Autoridades iranianas divulgaram, na terça-feira (2), detalhes do funeral do aiatolá Saied Ali Khamenei em Teerã, com sepultamento previsto no santuário do Imã Reza, em Mashhad. O anúncio indicou cerimônias em Teerã, Qom e Mashhad, além de medidas especiais para receber peregrinos estrangeiros. São esperados 15 a 20 milhões de pessoas somente na capital iraniana.
O vice-prefeito para Assuntos Sociais e Culturais da Prefeitura de Teerã, Mohamad Amin Tavakolizade, informou que o local de sepultamento do líder da Revolução Islâmica será o santuário do Imã Reza, conforme o testamento do aiatolá e as recomendações de pessoas próximas. O santuário, situado em Mashhad, no leste do Irã, é um dos principais centros religiosos do país e deve receber grande concentração de fiéis durante as cerimônias.
As autoridades iranianas indicaram que a cerimônia fúnebre poderá ocorrer na segunda quinzena de junho. Antes do sepultamento, Teerã deverá receber uma cerimônia de 24 horas, em formato prolongado, para permitir a participação popular. Também estão previstas homenagens em Qom, cidade de forte peso religioso no centro do país, e em Mashhad, onde ocorrerá o enterro.
O funeral foi apresentado pelas autoridades como uma cerimônia diferente das demais, porque o país se despedirá de uma figura descrita como o principal comandante da resistência contra os EUA e “Israel”. A expectativa é que a despedida reúna iranianos e peregrinos vindos de países vizinhos e regiões com forte ligação religiosa com o Irã.
Mashhad deve receber peregrinos estrangeiros de países como Paquistão, Afeganistão, Índia e Bangladesh, além da região da Caxemira. Por isso, as autoridades da província de Razavi Khorasan e o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) adotaram medidas especiais para a organização do funeral, o acolhimento dos visitantes e a segurança das cerimônias. Novos detalhes da operação devem ser divulgados pelas autoridades locais.
O aiatolá Seyed Ali Khamenei, membros de sua família e altos comandantes militares foram dados como mortos pelas autoridades iranianas em 28 de fevereiro de 2026, em um ataque dos EUA e de “Israel” contra o Irã. O episódio foi descrito por representantes da Revolução Islâmica como o início de uma guerra de 40 dias, marcada por mobilização popular e apoio às Forças Armadas.
Durante esse período, homens, mulheres e jovens de diferentes setores sociais e políticos saíram às ruas e praças do país em manifestações de apoio às forças iranianas, incluindo o CGRI, a mobilização popular dos militantes voluntários Basij e o Exército. A despedida do antigo líder é tratada como continuidade dessa mobilização nacional.
Em 8 de março, a Assembleia de Especialistas, formada por 88 clérigos, nomeou oficialmente o aiatolá Seyed Moytaba Khamenei, de 56 anos, como novo Líder da Revolução Islâmica. A sucessão ocorreu em meio ao conflito e foi apresentada como parte da continuidade da direção política e religiosa do país diante da agressão estrangeira.




