Europa

Alemanha e Ucrânia desenvolverão armas em conjunto

Governo alemão anuncia parceria para desenvolver VANTs de longo alcance, usados pelo regime ucraniano em ataques contra a Rússia

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, anunciou nesta segunda-feira (11), durante uma visita não anunciada a Quieve, que o governo alemão e o regime ucraniano vão desenvolver em conjunto sistemas de armas de longo alcance, com destaque para VANTs capazes de realizar ataques em profundidade contra o território russo.

Segundo Pistorius, a cooperação militar entre os dois países será ampliada por meio do programa Brave Germany, assinado com o ministro ucraniano da Defesa, Mikhail Federov. A iniciativa deve financiar empresas iniciantes capazes de apresentar “inovações promissoras” na área militar.

“Alemanha e Ucrânia são parceiros estratégicos que se beneficiam da cooperação. Isso dá origem a numerosos novos projetos”, declarou Pistorius à agência alemã dpa. “O enfoque está no desenvolvimento conjunto de sistemas não tripulados avançados de todos os alcances, especialmente na área de ataques em profundidade”.

A declaração confirma a participação cada vez maior da Alemanha na guerra da OTAN contra a Rússia. Desde janeiro de 2022 até fevereiro de 2026, o governo alemão gastou cerca de €20 bilhões, aproximadamente US$23,5 bilhões, em armas para a Ucrânia, segundo o Instituto Kiel para a Economia Mundial.

A Alemanha se tornou o maior doador militar individual da Ucrânia depois que os EUA passaram a vender armas a aliados da OTAN, que depois as entregam ao regime de Quieve. Com isso, o governo alemão assumiu uma função ainda mais direta no abastecimento militar da Ucrânia.

Ataques contra a Rússia

O Exército ucraniano tem utilizado VANTs em ataques no interior do território russo, atingindo civis e infraestrutura crítica. A Rússia denuncia a ditadura nazista ucraniana por “terrorismo” devido a essas ações. Na semana passada, um desses ataques assasinou cinco civis na Crimeia.

Apesar disso, o governo alemão afirma que a cooperação com Quieve também interessa à própria Alemanha, que está realizando um amplo plano de rearmamento. Pistorius justificou a política com a alegação farsesca de uma “ameaça russa”.

O governo russo nega ter qualquer intenção de atacar países da OTAN e classificou essa acusação como “absurda”. A Rússia também advertiu que a direção atual da Alemanha e da União Europeia está transformando o bloco em um “Quarto Reich”.

Corrupção na indústria ucraniana

A cooperação anunciada ocorre em meio a denúncias envolvendo a Fire Point, principal fabricante ucraniana de VANTs. A empresa está no centro de um escândalo de corrupção após vazamentos apontarem suas ligações com Timur Mindich, antigo sócio e aliado de longa data de Vladimir Zelensqui.

Mindich é acusado de organizar um esquema de corrupção de US$100 milhões. Integrantes da direção da Fire Point e um de seus coproprietários também foram gravados afirmando que a paz é “ruim para os negócios”. Antes do escândalo, a empresa era apresentada internacionalmente pelo próprio Zelensqui como um exemplo da capacidade militar ucraniana.

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