Polêmica

Diferentemente do povo, a pequena burguesia é do contra

Toda Copa é a mesma situação: a Seleção Brasileira tem que enfrentar os críticos da direita e também da “esquerda”

Rei Pelé

O Brasil, referência mundial do futebol, precisa vencer seus adversários dentro e fora do campo. Além da imprensa burguesa, acostumada a atacar e desestabilizar os jogadores, há também os “analistas” pequeno-burgueses que se somam à campanha, como Bepe Damasco em seu artigo Copa do Mundo: o “me engana que eu gosto” de sempre da cobertura jornalística, publicado no Brasil 247 nesta segunda-feira (25).

Segundo Damasco, “os anos que antecederam à Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá, que já começa no mês que vem, foram de uma bagunça jamais vista na preparação de uma seleção brasileira. Da sucessão de treinadores ao entra e sai de presidentes da CBF, o Brasil colecionou vexames dentro de campo, só obtendo a classificação porque, no modelo atual das eliminatórias sul-americanas, é quase impossível ficar fora”.

Existe, de fato, muita pressão sobre a Seleção Brasileira, e esta não é a primeira vez. O esforço para desestabilizar os jogadores, inclusive com a defesa permanente de técnicos estrangeiros, é enorme.

Embora o jornalista diga que é quase impossível ficar fora da Copa, à exceção da Argentina, boa parte das seleções terminou as Eliminatórias com pontuação próxima, sendo o saldo de gols decisivo para a classificação. O que Damasco não leva em conta é a instabilidade provocada pela própria imprensa, que estimulou a sucessiva troca de técnicos e criou um ambiente permanente de crise em torno da Seleção.

A campanha contra Neymar

No Brasil, a imprensa age como se trabalhasse para os adversários. Apesar de a Seleção ser pentacampeã — e de ter sido prejudicada de maneira escandalosa em outras Copas —, a equipe nacional não tem um minuto de tranquilidade.

Para Damasco, “o tratamento dado pela imprensa esportiva à polêmica em torno da convocação ou não de Neymar é uma agressão ao bom senso e à inteligência de quem acompanha futebol”. A agressão ao bom senso, no entanto, é a perseguição a um jogador brasileiro que está entre os maiores de todos os tempos.

A esquerda pequeno-burguesa hostiliza Neymar por suas posições políticas, como se isso fosse critério esportivo. Não chega a surpreender: essa mesma esquerda hostiliza até Pelé, o maior jogador de todos os tempos e admirado em todo o mundo.

Neymar foi apelidado de “cai-cai”, mas, no Campeonato Brasileiro de 2026, é o jogador que mais recebe faltas. Outro elemento usado contra ele é a acusação de ter “vida noturna e social agitada”. Na maioria das vezes, quem repete isso apenas reproduz notícias de segunda mão. O mesmo ocorre quando o chamam de “mimado”, acusação que contrasta com os depoimentos dos técnicos que já trabalharam com ele.

Damasco afirma que “a imprensa especializada participou ativamente do movimento de pressão pela convocação de Neymar” e que, “lamentavelmente, Ancelotti acabou cedendo”, mas omite o papel da imprensa que fez campanha para impedir a convocação do jogador.

Ainda inconformado, o articulista diz que “Ancelotti vai pagar um alto preço por isso, já que, com certeza, a presença de Neymar no grupo será um fator permanente de instabilidade”. Qual instabilidade? Até onde se sabe, os jogadores da Seleção admiram e confiam em Neymar.

As favoritas do articulista

Na opinião de Damasco, a Seleção Brasileira “deve colocar as mãos para o céu se conseguir chegar às quartas de final. Seleções como França, Argentina, Espanha e Portugal, para citar apenas as melhores, estão bem à frente da nossa”.

A Espanha, apresentada como uma das favoritas, enfrentou Turquia, Geórgia e Bulgária. Na última Copa, também apontada como uma das principais candidatas ao título, venceu apenas a Costa Rica, empatou com a Alemanha, perdeu para o Japão e foi eliminada pelo Marrocos ainda nas oitavas.

Portugal, para se classificar, perdeu no returno para a Irlanda, empatou com a Hungria e venceu a Armênia por 9 a 1. A França, por sua vez, jogou contra Islândia, Azerbaijão e Ucrânia.

A Argentina, exaltada no artigo, chegou à final da última Copa e venceu nos pênaltis. A seleção argentina é forte, mas também não vive uma situação tão superior à brasileira como Damasco tenta apresentar.

Torcida contra

Damasco prossegue com as reclamações. Segundo ele, “fora o caso de Neymar, vários jogadores escolhidos estão em má fase, ou não estão jogando bulhufas. Alguns, que são quase ex-jogadores em atividade, foram chamados por Ancelotti, enquanto outros ótimos jogadores, como o centroavante João Pedro, do Chelsea da Inglaterra, que fez 15 gols na atual edição da Premier League, foram esquecidos”.

A reclamação permanente esconde o essencial: trata-se de uma posição de quem torce contra a Seleção. Em outro trecho, Damasco afirma que “só na hora em que a vaca for para o brejo” serão lembrados os erros da convocação. A empolgação do jornalista parece maior com Argentina, Portugal, Espanha e França do que com o Brasil.

Ao encerrar seu texto, Damasco diz que “nem sempre as melhores seleções conquistam Copas do Mundo. É que não se trata de um campeonato de pontos corridos, que costuma premiar os times mais fortes e regulares, mas sim de um torneio eliminatório, de tiro curto. Não é uma maratona, mas uma corrida de 100 metros rasos. Uma expulsão, um pênalti mal marcado ou um dia de azar podem mandar favoritos de volta para casa mais cedo. O Brasil pode ser hexacampeão? Sim, tem tradição e camisa. Mas, em condições normais de temperatura e pressão, seria uma grande zebra”.

Nem sempre as melhores seleções vencem. O Brasil, quando não é prejudicado pela arbitragem, tem que derrotar seus adversários e também a campanha da imprensa contra a Seleção.

No fim, é o povo brasileiro que apoia a Seleção. Talvez por isso a pequena burguesia deteste tanto a Canarinho.

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