Moradores da Vila Íris fizeram manifestação contra o despejo de mais de 250 famílias, em Santa Luzia, na quarta-feira (6). O ato denunciou a ameaça de remoção da comunidade e pediu apoio para impedir a retirada dos moradores. A mobilização ocorreu no contexto da disputa envolvendo a VLI Logística, subsidiária da Vale e responsável pela Ferrovia Centro-Atlântica, que obteve decisão de reintegração de posse contra a ocupação.
Os materiais públicos ligados à mobilização convocavam apoiadores a somar forças contra a retirada de famílias da Comunidade Vila Íris e associavam a luta à defesa da moradia. Em outro registro, moradores da Ocupação Vila Íris, de Santa Luzia, haviam se reunido na Defensoria Pública de Minas Gerais, em Belo Horizonte, no dia 13 de abril, para buscar apoio institucional diante da ameaça de despejo.
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais informou que a Comissão de Direitos Humanos marcou audiência pública para segunda-feira (11), às 16 horas, para discutir soluções que garantam o direito à moradia das famílias. Segundo a ALMG, cerca de 250 famílias vivem na área há aproximadamente 20 anos e podem ser removidas pela VLI, que alega ocupação parcial ou total de faixas de domínio da ferrovia.
A audiência foi solicitada pela deputada Bella Gonçalves, presidenta da comissão, que apontou risco iminente de remoção e condições de vulnerabilidade social dos moradores. No requerimento, a parlamentar defendeu que conflitos urbanos dessa natureza não sejam tratados com respostas repressivas, mas com diálogo, mediação fundiária e políticas habitacionais efetivas.
A VLI, por sua vez, sustenta que as moradias atingem áreas onde construções seriam proibidas por razões de segurança e que a ocupação impediria investimentos de modernização e manutenção da malha ferroviária. No entanto, a companhia não apresenta propostas de soluções reais para o problema social de 250 famílias que estão há duas décadas no local e que não têm alternativa habitacional adequada.





