Universidade Marxista

A polícia criada pela CIA e por ‘Israel’ para torturar iranianos

Treinada por agentes da CIA e da polícia secreta sionista, a SAVAK chegou a 200 mil funcionários e infiltrou todos os setores da sociedade iraniana

A ditadura instalada no Irã pelo golpe da CIA em 1953 precisou de quatro anos para construir o aparato repressivo capaz de sustentá-la. Em 1957, foi fundada a Organização Nacional de Inteligência e Segurança, conhecida pela sigla persa SAVAK. Segundo relatórios oficiais, a SAVAK foi treinada por especialistas da polícia secreta de “Israel” e da CIA. Chegaria a contar com mais de 200 mil funcionários em tempo integral e parcial. Sob seu controle, todos os setores da sociedade iraniana seriam infiltrados.

A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A história do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). O aparato repressivo do Xá e o papel direto da CIA e de “Israel” em sua organização serão aprofundados pelo ministrante do curso, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.

Antes da fundação da SAVAK, o Xá governou sob lei marcial, decretada logo após o golpe de 1953 e mantida até 1957. Foi nesse período de exceção declarada que o regime estruturou seus instrumentos permanentes de repressão. A SAVAK surgiu como o resultado institucional desse período, com a missão de manter a perseguição política em escala industrial sob a aparência de normalidade.

A escala da repressão

O alcance da SAVAK é descrito de forma direta no relatório Human Rights and the Legal System in Iran, publicado pela Comissão Internacional de Juristas em março de 1976: “atualmente, estima-se que suas fileiras contenham mais de 200.000 funcionários em tempo integral e parcial. O chefe da SAVAK é nomeado pelo Xá e está diretamente subordinado ao gabinete do primeiro-ministro. O enorme poder exercido pela SAVAK reflete-se no fato de que o chefe recebe o título de vice-primeiro-ministro”.

O mesmo relatório descreve a infiltração: “a SAVAK permeia a sociedade iraniana e, segundo relatos, tem agentes nos partidos políticos, sindicatos, indústria, sociedades tribais, bem como no exterior — especialmente onde há um grande número de estudantes iranianos”. Nenhuma esfera social escapava da vigilância do regime. Os estudantes iranianos no exterior, em particular, eram alvo permanente, pois constituíam um foco de organização política contra a ditadura.

A herança da CIA e do Mossad

A formação da SAVAK por agentes da CIA e da polícia secreta sionista define o caráter da repressão exercida no Irã durante os 22 anos seguintes. Os métodos de tortura aplicados nos centros de interrogatório iranianos eram aqueles utilizados pela CIA na América Latina, no Sudeste Asiático e em outros pontos do mundo onde o imperialismo norte-americano sustentava ditaduras aliadas. A polícia secreta sionista cumpriu papel paralelo, transferindo para o Irã as técnicas que vinha aperfeiçoando contra o povo palestino.

O chefe da SAVAK, com status de vice-primeiro-ministro, mantinha contato direto com seus colegas norte-americanos e sionistas. As informações coletadas no Irã circulavam pelo sistema imperialista. A perseguição a militantes iranianos no exterior, organizada pela SAVAK, contava com o apoio das polícias dos países que abrigavam essas comunidades.

A função política da SAVAK

A função da SAVAK não era apenas reprimir movimentos políticos organizados, mas também impor uma atmosfera de terror permanente sobre toda a sociedade iraniana. Os agentes da SAVAK nos sindicatos impediam que os trabalhadores pudessem reivindicar melhorias salariais ou se organizar autonomamente. Os agentes nas universidades impediam que estudantes pudessem discutir abertamente as condições do país. Os agentes nas sociedades tribais impediam que as comunidades das províncias mantivessem qualquer forma de organização independente da ditadura.

Esse clima, sustentado pela tortura e pelas execuções, foi o terreno sobre o qual o Xá tentou modernizar o Irã sob controle imperialista. A oposição era empurrada para a clandestinidade. Os movimentos políticos legais eram desmontados. As únicas estruturas que mantinham alguma autonomia frente ao regime eram as mesquitas, que se tornariam, justamente por isso, o espaço onde a revolução de 1979 se organizou.

A propaganda atual e os fatos

A tentativa atual de reapresentar o Xá como um governante democrático entra em total contradição com a existência da SAVAK. Um regime que precisou de 200 mil agentes para infiltrar todos os partidos, sindicatos, indústrias, universidades e comunidades tribais do país não pode ser apresentado como democrático. As fotografias de mulheres iranianas de minissaia em Teerã nos anos 1970, hoje exibidas pela propaganda sionista, escondem o que o relatório da Comissão Internacional de Juristas descreve em detalhe: um Estado policial massivo, financiado pelo imperialismo, treinado pela CIA e pelo Mossad, dedicado a esmagar qualquer forma de oposição.

A SAVAK foi destruída pela revolução de 1979. Seus arquivos foram apreendidos. Muitos de seus agentes foram julgados. O Irã livre da SAVAK é o mesmo Irã que hoje resiste aos planos imperialistas no Oriente Próximo.

O curso A história do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.

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