O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, na terça-feira (26), que a Universidade de São Paulo (USP) tem dinheiro em caixa e deve atender às demandas dos estudantes. A declaração foi feita durante a entrega de um conjunto habitacional em Perus, na zona norte da capital paulista. Ele disse que as reivindicações são justas, mas afirmou que a greve é assunto da reitoria, transferindo a responsabilidade para o reitor Aluisio Segurado.
O principal impasse da greve estudantil é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). O auxílio integral é atualmente de R$885,00 mensais, enquanto os estudantes reivindicam que o valor chegue ao salário mínimo paulista, de R$1.804,00. A USP propõe reajuste pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), o que elevaria o benefício para R$912,00.
Tarcísio afirmou que as universidades paulistas têm recursos em caixa e que os estudantes têm razão ao lutar por melhorias no programa de permanência. Também disse considerar justas as reivindicações relativas ao Conjunto Residencial da USP (Crusp) e aos restaurantes universitários. Ao mesmo tempo, insistiu que a universidade tem autonomia para decidir sobre o orçamento e que o governo estadual não interfere nessas decisões.
A greve já dura mais de cinco semanas e envolve reivindicações de permanência, moradia e alimentação. A situação se agravou depois da desocupação da reitoria pela Polícia Militar, em 10 de maio. O Diretório Central dos Estudantes informou que houve feridos levados à Unidade de Pronto Atendimento do Rio Pequeno. A operação policial foi repudiada por setores da universidade e por entidades estudantis.
A fala de Tarcísio abriu uma nova disputa sobre a responsabilidade pela greve e pela repressão. Antes, a reitoria indicou que não teria sido informada sobre a ação da Polícia Militar na desocupação e deu a entender que a ordem partiu do governo estadual. Agora, Tarcísio afirma que a USP tem dinheiro e que a greve cabe ao reitor.
Se a universidade tem recursos, deve atender às reivindicações de permanência. Se não tem, deve arranjar. Se o governo estadual controla a política geral de financiamento e aciona a Polícia Militar, também não pode se apresentar como parte neutra. Tarcísio e Segurado estão no centro da crise: um pela política de governo e pelo uso do aparato repressivo; o outro pela gestão direta da USP e pela condução das negociações.


