O Plantão Irã, programa diário da Causa Operária TV (COTV) em parceria com o Diário Causa Operária (DCO), discutiu, nesta terça-feira (9), a escalada das provocações dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã e o Eixo da Resistência.
Apresentado por Chico Muniz, o programa contou com a participação de Pedro Burlamaqui. Entre os temas tratados estiveram a negativa de vistos a iranianos para a Copa do Mundo de 2026, os ataques israelenses contra o Líbano, a nova resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) contra Teerã, as negociações com os Estados Unidos, a derrubada de um helicóptero Apache no Estreito de Ormuz e o bloqueio anunciado pelo Ansar Alá contra a navegação israelense no Mar Vermelho.
Ao comentar a decisão do governo Donald Trump de negar vistos a torcedores, árbitros e auxiliares iranianos, Burlamaqui afirmou que se trata de “mais uma provocação do imperialismo contra o Irã”. Segundo ele, a medida ocorre enquanto a própria FIFA apresenta Trump como defensor da paz, apesar da agressão norte-americana no Oriente Próximo.
“Esse caso dos torcedores, para mim, é ainda mais grave. Você está barrando pessoas que querem movimentar a economia do seu próprio país. Acho que ainda teremos bastante surpresa nessa Copa, porque o governo Trump sabe fazer show. Enquanto ele está perdendo a guerra no Oriente Próximo, muito provavelmente fará outras medidas desse tipo para fingir que está por cima.”
O programa também abordou os bombardeios de “Israel” contra a cidade de Tiro, no sul do Líbano, que resultaram no assassinato de nove pessoas e deixaram 28 feridos. Burlamaqui destacou que o ataque ocorreu junto a uma ordem de deslocamento forçado contra moradores da cidade, de vilas próximas e de campos de refugiados.
Muniz afirmou que “Israel” tenta sabotar o cessar-fogo e atacar o Hesbolá por meio da pressão contra a população civil.
“Havia todo esse clima de que o Hesbolá estaria derrotado, mas estamos vendo que acontece o oposto. O Hesbolá está cumprindo um papel importante nesse conflito e a reação de ‘Israel’ aumenta nessa medida. O imperialismo — e o exército israelense nada mais é do que um exército cachorro do imperialismo — já demonstrou incapacidade ou dificuldade de acabar com os grupos armados da resistência.”
Outro ponto discutido foi a nova resolução apresentada por Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha na AIEA. A medida exige que o Irã forneça informações sobre suas instalações nucleares bombardeadas e seus estoques de urânio enriquecido, além de permitir o acesso de inspetores da organização. Burlamaqui lembrou que as instalações iranianas foram atacadas durante a guerra de 40 dias, sem condenação consequente da AIEA.
Para Muniz, os governos europeus participaram desde o início da ofensiva contra o Irã e agora tentam esconder sua responsabilidade.
“Essa tentativa de jogar tudo nas costas do Trump ocorre simplesmente porque a operação vai muito mal. Eles pensaram: vamos fazer com que a culpa fique com Trump para não queimar nosso filme. A política desses governos já é muito impopular. Eles estão nessa tentativa de fazer parecer que é responsabilidade toda do Trump, mas é óbvio que não é fato. Isso foi apoiado pelo imperialismo europeu desde o princípio.”
O principal tema da edição foi a derrubada de um helicóptero Apache norte-americano pelo Irã na região do Estreito de Ormuz. Segundo informações citadas no programa, o aparelho não sobrevoava águas internacionais, mas a parte do Estreito pertencente ao Irã. Trump confirmou a perda da aeronave e afirmou que os Estados Unidos precisariam responder.
Muniz afirmou que o episódio mostra o desenvolvimento da capacidade militar iraniana.
“Não existe helicóptero invencível. Isso mostra também a capacidade militar iraniana, o quanto ela se desenvolveu, o quanto ela está, neste momento, impondo dificuldades bastante sérias ao imperialismo norte-americano. Também é importante, do ponto de vista dos iranianos, demonstrar que não vão permitir essas provocações dos norte-americanos de voar com helicóptero no território deles.”
Na parte final, Burlamaqui citou o anúncio do Ansar Alá, partido que governa o Iêmen, sobre a proibição total da navegação israelense no Mar Vermelho. O comunicado afirmou: “declaramos a proibição total da navegação do inimigo no Mar Vermelho e consideramos qualquer movimento sionista como alvo militar de nossas forças”.
Também foi mencionada a declaração do comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), brigadeiro-general Esmail Qaani, sobre a formação de um novo cinturão de segurança da resistência: “do Estreito de Ormuz ao Bab el-Mandeb e do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho será estabelecido um novo cinturão de segurança da resistência”.




