Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, afirmou, no último sábado (30), durante a Análise Política da Semana, transmitida pela Causa Operária TV (COTV), que o PCO é contra a entrada de transexuais em banheiros femininos. Para Pimenta, a solução para evitar constrangimentos e agressões é a criação de banheiros individuais ou unissex.
A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a posição do Partido diante da discussão sobre transexuais em banheiros femininos. O dirigente foi questionado sobre qual solução concreta evitaria humilhação e violência contra pessoas transexuais sem desconsiderar a preocupação das mulheres.
“É você fazer um banheiro unissex, que entra uma pessoa só. É simples de solucionar esse problema. Não vejo qual é a complicação”, afirmou Pimenta.
O presidente do PCO destacou que a discussão não pode ignorar o direito das mulheres. Segundo ele, o problema da política identitária é tentar impor uma posição contra a vontade da maioria das próprias mulheres que utilizam esses espaços.
“Nós temos que pensar no direito das mulheres também. As mulheres não querem os trans no banheiro feminino. Não basta falar que é preconceito”, disse.
Para Pimenta, a crise em torno dos banheiros é resultado da própria política identitária, que transforma um problema concreto em imposição. Ele afirmou que a solução deve levar em conta a proteção de todos, sem obrigar as mulheres a aceitar uma medida que rejeitam.
“Trata-se de um problema da política identitária, chegamos em uma crise que é resultado da própria política. Querem impor uma coisa que vai totalmente contra o sentimento das pessoas. Quer dizer, é uma política de imposição, não é uma política de acordo”, afirmou.
Pimenta criticou a política dos setores identitários que, segundo ele, não escutam a posição das mulheres. O dirigente afirmou que uma política imposta dessa maneira não corresponde aos interesses dos oprimidos.
“O pessoal não quer ouvir quando as mulheres falam: nós não queremos isso. O pessoal não quer ouvir, quer impor. E se a política é de impor, é porque não é uma política dos oprimidos, é uma política dos opressores”, declarou.
Em seguida, Pimenta respondeu a outra pergunta, sobre a possibilidade de o PCO acolher a causa transexual dentro de uma “perspectiva libertadora e anti-imperialista”. O presidente do Partido afirmou que o PCO defende os direitos das pessoas transexuais, mas rejeita a “guerra cultural” em torno do tema.
“Olha, nós defendemos o direito do pessoal. O problema é que aqui não está em questão o direito. Aqui está em questão uma outra coisa, uma espécie de guerra cultural. Nós não somos favoráveis a isso. É o que levou a essa crise do banheiro. O pessoal acha que tem que impor tudo. Não tem condição de fazer isso”, afirmou.
Pimenta também ressaltou que o Partido não apoia perseguição nem discriminação contra transexuais. Segundo ele, porém, isso não significa aceitar medidas consideradas extremas ou contrárias à vontade da população.
“Você não pode fazer lavagem cerebral na população. Isso é impossível. Nesse sentido, não vamos sair por aí defendendo qualquer coisa. Agora, lógico que somos contra a perseguição, contra a discriminação, mas não dá para chegar a esses extremos. Não tem jeito”, disse.
O dirigente também foi questionado sobre a oferta, pelo sistema de saúde, de tratamentos e procedimentos necessários às pessoas que se identificam como transexuais. Pimenta afirmou que o serviço pode ser oferecido, mas ponderou que há uma ordem de prioridade no sistema público de saúde.
“Eu acho que poderia, sim, oferecer esse serviço. Agora, tudo tem uma ordem de prioridade. Eu já acho que isso daí não é uma prioridade”, afirmou.
Pimenta ainda declarou ser contrário à realização desse tipo de procedimento em crianças, ponto que, segundo ele, também aparece na defesa feita por setores identitários.
“E tem também o problema de que muita gente defende que se faça esse tipo de procedimento cirúrgico até em crianças, o que eu sou contra”, concluiu.





