A farmácia do Centro de Saúde Santa Rosa permaneceu sem atendimento no posto, em Campinas, na quarta-feira (27). Nesta semana, o serviço funcionou apenas na segunda-feira (25) e voltou a ficar indisponível nos dias seguintes, enquanto cidadãos buscavam medicamentos fornecidos pela rede pública. O caso foi apresentado por moradores como mais um episódio de interrupção em farmácias de unidades básicas de saúde da cidade, em meio a questionamentos sobre falta de substituição de servidores afastados por problemas de saúde.
O fechamento da farmácia do Centro de Saúde Santa Rosa foi denunciado em publicações nas quais moradores relataram encontrar as portas fechadas e afirmaram que a população ficou sem acesso a medicamentos essenciais. Em uma das gravações, a vereadora Paolla Miguel (PT/SP) afirmou que a unidade havia atendido somente na segunda-feira e que a farmácia seguia sem funcionamento. A parlamentar atribuiu o problema à gestão municipal e cobrou providências para garantir a continuidade do serviço.
Outro relato, feito por Luiz Carlos Felicidade, assessor parlamentar que também se apresenta publicamente como conselheiro de saúde e liderança comunitária, informou que a farmácia ficou fechada porque funcionários estavam com problemas de saúde. Ele questionou a ausência de profissionais para substituir servidores afastados e afirmou que a paralisação de uma estrutura inteira de saúde básica por esse motivo indicaria falta de pessoal no sistema municipal.
As duas denúncias apontam para o mesmo problema: a interrupção do atendimento em uma área sensível da rede pública. A farmácia de uma unidade básica é o local onde pacientes retiram remédios de uso contínuo e medicamentos prescritos em consultas no próprio Sistema Único de Saúde (SUS). Quando o serviço fecha sem reposição imediata, usuários podem ser obrigados a voltar em outro dia, procurar outra unidade ou interromper tratamentos.
A situação também ocorre em um cenário de fechamentos temporários de farmácias em centros de saúde de Campinas. Em comunicado oficial publicado em maio, a Prefeitura informou que a farmácia do Centro de Saúde Paranapanema permaneceria fechada também na sexta-feira (8), para conclusão de obras de adequação do espaço físico, e que os usuários poderiam buscar atendimento em outras unidades da região. O aviso mostra que, desde a semana iniciada em domingo (3), a cidade já enfrentava interrupções desse tipo em unidades de saúde, ainda que por motivo diferente do relatado no caso do Santa Rosa.
No caso do Santa Rosa, o problema persistia até quarta-feira (27). A prefeitura não apresentou, até o fechamento da matéria, uma previsão de reabertura nem uma explicação oficial sobre eventual escala de substituição, remanejamento de servidores ou orientação aos pacientes que dependiam da farmácia da unidade.
O fechamento por dias de uma farmácia em centro de saúde atinge especialmente pessoas que dependem da distribuição pública para manter tratamentos. Em bairros atendidos por unidades básicas, a retirada de remédios costuma estar vinculada à rotina de consultas, acompanhamento de doenças crônicas e renovação de receitas. Por isso, mesmo interrupções temporárias podem gerar transtornos imediatos, sobretudo para idosos, pessoas com doenças permanentes e famílias sem condições de comprar os medicamentos em farmácias privadas.
A falta de funcionamento no mesmo mês de duas unidades demonstram a falha da rede municipal de manter o atendimento farmacêutico em funcionamento contínuo. Enquanto a saúde pública municipal é boicotada com cortes constantes de investimento, a cidade segue pagando regularmente a dívida pública e distribuindo isenções fiscais a grandes empresários, fora incentivos diretos.
Em 2025, Campinas pagou R$ 256,4 milhões em juros, encargos e amortização da dívida pública; deixou de arrecadar cerca de R$ 38,1 milhões em renúncias fiscais ligadas a incentivos econômicos e empresariais; e previu ao menos R$ 110 mil em incentivos diretos via FAAEMC. Somados, esses valores chegam a R$ 294,6 milhões, sem contar integralmente possíveis perdões e parcelamentos fiscais do Refis, pois a Prefeitura não apresentou dados consolidados que permitam separar quanto foi perdoado, quem foi beneficiado e qual parcela corresponde a grandes empresários. Portanto, o total real provavelmente é maior, havendo subnotificação por falta de transparência sobre o impacto fiscal do Refis.




