Cinco movimentos populares ocuparam o Ministério das Cidades, em Brasília, na segunda-feira (8), para cobrar prioridade ao Minha Casa, Minha Vida Entidades. A mobilização denunciou cortes na contratação de moradias, repressão policial com gás de pimenta e bombas, e manteve cerca de 200 pessoas em vigília sem autorização para montar barracas na Esplanada dos Ministérios.
A ocupação reuniu famílias de baixa renda organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), União Nacional por Moradia Popular (UNMP), Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) e Movimento de Trabalhadores por Direitos (MTD). As organizações reivindicam ampliação imediata das unidades contratadas na modalidade Entidades do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Segundo os movimentos, há cerca de 98 mil moradias enquadradas e aptas para contratação pela Caixa Econômica Federal, mas o governo federal sinaliza a contratação de apenas 35 mil unidades. A diferença representa corte de aproximadamente 70% da demanda já validada tecnicamente. As entidades afirmam que isso penaliza famílias organizadas em associações e movimentos populares, justamente aquelas com mais dificuldade para acessar terra urbanizada e financiamento público.
A repressão ocorreu nas primeiras horas da ocupação. Manifestantes relataram uso de spray de pimenta e bombas de gás contra famílias que participavam da vigília, incluindo crianças e pessoas com deficiência. Um jovem com transtorno do espectro autista ficou em estado de choque diante da ação policial e da presença ostensiva da tropa de choque dentro do ministério.
Depois do confronto, as organizações abriram negociação com representantes do governo federal. A entrada na reunião ministerial foi condicionada à retirada da polícia do interior do prédio e à presença da Casa Civil para discutir as reivindicações. Ao mesmo tempo, atos ocorreram no Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Santa Catarina e Ceará. Em São Paulo, a manifestação foi realizada na Secretaria da Presidência da República, na avenida Faria Lima.
O Ministério das Cidades afirmou que a moradia digna é prioridade desde a recriação da pasta e do MCMV, em 2023, e informou que mais de 2,4 milhões de unidades já foram contratadas em diferentes modalidades, apesar do déficit denunciado pelos manifestantes. A pasta também disse considerar o MCMV Entidades fundamental para a produção social da moradia. Os movimentos, porém, afirmam que a ocupação seguirá até haver compromisso concreto com a ampliação das contratações e garantia de recursos.


