Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, afirmou, nesta terça-feira (19), durante a Análise da 3ª, da Rádio Causa Operária, que Neymar deveria ser convocado para a seleção brasileira por ser “muito superior” aos demais jogadores disponíveis.
O comentário foi feito após Henrique Simonard tratar da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Segundo o apresentador, havia grande expectativa popular em torno do nome de Neymar, com pessoas acompanhando o anúncio em bares, padarias, nas ruas e pelo celular. Simonard também citou declarações de jogadores como Romário e Ronaldo em defesa da presença do atacante na seleção.
Pimenta afirmou que, no Brasil, a discussão sobre Neymar é marcada por uma confusão entre as posições políticas do jogador e sua qualidade técnica. Para o dirigente do PCO, a oposição ao atacante não parte de uma avaliação esportiva, mas de uma mistura de interesses econômicos, críticas políticas e ataques morais.
“Eu acho que no Brasil, em grande medida por culpa da grande imprensa, há uma confusão entre as posições políticas do jogador e o seu talento futebolístico. Então essa confusão aí é muito grande. A confusão, na verdade, tem motivos econômicos. Porque o Neymar sempre foi um jogador economicamente independente. Isso daí levou muita gente a fazer essa campanha contra ele. Aí eu acho que se misturou nessa oposição à independência econômica dele críticas de caráter político e até críticas de caráter, parece que, moral. Que a conduta do Neymar seria uma conduta não sei o quê, não sei o que lá”, afirmou.
Pimenta disse considerar “totalmente absurda” a tentativa de avaliar um jogador de futebol por sua conduta fora de campo. Segundo ele, o futebol brasileiro teve diversos jogadores de grande qualidade com comportamentos controversos, sem que isso anulasse sua importância esportiva.
“Me parece uma coisa totalmente absurda você julgar um jogador de futebol por uma determinada conduta. No Brasil já teve muitos jogadores de futebol que eram bons jogadores e tinham uma conduta deplorável fora do campo ou até dentro do campo também. E ninguém nunca deixou de avaliar o caráter do jogador como um jogador de futebol, efetivamente”, disse.
O presidente do PCO também criticou setores da esquerda que se colocam contra a convocação de Neymar. Para ele, a posição expressa uma recusa em reconhecer o critério esportivo na montagem da seleção.
“Eu vi algumas matérias que o pessoal falava que o Neymar não tinha que ser convocado. A explicação para o Neymar não ser convocado é que ele é narcisista, que ele é isso, que ele é aquilo. A esquerda, eu acho que ela caiu numa coisa que é totalmente inaceitável e improdutiva. Eles gostariam de chamar aí uma pessoa que, por algum motivo misterioso, estaria de acordo com a posição política deles”, afirmou.
Pimenta declarou que Neymar é reconhecido como um jogador acima dos demais atletas brasileiros por quem entende de futebol. Para ele, deixar o atacante fora da Seleção seria uma irresponsabilidade do treinador.
“Todo mundo vê que o Neymar é um jogador muito superior ao restante dos jogadores da Seleção Brasileira. Um jogador que fazia tempo que não aparecia no Brasil. Um verdadeiro craque do futebol. Tem que convocar. Seria uma irresponsabilidade da parte do treinador da Seleção não convocar o Neymar”, disse.
Segundo Pimenta, os jogadores devem ser chamados com base no futebol que apresentam, e não de acordo com preferências políticas ou avaliações morais feitas pela imprensa ou por setores da esquerda.
“Eu acho que os argumentos não têm validade nenhuma. Os jogadores têm que ser convocados com base no futebol que eles jogam. O Neymar, se você comparar ele com os outros jogadores da Seleção Brasileira, que são bons jogadores da Seleção, é um time de futebol de qualidade, é muito superior, ele se destaca muito do resto. Não é que você fala assim: não, tem lá fulano igual ao Neymar. Não tem isso aí”, afirmou.
O dirigente do PCO ressalvou que a convocação de Neymar, por si só, não garante qualquer resultado para o Brasil. Ele afirmou que o jogador não pode “fazer milagre” e lembrou a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, quando a Seleção foi eliminada pela Alemanha após a saída de Neymar por lesão na partida anterior.
“Agora, a convocação dele vai garantir alguma coisa para a Seleção Brasileira? Não, porque ele não pode fazer milagre. Nós vimos aí a situação da seleção brasileira na Copa que foi realizada no Brasil. Havia uma campanha política muito forte contra a Copa e contra a Seleção Brasileira também. E a Seleção desmoronou. Aquela Seleção de 2014 desmoronou diante da Alemanha. Não era para ter acontecido aquilo. O time do Brasil não era inferior ao time da Alemanha para levar de 7 a 1. Aquilo foi uma pressão política muito grande que o Brasil sofreu”, disse.
Após comentários do público, Simonard leu críticas de pessoas que questionavam o papel político da Seleção Brasileira e alegavam que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) seria uma empresa privada. Pimenta respondeu que a Seleção é uma “questão nacional” e afirmou que a torcida do povo brasileiro não depende da natureza jurídica da entidade que administra o futebol.
“É uma questão nacional. Se a empresa é privada, se a empresa não é privada, isso aí não tem nada a ver. Inclusive, é uma coisa estranha, porque se você for ver em todos os países, o povo daquele país vai torcer pela seleção daquele país, seja lá em qual esporte for. Um país tiver aí uma pessoa que vai ganhar medalha de ouro na Olimpíada, o povo do país não vai apreciar esse fato, que é uma demonstração, é uma demonstração relativa, mas é uma demonstração de qualidades nacionais? Bobagem. Só no Brasil que o pessoal coloca essas coisas”, afirmou.
Para o presidente do PCO, a posição política de jogadores e dirigentes é secundária diante do sentimento despertado pela Seleção Brasileira entre os brasileiros e entre povos de outros países. Segundo ele, o Brasil é visto internacionalmente como uma referência no futebol, especialmente por não ser uma potência imperialista.
“O pessoal fala: ah, a CBF é uma empresa privada, os jogadores são bolsonaristas. Não importa qual que é a posição dos jogadores, o que eles acham, o que a CBF acha. O que importa é o sentimento que a Seleção Brasileira traz para os brasileiros e para os povos oprimidos no mundo. É só um jogador e um futebol. Porque o pessoal quer saber se eles vão jogar bem, se eles vão ganhar a Copa ou não. Se o cidadão é religioso ou não é religioso, se o cidadão tem uma determinada política ou outra política, isso é totalmente secundário”, disse.
Pimenta afirmou que seria positivo se todos os jogadores fossem “revolucionários e comunistas”, mas classificou esse critério como sem relação com a convocação. Para ele, a Seleção deve reunir os melhores atletas.
“Seria bom que todos os jogadores da seleção brasileira fossem revolucionários e comunistas? Seria bom, mas é bobagem isso. É uma mistura que não tem pé nem cabeça. Futebol é o principal esporte nacional. O Brasil é o país mais destacado no esporte. E é um esporte mundialmente importante. Muita gente no mundo torce para o Brasil, porque vê no Brasil um país que não é um país explorador dos outros países. Eu acho que na hora de convocar a seleção tem que ver quem são os melhores jogadores”, declarou.
O dirigente também criticou a tese de que o treinador teria “cedido ao lobby” ao convocar Neymar. Para Pimenta, havia uma expectativa nacional pela presença do jogador na Copa.
“Sempre tem politicagem, sem dúvida nenhuma. Aqui, por exemplo, no 247, o cidadão fala que o Ancelotti cedeu ao lobby. Não, não cedeu ao lobby. Tem uma expectativa nacional de que o Neymar fosse para a Copa. E ele não é um jogador de segunda linha, ele é o melhor jogador de futebol que tem no Brasil. Eu diria até no mundo”, afirmou.
Simonard também perguntou se comentaristas que fazem campanha contra Neymar, como Casagrande e Milly Lacombe, fariam parte de um “lobby anti-Brasil”. Pimenta respondeu que há um lobby contra a Seleção Brasileira.
“Eu acho que é um lobby contra a Seleção Brasileira. O Casagrande só fala mal do Neymar, que é estranho, um jogador dessa qualidade. Não faz sentido nenhum”, afirmou.




