Novos dados divulgados nesta sexta-feira (22) mostram o tamanho da derrota sofrida pelos Estados Unidos e por “Israel” na guerra contra o Irã. Imagens de satélite analisadas pela empresa Soar indicam danos importantes em bases militares israelenses atingidas por mísseis e VANTs iranianos, enquanto relatórios norte-americanos apontam perdas bilionárias do Pentágono e esgotamento do sistema de defesa utilizado para proteger o país artificial.
Segundo o jornal israelense Ynet, a análise de imagens de alta resolução, incluindo dados do satélite Sentinel-2, identificou impactos diretos em instalações militares no norte e no sul da Palestina ocupada. O levantamento mostra que a contra-ofensiva iraniana não atingiu apenas pontos secundários, como tentou apresentar a propaganda sionista, mas bases estratégicas da ocupação.
Um dos casos mais incontestáveis é o da Base Aérea de Ramat David. As imagens comparadas antes e depois dos ataques apontam duas áreas danificadas. Uma delas era usada para veículos de apoio e equipamentos militares. A outra funcionava como ponto de reabastecimento e manutenção de caças.
A Base Aérea de Nevatim também aparece entre as instalações atingidas. Trata-se da maior base militar de “Israel” e do principal centro de operação dos caças furtivos F-35I Adir. De acordo com a análise, uma posição fortificada dentro da base apresentou alterações visíveis em 25 de março, indicando impacto direto no interior da instalação.
Outro ponto atingido foi a região da base de inteligência Mishar, ligada à Unidade 8200, próxima a Safed. As imagens mostram uma mudança estrutural repentina no local entre 5 e 10 de março, o que indica possível ataque. A Unidade 8200 é uma das principais estruturas de espionagem eletrônica do regime sionista.
Os dados de satélite também registraram um grande incêndio no Campo Shimshon a partir de 10 de março, no mesmo dia em que o Hesbolá anunciou ter atacado a base com um enxame de VANTs. O fogo durou vários dias e se espalhou por uma área de cerca de 200 metros dentro da instalação.
O Campo Shimshon é uma base militar israelense no norte da Palestina ocupada e funciona como unidade regional de fornecimento de munições do Comando de Tecnologia e Manutenção das forças de ocupação. A comparação com imagens históricas do Google Earth Pro e de bases de dados de satélite entre 2016 e 2025 indica que a área afetada era usada para logística militar e deslocamento de veículos.
A análise também aponta que a redução aparente da nitidez em imagens divulgadas sob censura militar israelense pode ter servido para minimizar a eficácia dos ataques iranianos. Desde o início da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã, a República Islâmica lançou cerca de 670 mísseis e 765 VANTs contra os territórios ocupados, segundo o jornal Yedioth Ahronoth. A esses ataques se somaram centenas de operações de forças da resistência na região, especialmente do Hesbolá.
As perdas norte-americanas também cresceram de maneira expressiva. Segundo a Bloomberg, o Irã eliminou ao menos 24 VANTs MQ-9 Reaper desde fevereiro, podendo o número chegar a 30. O prejuízo se aproxima de US$1 bilhão.
O MQ-9 Reaper, fabricado pela General Atomics, é uma das principais aeronaves não tripuladas dos EUA. É usado para vigilância e ataques, com câmeras, sensores, mísseis Hellfire e bombas guiadas JDAM. Cada unidade custa cerca de US$30 milhões.
As perdas representam quase 20% do estoque de MQ-9 Reaper que o Pentágono possuía antes da guerra. O dado é ainda mais grave porque essas aeronaves já não são fabricadas para as Forças Armadas norte-americanas, o que limita a capacidade dos EUA de repor sua frota.
Parte dos VANTs foi abatida pelas Forças Armadas iranianas. Outra parte foi destruída em ataques com mísseis contra bases aéreas norte-americanas na região. Também foram registradas perdas em acidentes operacionais.
A própria estrutura militar dos EUA reconheceu perdas maiores. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso norte-americano afirmou que 42 aeronaves dos EUA foram destruídas ou danificadas durante a guerra contra o Irã, incluindo caças, aviões de reabastecimento, VANTs e helicópteros.
O levantamento apontou a destruição de quatro caças F-15E Strike Eagle e danos em um caça furtivo F-35A por fogo terrestre iraniano. Também registrou a destruição de um avião de ataque A-10, além de sete aeronaves de reabastecimento KC-135 Stratotanker, duas destruídas e cinco danificadas.
O relatório ainda mencionou danos em uma aeronave de vigilância E-3 Sentry AWACS, a destruição de um VANT MQ-4C Triton e de duas aeronaves MC-130J de operações especiais. Um helicóptero de resgate de combate HH-60W também foi danificado por disparos de armas leves.
Outro dado importante foi divulgado pelo Washington Post. Segundo avaliações do Pentágono citadas pelo jornal, os EUA gastaram muito mais interceptadores avançados do que “Israel” para defender o país artificial dos mísseis iranianos. Mostrando que a guerra foi sustentada em larga medida pelo aparato militar norte-americano.
O Exército dos EUA lançou mais de 200 interceptadores THAAD, aproximadamente metade de todo o seu estoque, para proteger “Israel”. Também foram utilizados mais de 100 interceptadores SM-3 e SM-6 disparados por navios norte-americanos no Mediterrâneo.
Já “Israel” disparou menos de 100 interceptadores Arrow e cerca de 90 David’s Sling, usados principalmente para derrubar foguetes e VANTs menos sofisticados lançados por grupos da resistência no Líbano e no Iraque.
Kelly Grieco, pesquisadora do Stimson Center, afirmou ao Washington Post: “os números são impressionantes. Os Estados Unidos absorveram a maior parte da missão de defesa antimísseis enquanto Israel conservou seus próprios estoques”.
Um funcionário norte-americano declarou que os EUA dispararam cerca de 120 interceptadores a mais e enfrentaram o dobro de mísseis iranianos. Caso Trump retome os bombardeios contra o Irã, a diferença tende a aumentar, pois “Israel” retirou parte de suas baterias de defesa antimísseis para manutenção desde o cessar-fogo de 8 de abril.
A crise também atinge o efetivo das forças de ocupação. Oficiais israelenses afirmaram que a falta de pessoal chegou a um “ponto de ebulição”, com alertas sobre a escassez de soldados e o aumento das exigências militares em várias frentes.
Estimativas citadas por jornais israelenses apontam uma falta de cerca de 12 mil soldados, incluindo aproximadamente 7.500 combatentes. A situação foi agravada pelo uso contínuo das forças da reserva, cuja convocação anual passou de cerca de 25 dias para 80 a 100 dias em muitos casos.
As forças de ocupação pressionam por três medidas: ampliar o serviço militar obrigatório para 36 meses, criar um novo modelo de serviço na reserva e reformar as leis de alistamento para incluir judeus ultraortodoxos. A disputa política, no entanto, bloqueia o avanço dessas medidas.
O alistamento dos ultraortodoxos é um dos principais pontos da crise. O recrutamento anual desse setor teria passado de cerca de 1.700 pessoas em anos anteriores para aproximadamente 3.000 em 2025, mas apenas uma parcela pequena serve em unidades de combate. Estimativas israelenses apontam cerca de 38 mil evasores do serviço militar, a maioria da comunidade ultraortodoxa, além de dezenas de milhares que ainda não se apresentaram.
A falta de pessoal afeta a prontidão em Gaza, no Líbano, na Síria, na Cisjordânia e nas operações cibernéticas. A mobilização permanente interrompeu ciclos de treinamento, reduziu licenças e aumentou o desgaste das unidades. Analistas militares alertam que a crise pode se agravar em janeiro de 2027, quando milhares de soldados devem concluir o serviço ao mesmo tempo.
As avaliações citadas nos relatórios apontam que, mantida a situação atual, “Israel” pode enfrentar uma falta de até 14 mil combatentes nos próximos anos. O dado, somado aos danos em bases, às perdas de aeronaves norte-americanas e ao esgotamento dos interceptadores dos EUA, mostra que a guerra contra o Irã teve um resultado militar muito diferente daquele anunciado por Trump e Netaniahu.







