dia 9 de junho passado aconteceu a reunião entre a direção do Banco do Brasil e as entidades dos trabalhadores que compõem a mesa de negociação (Contraf, Contec, Anabb, AAFBB, FAABB) para tratar sobre a sustentabilidade financeira da Caixa de Assistências dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi).
O tema principal na mesa de negociação diz respeito a “necessidade de recomposição das reservas obrigatórias da Caixa de Assistência”. (Site Contraf/Cut 10/06/2026)
A coordenadora da mesa de negociações, Fernanda Lopes, que ocupa a Secretaria da Mulher da Contraf/CUT e exerce o papel de coordenadora da Comissão Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), apresentou para a direção do banco uma proposta que, mais uma vez, onera os trabalhadores, como forma de “alternativa emergencial para evitar problemas financeiros no curto prazo”. “A proposta consiste na elaboração de um memorando de entendimento que estabeleça uma contribuição transitória do Banco do Brasil e dos associados, com o objetivo de recompor as reservas da Cassi e assegurar maior estabilidade às contas da entidade”. (Idem)
Mais uma vez os tais “representantes” dos funcionários do Banco do Brasil chamam os trabalhadores a pagarem uma conta que não é deles.
O grande número de bancários doentes é o resultado direto das péssimas condições de trabalho nos setores e do constante assédio sofrido pela categoria, diante da voracidade da direção do Banco do Brasil por lucros. Além de sofrer com a falta de funcionários e o aumento considerável da carga de trabalho, a cada dia os chefes estão exigindo mais dos trabalhadores, submetendo-os ao regime de chicote para cumpri as metas cada vez mais exigentes, mesmo sem as condições mínimas para isso. Ou seja, querem jogar nas costas dos trabalhadores um aumento nas despesas com a saúde cujo culpado é único e exclusivo do banco e, mais esse ataque, conta com a colaboração da burocracia sindical e dos representantes que se encontram à frente das associações dos funcionários.
Sempre bom lembrar que esses mesmos pseudos-representantes dos trabalhadores, são os mesmo que ao longo de todas as mudanças nos estatutos da Cassi (1996, 2007, 2019), alegando a “falência” da Cassi, e apresentam as tais fórmulas de “salvação”, somente onerou os trabalhadores e livrou a cara dos patrões.
Apenas exemplificando uma delas: em 2007, com a famigerada reforma estatutária, apoiada pelas entidades dos trabalhadores, jogou nas costas da Cassi o custo com as despesas administrativas, sendo que antes disso o banco arcava com todo esse custo. Hoje as despesas administrativas em 2025 gira em torno de R$ 548 milhões, sendo que o déficit consolidado da Cassi, nesse mesmo ano, foi de R$ 425 milhões.
A Cassi foi criada pelos funcionários do banco em 1944, com o objetivo de dar assistência médica para todos os trabalhadores e seus dependentes. Muitos anos depois, em 1970, o Banco do Brasil ao invés de contratar um plano de saúde no mercado de âmbito nacional optou em patrocinar a Cassi, que já era de seus empregados, ou seja, a Cassi é um patrimônio construído pelos trabalhadores.
Em 1974 através de uma manobra na mudança da entidade, o associado passou a contribuir com 1% de seus proventos gerais, enquanto o BB contribuía com o dobro e assumiu a direção da entidade.
Em 1996, em plena era privatista de FHC (PSDB), houve uma campanha de ameaças sistemáticas por parte do banco de que a Cassi estava na iminência de uma falência, que era necessário a mudança do estatuto da entidade para sanear os problemas financeiros. Depois de muitas falsas propagandas e ameaças do fim do plano de saúde acabaram aprovando a proposta que aumentava de 1% para 3% a contribuição do funcionalismo (200% de aumento) e de 2% para 3% da patrocinadora, ou seja, do banco (50% de aumento); os funcionários que possuíam parentes como dependentes indiretos (pais, avós, tios, filhos maiores de 24 anos, etc) passaram a ter que contratar um plano específico equivalente a qualquer outro existente no mercado.
Em 2007, a propaganda naquela época pela mudança gerou uma enorme manipulação, e mesmo assim o corpo social rejeitou-a em três consultas, só sendo aprovada apenas na quarta votação e, só após intensa campanha, o novo estatuto foi “aprovado”. A mudança estabeleceu, dentre outras questões, a cobrança, a título de “co-participação”, de 10% a 30% sobre eventos de diagnose e terapia não vinculados à internação hospitalar para o associado, e o investimento por parte do banco em serviços próprios no valor de R$ 300 milhões na Cassi e passou, para a conta da Cassi, as despesas administrativas.
Em 2019, mais uma lapada nos trabalhadores, cobrança por dependente, 1% para o cônjuge/companheiro, 0,5% para filhos.
Mais uma vez a ofensiva do banco, contra um patrimônio dos seus funcionários, conta com a colaboração da burocracia sindical. É preciso dar um basta a essa política de colaboração com a classe que ataca sistematicamente as condições de vida da categoria e lutar por uma saída independente dessa burocracia através dos próprios métodos de luta da classe trabalhadora.





