Oriente Próximo

Irã fecha Estreito de Ormuz após novos ataques dos EUA

República Islâmica ativou defesas aéreas no sul do país, atingiu bases norte-americanas no Golfo e denunciou nova resolução política da AIEA

A crise militar no Golfo Pérsico entrou em uma nova etapa entre quarta-feira (10) e quinta-feira (11), depois que os Estados Unidos realizaram novos ataques contra o sul do Irã e a República Islâmica respondeu com bombardeios contra instalações militares norte-americanas na região. A principal medida anunciada pelo Irã foi o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.

O Comando Selo dos Profetas, principal centro operacional das Forças Armadas iranianas, declarou que o Estreito de Ormuz está fechado para todos os navios, incluindo petroleiros e embarcações comerciais. O comando afirmou que qualquer movimento na passagem será tratado como alvo militar.

A decisão foi anunciada após novos ataques norte-americanos contra regiões do sul do Irã, incluindo áreas da província de Hormozgan. A medida representa uma escalada direta contra a presença militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e contra os países que abrigam bases norte-americanas na região.

O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) também anunciou uma operação em duas ondas contra 18 alvos militares norte-americanos. Segundo o comunicado, foram atingidas instalações nas bases de Ali al-Salem e Ahmad al-Jaber, no Kuait, e na base Sheikh Isa, no Barém. As ações foram apresentadas como resposta aos ataques contra postos costeiros, unidades de serviço, instalações de segurança e áreas próximas ao aeroporto de Bandar Abbas.

O Exército iraniano informou, separadamente, que realizou ataques com drones contra a sede da Quinta Frota dos Estados Unidos no Barém. A operação teria atingido antenas de comunicação e sistemas de radar ligados à rede de defesa antiaérea Patriot. O Exército afirmou que suas forças continuam em estado de prontidão e que as operações só serão encerradas quando a agressão for respondida.

As novas ações militares dos Estados Unidos ocorreram após uma série de explosões registradas em diferentes regiões do sul iraniano. Sistemas de defesa aérea foram ativados em vários pontos do país, incluindo áreas a oeste de Teerã, Asaluyeh e regiões costeiras da província de Hormozgan.

Explosões foram relatadas em Sirik, nas proximidades de Minab e em Bandar Abbas. A agência IRNA informou que explosões foram ouvidas em áreas próximas ao aeroporto de Bandar Abbas e a uma base da Força Aérea. A imprensa iraniana também registrou atividade militar em Quêixome, na ilha de Hengam e em outros pontos costeiros próximos ao Estreito de Ormuz.

A televisão estatal iraniana informou que cinco projéteis hostis atingiram uma localidade em Minab. Os ataques norte-americanos também teriam atingido estruturas civis, incluindo reservatórios de água no sul do país em ofensivas anteriores.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou o ataque contra a infraestrutura hídrica como “crime de guerra calculado”. A denúncia reforça a acusação de que os Estados Unidos passaram a mirar não apenas posições militares, mas também a infraestrutura vital da população.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se pronunciou sobre as ameaças contra a infraestrutura do país. Segundo ele, as instalações vitais são “a linha de vida do povo” e ameaçá-las não demonstra força, mas “fraqueza e confusão”. Pezeshkian afirmou que o Irã permanecerá firme diante de qualquer pressão ou ameaça, apoiado na unidade nacional e na capacidade de seus especialistas.

A resposta iraniana foi apresentada pelo CGRI como uma operação de retaliação à agressão norte-americana. De acordo com a PressTV, a Força Aeroespacial e a Marinha do CGRI participaram dos ataques em duas ondas, atingindo 18 alvos militares considerados estratégicos.

Quinta Frota é uma das principais estruturas do imperialismo norte-americano no Oriente Médio, responsável por operações navais no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho, no Mar Arábico e em outras áreas estratégicas.

O Comando Selo dos Profetas afirmou que a resposta iraniana obrigou os Estados Unidos a interromper a nova rodada de ataques no sul do Irã. O comando declarou ainda que a República Islâmica infligiu uma nova derrota às forças norte-americanas e que as respostas contra agressões e provocações continuarão.

O CGRI, por sua vez, afirmou que o “agressor foi punido”. O órgão também negou declarações de Donald Trump segundo as quais autoridades iranianas teriam entrado em contato direto com ele para pedir o fim dos bombardeios. A Guarda Revolucionária classificou a fala como uma “cobertura para escapar da guerra”. A agência Tasnim, citando fontes de segurança, também classificou a afirmação como falsa.

Trump havia declarado a uma correspondente da Fox News que o Irã teria ligado para ele e pedido a interrupção dos bombardeios, afirmando que os ataques “parariam em breve”. O CGRI respondeu que a fala tenta encobrir a situação militar desfavorável dos Estados Unidos diante da reação iraniana.

O fechamento do Estreito de Ormuz é a medida de maior impacto anunciada pelo Irã. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é fundamental para o escoamento da produção de petróleo de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Cuaite, Catar, Iraque e Irã.

Ao declarar o estreito fechado para navios comerciais e petroleiros, o Irã coloca pressão direta sobre toda a estrutura econômica do imperialismo na região. A medida também atinge os aliados dos Estados Unidos que servem de base logística e militar para operações contra a República Islâmica.

A Marinha do CGRI advertiu que qualquer embarcação que se aproximar do Estreito de Ormuz enfrentará uma ação decisiva. O comando iraniano afirmou que o fechamento ocorre porque a própria agressão dos Estados Unidos tornou a região insegura.

A ameaça de expansão do conflito foi reforçada por Ibrahim Azizi, presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano. Segundo ele, desta vez a guerra “não ficará limitada à região”. Azizi afirmou ainda que o número de baixas norte-americanas já seria muito maior do que Trump admite e que tende a aumentar.

Uma fonte de inteligência citada pela agência Fars declarou que qualquer ação militar contra o Irã feita por um país, seja a partir de seu território ou de seu espaço aéreo, tornará esse país um alvo legítimo para a República Islâmica. O aviso é uma advertência direta aos governos que abrigam bases norte-americanas ou permitem o uso de seu espaço aéreo em ataques contra o Irã.

A escalada militar ocorreu ao mesmo tempo em que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma nova resolução contra o programa nuclear iraniano. A resolução foi apresentada por Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha e aprovada pelo Conselho de Governadores da agência por 21 votos a favor, três contra e 10 abstenções. Rússia, China e Níger votaram contra. A Venezuela, segundo a imprensa iraniana, não pôde participar da votação.

A missão iraniana junto à ONU em Viena classificou a resolução como “falha” e “política”. Segundo o Irã, a AIEA está sendo instrumentalizada por países que promovem a guerra contra o Irã, ao mesmo tempo em que se recusa a condenar os ataques contra instalações nucleares iranianas sob salvaguardas internacionais.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.