O Exército do Sudão tomou, no domingo (24), a área de Al-Baraka, nos arredores da cidade de Al-Curmuc, no estado do Nilo Azul, perto da fronteira com a Etiópia. As forças sudanesas afirmaram ter atacado mercenários das Forças de Apoio Rápido (FAR) e consolidado novos avanços, com destruição e apreensão de veículos e equipamentos militares.
Segundo comunicado do Exército, a ação foi conduzida pela 4ª Divisão de Infantaria e por unidades de apoio. A nota afirmou que as forças regulares derrotaram os paramilitares das FAR, asseguraram a região e impuseram perdas humanas e materiais ao grupo e a aliados do Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (MPLS-N). Até a publicação das informações, as FAR não haviam comentado a versão do Exército.
A área de Al-Baraka fica em uma região sensível do estado do Nilo Azul, que faz fronteira com a Etiópia e tem histórico de conflitos envolvendo o governo sudanês e o MPLS-N. Desde 2011, a organização atua no Cordofão do Sul e no Nilo Azul, reivindicando autonomia para as duas regiões.
A guerra no Sudão começou em abril de 2023, quando divergências sobre a integração das FAR às Forças Armadas resultaram em confronto aberto. Desde então, o país enfrenta uma grave crise, com dezenas de milhares de mortos, fome e milhões de deslocados. A tomada de Al-Baraka ocorre em meio à disputa prolongada entre o Exército e as FAR pelo controle de áreas militares e rotas de circulação.
O Exército controla grandes partes do estado do Nilo Azul, mas enfrenta focos de instabilidade na região. Além das FAR, o MPLS-N mantém presença local e histórico de combate contra o governo sudanês. A afirmação militar de que aliados do MPLS-N sofreram perdas ao lado dos paramilitares indica que o confronto na área envolve mais de uma força armada.
A captura de Al-Baraka reforça a presença do Exército nos arredores de Al-Curmuc e na zona próxima à fronteira etíope. A região pode influenciar a movimentação de tropas, o abastecimento e a circulação de armas. A destruição e apreensão de veículos e equipamentos, citadas pelo Exército, indicam uma tentativa de reduzir a capacidade operacional das FAR no local.
A ausência de comentário das FAR não permite confirmar de forma independente a dimensão das perdas anunciadas pelo Exército. A guerra permanece sem acordo político, enquanto os combates seguem afetando cidades, vilas e áreas fronteiriças.





