O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (22) o envio de mais 5.000 soldados norte-americanos para a Polônia. A decisão contradiz declarações anteriores do próprio governo, que havia indicado uma redução da presença militar dos EUA na Europa, e provocou confusão entre funcionários do Pentágono, segundo a Associated Press.
A medida foi anunciada por Trump em sua conta no Truth Social. O presidente norte-americano vinculou o envio das tropas à eleição de Karol Nawrocki para a Presidência da Polônia, candidato que havia recebido seu apoio.
“Com base na eleição bem-sucedida do agora presidente da Polônia, Karol Nawrocki, que tive orgulho de apoiar, e em nossa relação com ele, tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão mais 5.000 soldados para a Polônia”, declarou Trump.
Pouco antes do anúncio, funcionários dos EUA haviam confirmado que cerca de 4.000 soldados não seriam mais enviados para a Polônia. A tropa fazia parte da 2ª Brigada Blindada de Combate, da 1ª Divisão de Cavalaria do Exército norte-americano.
Na semana passada, a Associated Press informou que o deslocamento havia sido cancelado para cumprir ordem de Trump de reduzir a presença militar na Europa. O presidente norte-americano havia declarado que cortaria “muito mais” do que 5.000 soldados no continente.
“Nós vamos reduzir muito, e estamos cortando muito mais do que 5.000”, disse Trump a jornalistas na Flórida, ao comentar a retirada de tropas da Europa.
A mudança de posição ocorreu após atritos entre Trump e integrantes da OTAN. No começo do mês, o presidente norte-americano e o Pentágono disseram que reduziriam ao menos 5.000 soldados na Alemanha depois que o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que os EUA estavam sendo “humilhados” pela liderança iraniana e criticou a falta de estratégia na guerra.
Trump também criticou outros países da OTAN, acusando-os de não assumirem parte suficiente dos custos de sua própria defesa e de não apoiarem plenamente a guerra norte-americana contra o Irã. Entre as cobranças, estava a participação na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã em resposta à agressão dos EUA e de “Israel”.
Segundo o Wall Street Journal, Trump questionou o secretário de Guerra, Pete Hegseth, sobre o cancelamento do envio de tropas à Polônia. O presidente teria afirmado que os EUA não deveriam tratar mal a Polônia, devido aos laços do país com a Casa Branca.
O porta-voz chefe do Pentágono, Sean Parnell, tentou reduzir o impacto da contradição. Na terça-feira, afirmou que o envio havia sido “temporariamente adiado”, e não cancelado, como parte de uma reorganização mais ampla das tropas norte-americanas na Europa.
A explicação, no entanto, não eliminou a confusão. Um funcionário da Defesa dos EUA declarou à Associated Press, sob condição de anonimato, que o novo anúncio surpreendeu setores do próprio aparelho militar.
“Acabamos de passar a maior parte de duas semanas reagindo ao primeiro anúncio. Também não sabemos o que isso significa”, afirmou.
A declaração revela o caráter improvisado da política militar de Trump. O governo anuncia cortes na Europa, cobra os aliados da OTAN, ameaça reduzir a presença militar norte-americana e, em seguida, amplia o envio de tropas para um dos países centrais da ofensiva imperialista contra a Rússia.
A Polônia tem sido uma das principais bases de apoio da OTAN no leste europeu. Desde o início da guerra na Ucrânia, o país se consolidou como ponto de passagem de armas, tropas e suprimentos militares enviados pelo imperialismo para sustentar o regime de Quieve contra a Rússia.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, reagiu positivamente ao anúncio. Na quarta-feira, afirmou que a declaração dos EUA significa que “a Polônia será tratada como merece”.
Ian Kelly, diplomata aposentado que foi embaixador dos EUA na Geórgia, criticou a forma como Trump tomou a decisão. “Essas não são decisões bem pensadas”, afirmou. “São decisões impulsivas baseadas nos caprichos de Trump ou no que seus assessores pensam ser os caprichos de Trump”.
O anúncio foi feito enquanto o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, seguia para a Suécia, onde deve se reunir com representantes da OTAN. Ao mesmo tempo, altos funcionários do Pentágono devem apresentar a outros países da aliança os planos para a presença militar futura dos EUA na Europa, em reunião na sede da organização, em Bruxelas.



