Pré-candidata ao governo de SP

Izadora Dias: ‘privatização coloca o povo na miséria total’

Coordenadora do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo concedeu entrevista exclusiva ao Diário Causa Operária durante XII Congresso Nacional do PCO

No encerramento do XII Congresso do PCO, Izadora Dias, coordenadora do Coletivo Rosa Luxemburgo e pré-candidata ao governo de São Paulo, apresentou duras críticas à gestão das empresas públicas privatizadas no estado e se posicionou de forma contundente sobre as recentes polêmicas envolvendo os direitos das mulheres.

Izadora classificou a situação das empresas de energia e água em São Paulo como um “desastre total”. A pré-candidata relatou ter investigado a fundo a situação da Sabesp após receber uma cobrança abusiva em sua própria residência, constatando que o problema se tornou generalizado entre a população. Segundo os dados levantados por ela, as reclamações contra a companhia registraram um aumento de 70% desde a concretização da privatização.

Ela ilustrou o impacto social dessa mudança ao mencionar o relato de um chefe de família que precisou escolher entre comprar comida ou pagar o serviço essencial. Izadora argumentou que essa realidade empobrece a população e evidencia o fracasso da desestatização:

“Você tá no estado, na cidade mais importante do Brasil, o estado mais rico, e você tem uma população que precisa escolher entre pagar a água, que é um serviço essencial, não deveria nem ser cobrado ou cobrado muito pouco, mas você vê a população deste estado precisando decidir entre pagar a conta de água ou comer. Para mim, isso mostra (…) como a privatização não adianta, porque ela piora o serviço, e como coloca a situação da população em uma total miséria.”

Além do encarecimento das tarifas, a coordenadora destacou os riscos operacionais da Sabesp, mencionando três explosões decorrentes de serviços subterrâneos que romperam canos de gás, resultando em danos e em um caso de morte. A atuação da Enel também foi duramente criticada devido a um apagão que durou mais de uma semana no fim de ano, causando a falência de pequenos estabelecimentos e a perda de alimentos natalinos pelos cidadãos. Para Izadora, esse cenário desmistifica o orgulho da administração defendida pelos grandes empresários paulistas, que prosperam enquanto os pequenos negócios e a classe trabalhadora sofrem os prejuízos.

Ao analisar episódios recentes envolvendo o uso de banheiros femininos por “mulheres trans”, Izadora expressou uma forte oposição à linha defendida pelo que chamou de “movimento transativista”. De acordo com a dirigente, esse setor é financiado por ONGs e não representa uma pauta popular ou de direitos democráticos efetivos para as próprias pessoas trans. Em vez disso, ela sustenta que o movimento é utilizado para atacar conquistas históricas das mulheres, como os espaços reservados por sexo.

Izadora ressaltou que a separação de banheiros não é uma mera convenção, mas uma necessidade biológica e uma conquista prática das mulheres desde que ingressaram no mercado de trabalho. Ela estendeu as críticas ao próprio governo federal e ao Ministério das Mulheres por reterem uma indefinição sobre o próprio conceito de “mulher” e por evitarem termos como “mãe”, “mulher” e “grávida” em campanhas de saúde. A pré-candidata detalhou a linha ideológica de seu agrupamento político:

“O nosso coletivo, nós não concordamos com essa política, nós acreditamos que o, o nós não acreditamos em gênero, não, o gênero não é uma construção, a gente acredita que a, essa definição é baseada no sexo: mulher e homem. E, mas também a nossa questão é mais, a, acima desses problemas, né? A gente tem uma preocupação de fato com os problemas da mulher trabalhadora…”

A coordenadora enfatizou que a prioridade central do Coletivo Rosa Luxemburgo está voltada para as demandas estruturais do dia a dia da mulher trabalhadora. A luta foca no acesso universal a creches para os filhos e na reestruturação do sistema de saúde pública, o qual ela descreveu como uma “catástrofe” que sobrecarrega especialmente as mulheres, historicamente responsáveis pelo cuidado familiar.

Ao avaliar o 12º Congresso do PCO, que encerrou quatro dias de intensas atividades, Izadora fez um balanço muito positivo sobre o crescimento da militância e a expansão do trabalho internacional do partido. O evento, que levou mais tempo para ser realizado devido ao profundo envolvimento da legenda na campanha de solidariedade à Palestina, selou resoluções para fortalecer tanto a imprensa digital quanto a impressa da organização.

O ponto alto de sua fala foi a homenagem a Natália Pimenta, militante histórica falecida no ano anterior. Izadora destacou que Natália dedicou 28 anos de sua vida de forma ininterrupta à causa operária, tendo ingressado na militância aos 14 anos de idade, o que lhe garantiu a inserção meritória no programa político do Partido. A coordenadora concluiu apontando-a como um referencial a ser seguido pelas novas gerações de mulheres:

“Ela é um exemplo, principalmente para as mulheres, que devem seguir o exemplo de uma mulher que foi mãe, ela teve dois filhos, foi casada, mas mesmo assim, até o último dia da sua vida, ela se dedicou ao trabalho partidário e a preocupação dela com a situação da Palestina, com as crianças palestinas, ela estava à frente dessa luta aqui no Brasil também em defesa da Palestina.”

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