Editorial

Em defesa da liberdade religiosa

Padre está sendo perseguido por suas opiniões consideradas "misóginas" e "homofóbicas"

A denúncia do Ministério Público contra Frei Gilson, religioso da Igreja Católica acusado de declarações consideradas “misóginas” e “homofóbicas”, expõe mais uma vez o avanço da censura. Uma organização de esquerda não tem nenhuma obrigação de apoiar as ideias conservadoras da Igreja Católica, nem de esconder que grande parte do pensamento religioso tradicional carrega posições reacionárias sobre as mulheres, a sexualidade e a família. A questão é outra: o Estado tem ou não o direito de perseguir uma pessoa simplesmente por falar?

O frei, como qualquer cidadão, tem o direito de expressar suas opiniões religiosas, por piores que elas pareçam a outros setores da sociedade. A Igreja é uma entidade privada. O Estado não deve dizer à Igreja o que ela deve pensar, assim como a Igreja não deve impor ao Estado o que ele deve fazer. A separação entre Igreja e Estado não significa que o Estado possa censurar a Igreja. Significa justamente o contrário: que nenhuma autoridade estatal deve transformar uma doutrina oficial em regra obrigatória para a sociedade.

A esquerda que aplaude esse tipo de perseguição comete um erro elementar. Ela pensa que a censura vai atingir apenas o inimigo da vez. Hoje, um religioso conservador. Amanhã, um bolsonarista. Depois de amanhã, qualquer pessoa que critique o Supremo Tribunal Federal (STF). Não tardará para que se torne crime criticar qualquer autoridade.

Toda censura começa sempre com um alvo impopular. O Estado escolhe alguém que desperta antipatia em determinado setor da população e apresenta a repressão como uma medida civilizatória. Quando o mecanismo está aceito, ele passa a ser usado contra todos os demais.

É por isso que a defesa da liberdade de expressão não pode depender da simpatia pelas opiniões expressas. Defender o direito de Frei Gilson falar não é defender o conteúdo do que ele disse. É defender uma liberdade democrática fundamental, sem a qual nenhuma luta popular pode existir.

A esquerda que não entende essa diferença acaba fazendo o papel da direita. Pede ao Ministério Público, aos tribunais, à polícia e ao Estado capitalista que decidam quais ideias podem circular. Ou seja, entrega às instituições mais conservadoras da sociedade o poder de regular a vida política e intelectual do povo.

A liberdade religiosa foi uma das bases históricas da luta pelas liberdades democráticas. Durante séculos, nos países cristãos, a Igreja Católica tentou esmagar religiões dissidentes, perseguir hereges, suprimir protestantes, judeus, ateus e livres-pensadores. A luta contra essa perseguição foi decisiva para a formação dos direitos democráticos modernos.

Os iluministas, muitos deles ateus ou críticos da religião, não defenderam a repressão estatal contra a religião. Defenderam o direito de pensar, crer, não crer, falar e divergir. A liberdade de consciência nasceu justamente como reação ao monopólio ideológico imposto pela religião oficial e pelo Estado.

Por isso é um retrocesso que setores da esquerda, em pleno século XXI, defendam uma espécie de nova Inquisição, agora conduzida pelo Ministério Público e pelos tribunais.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.