A artista palestina Marah Khaled al-Za’anin transformou sua tenda em galeria de arte no abrigo improvisado de Al-Rimal, na Faixa de Gaza, após ser deslocada de Beit Hanoun. A jovem de 18 anos passou a pintar obras sobre crianças, fome, medo, perdas e deslocamento forçado, fazendo do espaço de refúgio também um local de criação.
Marah desenvolveu sua prática artística ainda na infância. Depois de deixar Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza, passou a viver em Al-Rimal, em um abrigo improvisado. Ali, a tenda deixou de ser apenas proteção mínima contra as condições externas e passou a ser coberta por pinturas. As obras ocupam a parte interna da estrutura e formam uma pequena galeria, feita com os recursos disponíveis em meio ao deslocamento.
As pinturas retratam a experiência das crianças de Gaza diante da fome, do medo, da privação, da perda e do cansaço. A artista relaciona o pincel à memória de quem vive sob cerco e enfrenta sucessivas remoções. A arte aparece como forma de registrar a realidade da população palestina e impedir que a dor provocada pela ocupação seja apagada.
A galeria improvisada também se relaciona com as pessoas ao redor, outras famílias deslocadas e a experiência comum de perda de casa, vizinhança e rotina. Em um cenário de destruição da vida material, as imagens criadas por Marah registram sinais de infância, identidade e ligação com a terra.
A arte palestina tem histórico de presença em muros, ruas, campos, praias e espaços de refúgio. As esculturas de areia no litoral de Gaza e as manifestações urbanas citadas no contexto da obra de Marah mostram que a criação artística ocupa lugares onde a vida tenta persistir.



