A Polícia de Hampshire e da Ilha de Wight divulgou imagens que mostram negligência de agentes diante de homem ferido nessa segunda-feira (1°). Os policiais britânicos algemaram Henry Nowak enquanto ele agonizava em Southampton, no dia 3 de dezembro de 2025, após uma acusação falsa de racismo. A divulgação das imagens e a condenação do assassino levaram centenas de pessoas às ruas na terça-feira (2).
Nowak, estudante de 18 anos, havia sido esfaqueado por Vickrum Digwa. Ao chegar ao local, a polícia tratou o ferido como suspeito, porque Digwa afirmou falsamente que teria sido alvo de uma agressão racista. As imagens de câmera corporal mostraram o jovem dizendo que havia sido esfaqueado e que não conseguia respirar. Mesmo assim, foi algemado. Quando os policiais perceberam a gravidade dos ferimentos, retiraram as algemas e iniciaram manobras de reanimação, mas a demora já havia provocado indignação nacional.
Digwa foi condenado por assassinato. O juiz afirmou não acreditar na alegação de que Nowak tivesse feito comentário racista. A arma usada foi uma lâmina de 21 centímetros apresentada como punhal religioso, e a associação do crime com símbolos religiosos elevou a tensão contra a comunidade sique, apesar de o próprio magistrado ter ressaltado que outros siques nada tinham a ver com o caso.
A reação popular explodiu em Southampton. Manifestantes se reuniram diante da delegacia central e parte do ato terminou em confronto com a polícia. Houve arremesso de objetos, avanço contra barreiras policiais e prisões. A revolta foi alimentada pela percepção de que a polícia era corresponsável pela morte do jovem britânico devido à flagrante negligência frente aos ferimentos dele.
O caso revelou o tamanho da crise de confiança na polícia britânica. A população viu um homem ferido ser tratado como culpado antes de receber socorro. A revolta nas ruas, portanto, não nasceu apenas de um assassinato, mas da ação de agentes do Estado que, diante de um jovem sangrando, preferiram algemá-lo a prestar socorro.





