O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a mais recente resposta do Irã à proposta norte-americana para encerrar a guerra na região. Em publicação feita no Truth Social, Trump afirmou ter lido a posição iraniana e classificou o documento como “totalmente inaceitável”, sem explicar quais pontos haviam sido recusados pelo governo dos EUA.
“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei, TOTALMENTE INACEITÁVEL!”, escreveu Trump.
A reação do presidente norte-americano ocorreu após a República Islâmica apresentar, por intermédio do Paquistão, uma contraproposta para encerrar a agressão conduzida pelos Estados Unidos e por “Israel”. Segundo a agência iraniana IRNA, a resposta foi entregue aos mediadores paquistaneses neste domingo e trata, nesta etapa, exclusivamente do fim da guerra. Outros temas, como as divergências sobre o programa nuclear iraniano, devem ficar para uma fase posterior das conversas.
Fontes diplomáticas ouvidas pela Al Mayadeen afirmaram que a resposta escrita de Teerã exige o fim imediato do cerco econômico imposto ao país, garantias para a liberdade de exportação do petróleo iraniano e a interrupção da guerra no momento em que eventual acordo for anunciado.
A contraproposta também exige o levantamento das sanções norte-americanas, a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior e a retirada das restrições impostas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA, o OFAC, contra a venda de petróleo do Irã.
Para o governo iraniano, a pressão econômica contra a República Islâmica faz parte da mesma ofensiva militar e política conduzida pelos Estados Unidos e pelo país artificial sionista no Oriente Próximo. A proposta, por isso, não separa a questão das sanções da guerra propriamente dita.
Segundo a Al Mayadeen, Teerã também incluiu na resposta uma cláusula sobre cessar-fogo no Líbano, apresentada como uma das “linhas vermelhas” iranianas nas negociações. O ponto está ligado à continuidade dos ataques israelenses contra o país e aos confrontos com a Resistência libanesa.
A inclusão do Líbano nas conversas mostra que o Irã trata as frentes regionais como parte de um mesmo acordo político e militar. Autoridades iranianas têm afirmado reiteradamente que a estabilidade na região depende do fim dos ataques e das violações israelenses em várias frentes.
Outro ponto central da resposta iraniana é o Estreito de Ormuz. Segundo a Al Mayadeen e a IRNA, Teerã incluiu dispositivos relacionados à administração iraniana da passagem marítima.
O relatório da IRIB afirmou que o plano iraniano também exige compensação integral pelos danos de guerra, o reconhecimento da soberania iraniana sobre Ormuz e o levantamento de todas as sanções. O Irã declarou que aceita reabrir o estreito caso a agressão termine de modo definitivo e os Estados Unidos retirem as sanções ilegais e o bloqueio contra o país.
Uma fonte ouvida pela agência Tasnim afirmou que a resposta iraniana “enfatiza os direitos fundamentais da nação iraniana” e rejeita a tentativa dos Estados Unidos de impor uma rendição às exigências de Trump.
“Ninguém no Irã escreve um plano para agradar Trump. A equipe negociadora escreve apenas pelos direitos da nação iraniana. Se Trump está descontente com isso, melhor ainda”, disse a fonte. “Trump simplesmente não gosta da realidade; é por isso que continua perdendo para o Irã”.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se manifestou neste domingo e afirmou que a disposição para negociar não significa rendição.
“Nunca nos curvaremos diante do inimigo, e, se há conversa ou negociação, isso não significa rendição ou recuo”, declarou Pezeshkian, em publicação na rede X.
Trump confirmou, em entrevista rápida ao Axios, que conversou com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, sobre a resposta iraniana e os acontecimentos na região. “Foi uma ligação muito boa. Temos uma boa relação”, disse o presidente dos EUA, sem detalhar os próximos passos do governo norte-americano.
A proposta iraniana prevê um período de 30 dias de negociação após o fim da guerra para concluir os pontos restantes do acordo. Também inclui medidas recíprocas para testar se os Estados Unidos pretendem cumprir os compromissos assumidos.
Neste domingo, o Estado-Maior das Forças Armadas iranianas informou que o major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, reuniu-se com o atual líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, para apresentar um relatório sobre a prontidão militar do país.
Segundo o comunicado, Abdollahi afirmou que o Exército, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI), as forças policiais, as tropas de fronteira, o Ministério da Defesa e os basijis estão preparados, em termos morais, defensivos, ofensivos e materiais, para enfrentar qualquer ação dos “inimigos americano-sionistas”.
O general iraniano advertiu que, caso os inimigos cometam qualquer “erro estratégico, agressão ou invasão”, as forças iranianas responderão “de forma rápida, intensa e poderosa”.
Durante a reunião, o aiatolá Saied Mojtaba Khamenei elogiou as Forças Armadas e emitiu novas orientações para a continuidade das ações contra os inimigos do país após os 40 dias de guerra contra a República Islâmica.





