Guerra no Oriente Próximo

Trump anuncia recuo em Ormuz, mas Irã mantém desconfiança total

Declarações contraditórias do presidente norte-americano expõem impasse nas negociações, enquanto a guerra segue com tensão no Golfo Pérsico, no Líbano e na Palestina

Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (29) que o bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz “será levantado”, em mais uma declaração pública sobre as negociações com o Irã. Segundo Trump, embarcações retidas na região poderiam iniciar o retorno, enquanto minas marítimas seriam removidas sob responsabilidade iraniana.

A declaração, no entanto, foi recebida com forte desconfiança pela República Islâmica. Autoridades iranianas afirmam que os Estados Unidos já anunciaram acordos inexistentes em outras ocasiões e que continuam fazendo exigências consideradas inaceitáveis, sobretudo em relação ao programa nuclear iraniano, aos ativos congelados do país e ao controle do Estreito de Ormuz.

A crise em Ormuz se tornou um dos pontos centrais da guerra desencadeada pela agressão dos Estados Unidos e de “Israel” contra o Irã. O estreito é uma das passagens marítimas mais importantes do mundo, especialmente para o transporte de petróleo.

Do lado iraniano, a posição pública é de que nenhuma concessão será feita apenas com base em promessas dos norte-americanos. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Irã não obtém concessões por meio de negociações, mas por meio de seus mísseis. Segundo ele, as negociações servem apenas para fazer o inimigo compreender essa realidade.

Ghalibaf também declarou que o Irã não confia em garantias nem promessas, apenas em ações concretas. “Não daremos nenhum passo antes que o outro lado aja primeiro”, afirmou. Para o dirigente iraniano, o vencedor de qualquer acordo é aquele que estiver mais preparado para a guerra no dia seguinte.

As declarações indicam que o Irã não pretende repetir a experiência do acordo nuclear de 2015, que, segundo as autoridades iranianas, não trouxe alívio econômico duradouro e foi abandonado unilateralmente pelos Estados Unidos. Desta vez, o Irã exige o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e a liberação de ativos soberanos congelados antes de qualquer avanço real.

Trump, por sua vez, tentou apresentar a situação como se já houvesse um entendimento amplo. Ele falou em remoção de minas, destruição de material nuclear enriquecido e abertura total do Estreito de Ormuz, inclusive sem cobrança de taxas. A imprensa regional, no entanto, destacou que o presidente norte-americano já havia anunciado anteriormente acordos que foram desmentidos por autoridades iranianas.

Enquanto as negociações mediadas pelo Paquistão continuam, o cenário militar no Oriente Próximo permanece instável. No Líbano, sirenes voltaram a soar em Nahariya, Safed e em assentamentos do norte da Palestina ocupada após lançamentos de foguetes a partir do território libanês. A Resistência Islâmica no Líbano afirmou ter atacado concentrações de veículos e soldados israelenses nos arredores de Ghandouriyeh com foguetes e artilharia.

Em resposta, aviões e veículos aéreos não tripulados (VANTs) israelenses bombardearam localidades no sul do Líbano, incluindo al-Shahabiyah, Arnoun, Blat e Mashghara. Dois soldados do Exército libanês ficaram gravemente feridos após um VANT israelense atingir um veículo na estrada entre Ibba e Nabatieh. Os ataques confirmam que a frente libanesa segue ativa, apesar das pressões internacionais para conter a resistência.

A guerra também continua atingindo duramente a população civil. Segundo informações divulgadas pela imprensa regional, “Israel” matou ou feriu, em média, 11 crianças a cada 24 horas no Líbano. O dado revela o caráter brutal da ofensiva israelense, que, como em Gaza, tem como alvo não apenas forças militares, mas toda a infraestrutura social dos países que se opõem à política imperialista no Oriente Próximo.

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