A Casa Branca alegou avanço em tratativas de paz com o Irã, na quarta-feira (3), mesmo sem uma resposta iraniana conclusiva à proposta em discussão. O presidente Donald Trump afirmou que um acordo poderia sair em poucos dias, enquanto autoridades iranianas disseram que o contato não foi rompido, mas que não houve progresso concreto.
A contradição expôs a distância entre a propaganda de sucesso apresentada pelos Estados Unidos (EUA) e a posição de cautela adotada pelo Irã, que vincula qualquer solução regional ao fim das agressões contra seus aliados e à retirada das forças de “Israel” de áreas ocupadas no Líbano.
Trump declarou no Salão Oval que o Irã estaria “muito perto” de assinar um acordo de paz com os EUA e sustentou que o ponto central das conversas seria uma promessa iraniana de não possuir, desenvolver ou comprar armas nucleares. A fala buscou apresentar a Casa Branca como condutora de uma solução diplomática, ainda que a versão iraniana indique que a negociação permanece travada e que a questão nuclear esteja fora da pauta das negociações..
O presidente dos EUA também afirmou que preferia obter um compromisso por escrito a ampliar a guerra. Ao mesmo tempo, manteve a ameaça militar ao dizer que as forças estadunidenses poderiam continuar a ofensiva por semanas. A combinação de promessa de paz e ameaça de destruição marcou a posição da Casa Branca no momento em que a região vive nova escalada.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que os contatos com os EUA não foram cortados, mas afirmou que não houve avanço nas negociações. O governo iraniano tem insistido que a guerra contra o Irã e a frente aberta no Líbano estão ligadas. Para o Irã, não há acordo estável se os ataques de “Israel” contra o Líbano continuarem e se as tropas “israelenses” permanecerem em áreas ocupadas.
No dia anterior, informações vindas do Irã indicavam que o país analisava uma proposta dos EUA para interromper a guerra, mas que não se comunicava com os estadunidenses havia alguns dias. Trump rejeitou essa leitura e disse que as conversas seguiam sem interrupção. O desencontro reforça o ponto central da crise: a Casa Branca afirma negociar uma paz em andamento, enquanto o Irã trata a proposta como insuficiente e condicionada a garantias mais amplas.
A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques sem provocação dos EUA e de “Israel” contra o Irã, e se arrasta em meio a um cessar-fogo frágil. O estreito de Ormuz, uma das principais passagens do petróleo e do gás natural liquefeito no mundo, continua afetado, o que pressiona preços de energia e aumenta o impacto internacional do conflito.
Marco Rubio afirmou no Congresso que o Irã aceitou tratar de partes de seu programa nuclear que antes recusava discutir, mas reconheceu que isso não garante um acordo. O Irã, por sua vez, nega buscar bomba nuclear e afirma que seu programa atômico tem fins pacíficos. A insistência dos EUA no tema nuclear contrasta com a exigência iraniana de incluir a guerra no Líbano e as ações de “Israel” no centro das negociações.
A nova rodada de tensão também envolveu ataques no Golfo. O Irã afirmou ter atingido alvos ligados aos EUA, enquanto o Comando Central estadunidense negou que embarcações militares tivessem sido atingidas. O Kuwait informou que ataques iranianos com drones e mísseis contra seu aeroporto internacional deixaram um morto e feridos. O Irã acusou países do Golfo de permitir o uso de sua infraestrutura pelos EUA, acusação negada pelo Kuwait.



