‘O artigo A mídia dos BRICS não é uma alternativa para a resistência anti-imperialista, publicado no sítio Revista Movimento, ligado o MES-PSOL, neste domingo (17), chama a atenção logo pelo título, pois é óbvio que a imprensa capitalista não pode ser vista como alternativa.
Mesmo a imprensa de esquerda, ou alternativa, encontra limitações em suas posições. A única imprensa de fato para esquerda é a partidária.
Segundo o MES, seu texto é baseado em um evento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e assim fica explicado seu teor abstrato e acadêmico.
Embora o olho do texto diga que “os gigantes midiáticos do Sul Global não são aliados da esquerda nem uma alternativa à mídia imperialista”, dependendo das circunstâncias, algumas empresas jornalísticas desempenham um certo papel de “resistência”, principalmente se o país estiver sendo atacado pelo imperialismo.
O texto diz que “o surgimento de gigantes midiáticos no Sul Global, como Índia, Brasil, Turquia e Coreia do Sul, tem cativado estudiosos da mídia, políticos e o público em geral. Catar (com a Al Jazeera) e África do Sul também desempenham papéis importantes no cenário midiático internacional. Enquanto acadêmicos liberais e pós-modernos sediados em universidades metropolitanas interpretaram a ascensão desses gigantes da mídia como um sinal do declínio do imperialismo midiático, políticos do Norte Global utilizaram esse fenômeno para espalhar alarmismo. Por exemplo, Hillary Clinton, então secretária de Estado dos EUA, alertou o Comitê de Relações Exteriores do Senado em 2011 sobre a Al Jazeera, afirmando: ‘A América está enfrentando uma guerra de informação… e estamos perdendo essa guerra.’”.
Chama a atenção nesse trecho que a senhora Clinton, uma representante do imperialismo, demonstre preocupação com a “guerra de informação”, pois o grande capital tem consciência da importância do controle da informação. Não é à toa que o sionismo se empenhe tanto em cooptar jornalistas e empresas para defesa de seus interesses.
O “declínio do imperialismo midiático” tem relação direta não com o surgimento de grandes empresas de comunicação, mas com acesso à tecnologia e o crescimento do número de conteúdo que vem sendo produzido nas redes sociais. As novas tecnologias baratearam o custo de produção. Principalmente agora, com as inteligências artificiais generativas.
Segundo o artigo, “não há dúvida de que alguns países subimperialistas fomentaram poderosos conglomerados midiáticos. Zee (Índia), Globo (Brasil), Televisa (México) e Showmax (África do Sul) vêm imediatamente à mente. As diziler turcas (novelas) conquistaram o mundo muçulmano, enquanto o público global abraçou o K-pop e os filmes da ‘onda coreana’”.
Antes de mais nada, é preciso dizer que esse conceito de “subimperialismo” é uma ideia antimarxista. O fato de uma Rede Globo ter se tornado um monopólio e ter ideias de se expandir, e o Brasil, especialmente durante a ditadura militar “projetar poder” para os países vizinhos, não se tem aí nenhum “subimperialismo”. Isso é resquício da “Teoria da Dependência”, que não passa de uma improvisação.
A Rede Globo sempre defendeu os interesses do imperialismo. Basta ver sua campanha contra o Pré-Sal, ou em favor da privatização da Petrobrás, etc.
Existe uma confusão enorme que é o tempo todo propaganda pela esquerda pequeno-burguesa, como no trecho que diz que “os BRICS são compostos por países imperialistas (China e Rússia), subimperialistas (Brasil, África do Sul e Índia) e de periferia forte (Egito e Irã). Não se trata de uma categoria monolítica e homogênea. Pelo contrário, o subimperialismo — e, portanto, o subimperialismo midiático — é um termo coerente para identificar especificamente e posicionar certos Estados-nação na hierarquia global dos países. A mídia subimperialista é definida por três características. Ela resiste e, ao mesmo tempo, colabora com a mídia imperialista. A mídia imperialista domina parcialmente o subimperialismo midiático, mas estes também emergem como atores dominantes em nível regional. O subimperialismo midiático é parcialmente independente (tecnologicamente e em termos de conteúdo), mas permanece amplamente dependente da mídia imperialista de várias maneiras.”
Os Estados Unidos e a União Europeia, mais o Japão, retiraram o Rússia do Sistema Swift de pagamentos. Nesta segunda-feira (18), por conta da crise de abastecimento de petróleo causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou a emissão de uma licença geral temporária de 30 dias que permite que países vulneráveis adquiram petróleo bruto russo já carregado em navios. Que espécie de imperialismo é esse dos russos que está sendo claramente oprimido pelo imperialismo?
A China está sendo ameaçada de arrancarem dela a ilha de Taiuã, além de também sofrer sanções. Não pode ser considerada um país imperialista, não faz diferença que exporte capitais e tenha sua indústria em expansão.
Os BRICS, é importante dizer, é uma associação de países que se juntam para tentarem escapar de alguma maneira à enorme pressão que vêm sofrendo do imperialismo. Aliás, por conta dessa associação, o assédio contra eles até aumentou.
Confusão
Ainda que Vladimir Lênin tenha definido com extrema clareza a natureza do imperialismo, tem se estabelecido uma grande confusão na esquerda pequeno-burguesa a respeito desse tema.
O tal “surgimento de gigantes midiáticos no Sul Global” não deveria causar nenhum tipo de espanto, pois são países capitalistas, apesar de atrasados. Por outro lado, o que se vê é um esforço de apontar como imperialistas os principais alvos do imperialismo: China e Rússia.
Essa manobra faz com que a esquerda não defenda esses países de ataques, pois supostamente seria uma luta “interimperialista” que só diria respeito a eles mesmos.
Com essa manobra, parte da esquerda acaba defendendo OTAN em nome de defender a Ucrânia. Sem mencionar que fingem não ver que a Ucrânia tem um regime nazista e está sendo utilizada em uma guerra por procuração contra os russos.
O texto fecha dizendo que “em resumo, os gigantes midiáticos do Sul Global não são aliados da esquerda nem uma alternativa à mídia imperialista”. Enquanto isso, jornalistas da Al Jazeera são assassinados pelas forças sionistas em Gaza e no Líbano. Jornais como RT, Sputnik, Ria Novosti, etc., têm seus domínios bloqueados na UE e Estados Unidos.





