O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que retomará ataques contra o Irã, na quarta-feira (10), após acusar o governo iraniano de atrasar negociações. A declaração foi feita depois de publicação na rede Truth Social, na qual Trump afirmou que o Irã teria “demorado” nas conversas e “teria de pagar o preço”. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o Comando Central dos EUA (Centcom) realizou ataques contra alvos iranianos.
Trump declarou a repórteres que os EUA atacariam o Irã “com muita força”. A fala aumentou a tensão em um conflito que já envolvia bombardeios norte-americanos, resposta iraniana contra bases dos EUA e negociações paralisadas sobre um possível acordo. O presidente também afirmou que os Estados Unidos planejavam atacar o Irã ainda naquele dia e depois avaliariam os desdobramentos relativos ao acordo.
Mais cedo, o Centcom havia informado que forças norte-americanas concluíram ataques apresentados como “autodefesa” contra alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz. A justificativa declarada foi a derrubada de um helicóptero Apache do Exército dos EUA por fogo iraniano. Os ataques atingiram sistemas de defesa aérea, estações de controle em solo e radares de vigilância.
O Estreito de Ormuz tem importância estratégica para o transporte mundial de petróleo. Operações militares nessa área elevam riscos econômicos e militares, porque qualquer ampliação do conflito pode afetar rotas marítimas, bases navais, petroleiros e países da região. A escolha de alvos próximos ao estreito mostra que os Estados Unidos buscaram atingir a capacidade iraniana de vigilância e defesa em uma zona sensível.
O Irã respondeu com ataques coordenados de veículos aéreos não tripulados (VANTs) e mísseis contra posições norte-americanas no Barém e na Jordânia. O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) atingiu a base da Quinta Frota dos EUA em Manama, no Barém, e a Base Aérea de al-Azraq, na Jordânia. Relatos indicaram sirenes de defesa aérea e atividade militar em vários pontos da região.
Na Jordânia, a base de al-Azraq abriga caças F-35 e F-15 dos EUA, além da 332ª Ala Aérea Expedicionária. Informações iranianas apontaram danos a hangares e centro de comando. Também houve registro de atividade de defesa aérea no Cuaite durante a passagem de projéteis. A resposta iraniana mostrou que instalações dos Estados Unidos em países aliados podem ser atingidas se os ataques contra o Irã continuarem.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia advertido anteriormente que forças norte-americanas deveriam deixar a região para evitar novos choques. A mensagem iraniana buscou apresentar a presença militar dos Estados Unidos como fator de instabilidade e como alvo legítimo em caso de agressão ao território iraniano.




