Nesta quinta-feira, 28 de maio, Natália Braga Costa Pimenta completaria 41 anos. Membro do Comitê Central Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), Natália faleceu precocemente no dia 22 de novembro do ano passado. No entanto, sua partida não é fruto apenas de uma fatalidade médica. Natália foi, na essência dos fatos, mais uma vítima do modelo de estrangulamento neoliberal.
Durante três longos anos, Natália enfrentou um câncer de tipo raro. O tratamento exigia medicamentos específicos, que deveriam ser garantidos por direito. Contudo, o que se viu foi a face mais cruel do Estado burguês falido: o aparato judiciário e burocrático negou e atrasou o acesso ao medicamento necessário. O remédio só foi liberado quando já não havia mais tempo hábil para a sua recuperação.
A política neoliberal, que trata a saúde não como um direito fundamental, mas como uma planilha de corte de gastos, funcionou como um carrasco, antecipando a morte de uma das mais destacadas militantes do movimento operário brasileiro.
28 anos de dedicação ininterrupta
Natália Pimenta iniciou seu trabalho revolucionário ainda muito cedo, aos 12 anos de idade, dedicando 28 anos de sua vida à libertação do proletariado.
Sua entrada na luta política coincidiu com um dos momentos mais difíceis para o movimento comunista: a ofensiva neoliberal dos anos 1990 e o refluxo operário provocado pela queda da União Soviética. Enquanto muitos capitulavam ou se entregavam ao sectarismo, Natália começou sua militância no Brasil, onde o recém-nascido Partido da Causa Operária lutava para manter viva a luta pelo socialismo. Ainda nos seus primeiros anos de militância, esteve envolvida com o desenvolvimento da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), muito importante para o desenvolvimento do próprio PCO – hoje, sem dúvida, o partido de esquerda com a direção mais jovem de todo o Brasil.
Durante mais de uma década, esteve à frente do movimento estudantil, sendo a principal liderança do Partido na Universidade de São Paulo (USP). Com um talento organizativo ímpar, organizou ocupações históricas, chegando a ser presa durante uma mobilização na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Essa imensa capacidade aglutinadora rendeu frutos desde muito cedo. Ainda na adolescência, Natália mobilizou um vasto setor da juventude para colocar de pé o Diário Causa Operária, o pioneiro e primeiro jornal diário da esquerda brasileira na Internet – e, até hoje, o único. Também marcou época entre 2008 e 2012, quando encabeçou mobilizações maciças nas universidades e assumiu a edição do jornal USP Livre, transformando a publicação no principal e mais influente porta-voz das lutas estudantis.
Natália também teve um papel central na construção e no impulsionamento do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo. À frente desse trabalho, travou uma luta ferrenha e intransigente contra o identitarismo e a ideologia decadente da burguesia. Com muita firmeza teórica ela combateu a infiltração de ideologias pequeno-burguesas que buscam dividir a classe operária, defendendo implacavelmente a política marxista de que a verdadeira emancipação da mulher está indissociavelmente ligada à luta revolucionária de todos os explorados contra o capitalismo.
No interior do Partido, Natália se destacava pela sua capacidade organizativa e seu talento com as pessoas. Graças a seu talento metódico, foi responsável por estabelecer o rigoroso sistema de células, a disciplina militante e a formação de quase toda a nova geração de quadros da organização. É praticamente impossível achar quadros partidários da sua geração ou mais novos que não foram profundamente marcados e influenciados por Natália.
A causa Palestina e o internacionalismo
Mais do que uma brilhante teórica e feroz polemista, Natália era conhecida por sua capacidade de se ligar em corpo e alma aos anseios das massas. Isso se refletiu em sua atuação como vice-presidente do Ibraspal.
Ela compreendia que a dor e a luta do povo palestino eram indissociáveis da luta do povo brasileiro. Desde o início da nova etapa da guerra em Gaza, com a Operação Dilúvio de Al-Aqsa, posicionou-se sem recuos em defesa da resistência armada palestina contra o sionismo. Sua voz era tão firme que, no aniversário de um ano do genocídio, a pressão sionista conseguiu suspender sua conta na plataforma X (antigo Twitter). Ela vibrava com as vitórias dos oprimidos e sofria com suas perdas.
Esteve na comitiva – a primeira no mundo – que visitou a direção do Hamas no Catar em 2024 e viu de perto o sofrimento desse povo nos hospitais do país que tratavam a população flagelada pelas atrocidades sionistas. Essa viagem foi o maior trabalho de conscientização sobre a Palestina feito no Brasil até hoje, cujo resultado final foi o livro O Hamas Conta Seu Lado Da História, obra fundamental que vende milhares de exemplares todo ano desde o seu lançamento.
Mesmo estando hospitalizada durante praticamente todo o ano de 2025, nunca deixou de acompanhar a Palestina, deixando de lado o próprio sofrimento.
Amanhã, Natália faria 41 anos. O neoliberalismo pode ter negado o seu direito à vida, mas não conseguiu apagar o fato de que a sua obra política segue viva em cada jovem que entra nas fileiras do Partido e em cada bandeira hasteada pela libertação dos povos oprimidos.





