Universidade Marxista

Walter Cutler, o embaixador rejeitado pelo Irã

Episódio levou ao escalamento das tensões entre Estados Unidos e a jovem República Islâmica, levando à posterior crise dos reféns

O dia de hoje, 11 de junho, marca o aniversário da decisão diplomática que interrompeu os canais de comunicação de alto escalão entre os Estados Unidos e o Irã no ano de 1979. A rejeição formal das credenciais do embaixador designado, Walter Cutler, ocorreu quatro meses após a queda do regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi e antecedeu a crise dos reféns em Teerã. A análise detalhada das funções anteriores do diplomata na África Central foi o principal argumento utilizado pelas lideranças iranianas para vetar sua entrada no país.

Walter Cutler serviu como embaixador dos Estados Unidos na República do Zaire entre novembro de 1975 e maio de 1979. Durante esse período, o governo do ditador Mobutu Sese Seko enfrentava crises econômicas severas e oposição interna, mantendo o controle estatal por meio de aparatos de segurança repressivos, execuções de opositores políticos e desvio de recursos públicos. Sob a liderança de Cutler, a embaixada norte-americana operou como o principal canal de viabilização de pacotes de assistência militar e financeira do imperialismo, destinados a garantir a estabilidade do governo zairense em meio à Guerra Fria.

A atuação de Cutler foi associada ao fornecimento de inteligência e à coordenação logística que mantiveram o governo de Mobutu em funcionamento. A ajuda externa norte-americana continuou a ser enviada mesmo após relatórios de organizações de direitos humanos documentarem abusos sistemáticos cometidos pelas forças armadas do Zaire contra populações civis.

A fundamentação do veto iraniano remetia especificamente aos desfechos das invasões da província de Shaba, ocorridas em 1977 e 1978. Na chamada crise de Shaba II, em maio de 1978, forças rebeldes da Frente Nacional de Libertação do Congo ocuparam o centro minerador de Kolwezi, ameaçando derrubar o governo central do Zaire. A embaixada coordenada por Cutler exerceu papel ativo na contra-ofensiva, facilitando o transporte e o suporte logístico para a intervenção de tropas paraquedistas da França e da Bélgica.

Após a retomada da região pelas forças aliadas, o exército do Zaire iniciou uma campanha de repressão interna nas vilas da província, caracterizada por saques, prisões arbitrárias e massacres de civis sob a justificativa de expurgar simpatizantes dos insurgentes. Relatórios diplomáticos da época indicavam que a manutenção de Mobutu no poder, articulada com a participação direta da representação liderada por Cutler, resultou em milhares de baixas civis e no deslocamento forçado de dezenas de milhares de refugiados para a Angola.

Na declaração oficial emitida em 11 de junho de 1979, o governo provisório do Irã detalhou os motivos políticos e de segurança para a recusa de Walter Cutler. O Ministério dos Negócios Estrangeiros afirmou que o envio de um diplomata com o histórico de Cutler na consolidação de governos autocráticos centralizados, como no Zaire e anteriormente na Coreia do Sul, indicava que a intenção não era o estabelecimento de relações diplomáticas simétricas, mas sim a monitoração e a desestabilização do processo revolucionário iraniano.

As lideranças islâmicas e os conselhos revolucionários argumentaram publicamente que a escolha de Cutler representava uma ameaça direta à soberania nacional. Havia o receio de que o diplomata utilizasse sua experiência em contrainsurgência para reorganizar os oficiais generais do exército iraniano que ainda eram leais ao Xá deposto. O Irã associou a nomeação de Cutler a uma retaliação do governo de Jimmy Carter devido às críticas do Senado norte-americano às execuções de ex-membros do regime monárquico, concluindo que o perfil do embaixador designado era incompatível com o reconhecimento da legitimidade da nova ordem política no Irã.

O estudo detalhado dos memorandos diplomáticos e das decisões estratégicas que culminaram no rompimento definitivo entre Estados Unidos e Irã compõe a estrutura de análise do curso A História do Irã e da República Islâmica. Promovido pela Universidade Marxista, o curso será minsitrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à presidência da República. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

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