Guerra no Oriente Próximo

Irã está pronto para dar uma ‘resposta punitiva’

Presidente do Parlamento iraniano afirmou que as Forças Armadas estão preparadas para responder a qualquer agressão contra o país

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta segunda-feira (11) que as Forças Armadas do Irã estão prontas para dar uma “resposta punitiva” a qualquer agressão contra a República Islâmica. A declaração foi feita em publicação na rede social X, em meio ao aumento das ameaças dos EUA e de “Israel” contra o país.

“Nossas Forças Armadas estão prontas para dar uma resposta merecida a qualquer agressão; estratégias erradas e decisões erradas sempre levam a resultados errados. O mundo inteiro já entendeu isso. Estamos preparados para todas as opções; eles serão surpreendidos”, afirmou Ghalibaf.

A declaração do dirigente iraniano foi publicada após o Axios informar que o presidente norte-americano Donald Trump se reuniria com sua equipe de segurança nacional para discutir a nova fase da ofensiva dos EUA contra o Irã, depois do fracasso das negociações indiretas no domingo (10). Segundo o portal, as conversas internas do governo Trump incluíram a possibilidade de nova ação militar contra o Irã e propostas relacionadas ao urânio enriquecido iraniano.

As declarações também ocorreram depois de os EUA rejeitarem a resposta mais recente do Irã, entregue por mediação do Paquistão no processo de negociações indiretas entre os dois países.

Em outra publicação, Ghalibaf afirmou que não há alternativa ao reconhecimento dos direitos do povo iraniano, conforme a proposta de 14 pontos apresentada pelo Irã. Segundo ele, qualquer outro caminho levará os EUA a novas derrotas e aumentará os custos para os contribuintes norte-americanos.

“Não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano conforme estabelecido na proposta de 14 pontos”, afirmou. “Qualquer outra abordagem será completamente inconclusiva; nada além de um fracasso atrás do outro. Quanto mais eles arrastam os pés, mais os contribuintes norte-americanos pagarão por isso”.

As declarações de Ghalibaf reafirmam a posição do Irã de manter uma política de dissuasão diante da escalada imperialista. O país tem insistido que sua postura militar é defensiva, mas que qualquer ataque contra seu território ou sua soberania receberá resposta direta.

Autoridades iranianas também têm alertado contra a presença militar estrangeira em áreas estratégicas, em especial no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico. Para o Irã, a segurança regional deve estar sob responsabilidade dos países da região, e não de potências estrangeiras.

Nas últimas semanas, navios de guerra dos EUA tentaram se aproximar de águas iranianas para romper o controle do Irã sobre o estreito, mas foram repelidos por fogo direto iraniano. A ação impediu que os EUA restabelecessem a navegação normal no Golfo Pérsico nos termos pretendidos pelo imperialismo.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos, Kazem Gharibabadi, também condenou a tentativa dos EUA de levar ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução sobre o Estreito de Ormuz. Em publicação no X, feita na noite de segunda-feira, ele afirmou que os EUA e alguns de seus aliados regionais tentam inverter os termos da crise, transformando as consequências da agressão militar e do cerco ilegal em acusação contra o Irã.

“‘Liberdade de navegação’ é um princípio jurídico respeitado, mas não pode ser interpretado de maneira seletiva, política e separada da Carta das Nações Unidas”, escreveu Gharibabadi.

O diplomata afirmou que nenhuma iniciativa séria sobre segurança marítima na região pode ignorar o uso repetido da força, a imposição de bloqueio naval, as ameaças permanentes e o papel direto dos EUA e do regime israelense na criação da crise atual.

Segundo Gharibabadi, o problema central não é a passagem de navios tomada de maneira abstrata, mas a tentativa de determinados governos de apresentar as consequências de suas próprias ações ilegais como se fossem uma defesa da “ordem internacional”.

“Tal abordagem não contribui nem para a redução das tensões, nem para a segurança marítima, nem para a credibilidade dos mecanismos multilaterais”, afirmou.

O vice-ministro iraniano concluiu que qualquer texto que tente retratar a situação no Estreito de Ormuz sem mencionar explicitamente a agressão, o cerco, as ameaças de uso da força e o direito legítimo do Irã de defender sua segurança e seus interesses nacionais vitais será falho, parcial, político e condenado ao fracasso desde o início.

As declarações ocorreram depois de os EUA realizarem conversas fechadas com países do Golfo Pérsico para promover seu projeto de resolução. O texto norte-americano exige que o Irã interrompa imediatamente o que chama de “ataques” no Estreito de Ormuz e ameaça o país com novas sanções e até com a possível autorização do uso da força.

O governo iraniano sustenta que suas ações na região são respostas defensivas a anos de provocações ilegais dos EUA e de “Israel”, sanções econômicas e tentativas de militarizar o Golfo Pérsico. Para o Irã, a verdadeira ameaça à navegação vem da presença militar norte-americana e do apoio dos EUA à política de desestabilização da entidade sionista.

Ali Akbar Velayati, assessor do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, afirmou que os EUA não vencerão o Irã na diplomacia, assim como foram derrotados no campo de batalha. A declaração também foi feita em publicação no X, em resposta às ameaças de Trump.

“Nós derrotamos vocês no campo de batalha; nunca imaginem que sairão vitoriosos na diplomacia”, afirmou Velayati.

O ex-ministro das Relações Exteriores iraniano respondeu a uma publicação recente de Trump, na qual o presidente norte-americano afirmou que o Irã subestimou os EUA durante décadas e repetiu ameaças contra a República Islâmica. Velayati declarou que Trump ainda age como se acreditasse nas mentiras do Pentágono sobre as baixas norte-americanas.

“Trump diz que ‘o Irã não rirá mais’ enquanto se vangloria de um ‘cessar-fogo glorioso’. Ainda assim, ameaça o Irã com insinuações nucleares como se ainda acreditasse nas mentiras do Pentágono sobre esconder as pesadas baixas dos soldados norte-americanos”, afirmou.

Velayati também comentou a viagem de Trump à China. Segundo ele, o presidente dos EUA não deve tentar explorar a calma e a contenção do Irã para se apresentar como vencedor. Para o dirigente iraniano, a resposta do Irã à agressão dos EUA e de “Israel” alterou a correlação de forças na Ásia Ocidental.

“Senhor Trump, nunca presuma que pode explorar a calma de hoje no Irã e marchar triunfalmente para Pequim. Primeiro, aprenda o alfabeto da nova ordem geopolítica da Ásia Ocidental”, afirmou.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, também defendeu a proposta apresentada pelo país. Em coletiva semanal realizada nesta segunda-feira, ele afirmou que o plano iraniano para encerrar a guerra recente foi razoável e que os EUA insistem em exigências “irracionais” moldadas pelo regime israelense.

“Nós não exigimos nenhuma concessão. A única coisa que exigimos são os direitos legítimos do Irã”, disse Baghaei.

O porta-voz questionou se é irracional o Irã exigir o fim da guerra na região, a interrupção da pirataria marítima contra navios iranianos e a liberação de ativos pertencentes ao povo iraniano, bloqueados injustamente há anos.

“Nossa proposta de passagem segura pelo Estreito de Ormuz é irracional? Estabelecer paz e segurança em toda a região é irresponsável?”, perguntou Baghaei. “Tudo o que propusemos no plano foi razoável e generoso, e é para o bem da região e do mundo.”

Baghaei lamentou que o governo norte-americano, influenciado pelo regime israelense, continue insistindo em exigências sem fundamento. Segundo ele, todos os pontos apresentados pelo Irã deveriam ser discutidos, mas os EUA se recusam a tratá-los de boa-fé.

Trump reagiu à resposta formal do Irã classificando-a como “completamente inaceitável”. Em entrevista ao Axios, o presidente norte-americano afirmou que discutiu a resposta iraniana com o primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu.

Baghaei afirmou ainda que o Irã provou ser uma potência responsável na região e, ao mesmo tempo, contrária à política de intimidação do imperialismo.

“Basta olhar para o histórico do Irã. Fomos nós que deslocamos tropas? Somos nós que intimidamos países no hemisfério ocidental? Fomos nós que cometemos assassinatos duas vezes durante negociações?”, declarou.

O porta-voz afirmou que a própria presença dos EUA na região é um fator de violência. Sobre a China, Baghaei disse que o Irã mantém contato com o país como parceiro estratégico e que Pequim conhece as posições iranianas. Segundo ele, a agressão dos EUA e de “Israel” contra o Irã faz parte de um processo mais amplo de aumento do unilateralismo norte-americano.

Baghaei também tratou da possibilidade de países europeus enviarem navios de guerra à região. Ele afirmou que o Irã transmitiu com clareza que a Europa não deve se deixar arrastar pelas pressões dos EUA e do regime israelense para uma crise da qual não obterá nenhum benefício.

“Transmitimos muito claramente que a Europa não deve permitir que as tentações dos EUA e do regime israelense a arrastem involuntariamente para uma crise da qual não ganhará nada”, afirmou.

O porta-voz acrescentou que qualquer país que defenda uma atuação responsável pela paz e pela segurança internacional deve pressionar a parte que interrompeu a navegação no Estreito de Ormuz. Baghaei também denunciou a retirada de cidadania de cidadãos do Barein sob o pretexto de simpatia pelo Irã, classificando a medida como violação flagrante dos direitos humanos.

“Declaramos claramente nossas posições em defesa da dignidade humana, e as ações do Barein são contra os direitos humanos”, afirmou.

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