Liberdade de expressão

Netaniahu declara ódio às redes e mostra objetivo da censura

Em entrevista ao 60 Minutes, primeiro-ministro de “Israel” prometeu zerar ajuda financeira dos EUA e culpou redes sociais pela queda de apoio ao regime

O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, afirmou em entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, exibida no domingo (10), que pretende reduzir a zero, em até 10 anos, a ajuda financeira norte-americana ao regime sionista. Na mesma entrevista, Netaniahu atribuiu às redes sociais a queda do apoio a “Israel” entre os norte-americanos.

Questionado se havia chegado o momento de o regime israelense “reexaminar e possivelmente redefinir” sua relação financeira com os EUA, Netaniahu respondeu: “absolutamente. Eu disse isso ao presidente Trump. Eu disse isso ao nosso próprio povo. Seus queixos caem”.

“Quero reduzir a zero o apoio financeiro norte-americano, o componente financeiro da cooperação militar que temos”, declarou o primeiro-ministro israelense. Segundo ele, o processo deve “começar agora” e ser concluído “nos próximos 10 anos”.

A declaração ocorre quando cresce a rejeição ao regime sionista nos EUA. Um levantamento recente do Pew mostrou que seis em cada 10 norte-americanos têm uma opinião muito ou relativamente desfavorável de “Israel”. O número subiu sete pontos percentuais em relação ao ano passado e quase 20 pontos desde 2022.

Netaniahu, no entanto, recusou a ideia de que a guerra genocida contra a Faixa de Gaza tenha contribuído para essa mudança. Para o chefe do governo sionista, o problema estaria nas redes sociais.

“Israel está sitiado na frente da comunicação, na frente da propaganda, e nós não fomos bem na guerra de propaganda”, afirmou.

Em seguida, Netaniahu acusou países não identificados de manipular as redes sociais para diminuir o apoio a “Israel” nos EUA. “Temos vários países que basicamente manipularam as redes sociais com fazendas de robôs, com endereços falsos, para quebrar a simpatia norte-americana por Israel”, disse.

A declaração expõe o objetivo político da campanha internacional pela censura. O problema de Netaniahu não é a existência de “manipulação”, mas o fato de que milhões de pessoas passaram a ter acesso direto às imagens e informações sobre o massacre em Gaza, sem depender exclusivamente dos grandes veículos ligados ao imperialismo e ao sionismo.

Desde outubro de 2023, a entidade sionista intensificou o genocídio na Faixa de Gaza. Mais de 72 mil pessoas foram assassinadas e mais de 172 mil ficaram feridas. A destruição se soma ao bloqueio imposto desde 2007, que deixou os 2,4 milhões de habitantes do território sob cerco permanente e em situação de fome.

Apesar da tentativa de Netaniahu de apresentar “Israel” como um regime capaz de dispensar o dinheiro norte-americano, a entidade sionista continua sendo a maior receptora acumulada de ajuda externa dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. Desde 1948, recebeu mais de US$300 bilhões em assistência econômica e militar.

Pelo acordo de 10 anos assinado em 2016, os EUA se comprometeram a entregar US$38 bilhões em ajuda militar a “Israel” até 2028. Desse total, US$5 bilhões foram destinados ao chamado Domo de Ferro, sistema antimísseis utilizado pelo regime que está caído aos pedaços. A ajuda norte-americana responde por cerca de 16% do orçamento militar israelense.

A rejeição crescente dentro dos EUA também pressiona o Congresso. Em março, o senador Bernie Sanders apresentou três resoluções para tentar bloquear quase US$660 milhões em vendas de armas a “Israel”. Sanders afirmou que três quartos dos eleitores democratas e dois terços dos independentes se opõem ao envio de armas norte-americanas ao regime de Telavive.

O caso mostra que a censura defendida pelos sionistas não está separada da guerra. Ao culpar as redes sociais pela queda do apoio popular a “Israel”, Netaniahu aponta contra qualquer lugar em que circulem denúncias do massacre em Gaza e da dependência militar do regime em relação ao imperialismo norte-americano. Demonstrando o interesse do imperialismo de destruir as redes sociais, como tem sido feito no Brasil na última década.

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